Embora tenha conta no twitter desde fevereiro de 2008, só passei a utilizar a ferramenta com freqüência e a divulgá-la para os leitores no início de fevereiro deste ano. Basta dizer que, de fevereiro de 2008 a janeiro de 2009, eu havia publicado apenas 141 posts no @pablovillaca (isto em quase um ano, portanto). Pois só nos últimos três meses publiquei mais de 600.
O resultado é que passei, neste mesmo período (três meses), de 159 a 560 seguidores - isto divulgando meu twitter apenas aqui no blog, já que decidi que só iria criar uma chamada no Cinema em Cena depois que me certificasse de que pretendia realmente utilizar o serviço e que este tinha alguma utilidade para os leitores. (Talvez faça isso finalmente esta semana, vamos ver.)
Pois hoje me deparei com um artigo que me deixou, confesso, impressionado com a superficialidade com que alguns (ou muitos) têm encarado o Twitter: em vez de compreenderem que o serviço deveria ser utilizado como uma ferramenta de comunicação, certos deslumbrados decidiram que ele era, na realidade, um "famômetro", um certificado de "relevância". Se sou seguido por muitas pessoas, então devo ser especial, importante, digno de nota.
Até aí, vá lá: não há como negar que Marcelo Tas, por exemplo, é um sujeito que conquistou seus mais de 30.000 seguidores graças ao seu trabalho e ao seu histórico profissional, merecendo o título de "twitteiro brasileiro mais famoso" (ou algo no gênero). O que me impressiona são pessoas como aquelas apontadas no artigo que linkei acima, escrito pelo blogueiro Thiago B.: desesperadas por alcançarem uma fama similar à de Tas, elas passaram a usar ferramentas que adicionam automaticamente carradas de seguidores apenas para serem seguidas em retorno, somando rapidamente milhares de novos "leitores" que, conseqüentemente, serviriam como atestado de sua "importância", de sua "fama".
Para estas pessoas, portanto, o twitter nada mais é do que um Big Brother Brasil a 140 caracteres por post.
(Particularmente ridícula foi a tentativa de uma certa blogueira famosa em usar a ferramenta e, ao ser pega em flagrante, usar uma desculpa esfarrapadíssima de que estava apenas "testando" o recurso - algo que o artigo de Thiago B. expõe como uma fraude patética.)
Não nego que adoraria ter os 30.000 "seguidores" do Tas (quem não gostaria?), mas este número só valeria alguma coisa, para mim, caso tivesse a certeza de ter conquistado estes leitores por méritos próprios, através do que escrevo, e não porque usei um robô para arrebanhar público. Neste sentido, a idéia de "caçar" leitores com uma ferramenta automática se assemelha ao plágio: nunca entendi como alguém pode sentir prazer ao ser elogiado por um texto que não escreveu (eu ficaria deprimidíssimo) e, da mesma forma, não compreendo como alguém pode se orgulhar de possuir milhares de leitores que não conquistou.
Mas, claro, esta é apenas minha opinião. Usar o tal robô não é ilegal nem proibido pelo Twitter. É, ao meu ver, apenas uma atitude muito, muito feia.