by Pablo Villaça
2. janeiro 2009 12:32
Luca detesta fogos de artifício. Mais: ele fica desorientado quando os estouros começam. Irritado e com medo, ele leva as mãos aos ouvidos, pede para entrarmos em casa, para que os fogos parem e assim por diante. É um pânico que acho bastante curioso por ter certeza de conhecer sua origem.
Flashback: 31 de Dezembro de 2002. Ioná estava no oitavo mês de gestação quando decidimos assistir aos fogos de artifício na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Ao lado de meu primo e sua esposa, fomos até a beira da Lagoa sem notarmos que havíamos escolhido um local que ficava a poucos metros de um dos pontos de onde os estouros seriam disparados. Assim, em vez de assistirmos aos fogos à distância, ficamos na boca do dragão.
O barulho era ensurdecedor e, para piorar, um erro fez com que uma pequena parte dos fogos explodisse em solo, provocando uma pequena comoção e dando a impressão momentânea de que um acidente muito maior iria acontecer. Ioná ficou nervosíssima, tremendo, e voltamos para a casa de meu primo chateados com a experiência. E o pior: não só Ioná demorou a acalmar-se (ficou pálida e tremia muito) como Luca, lá no conforto do útero, disparou a soluçar por quase uma hora. Víamos a barriga de Ioná tremer com a força dos soluços.
Nada me tira da cabeça que foi esta experiência intra-uterina que levou Luca a ter medo de explosões e barulhos muito altos ainda hoje. Profundamente ligado ao organismo da mãe, ele certamente sentiu todas as alterações químicas provocadas pelo medo de Ioná em reação àqueles estouros monstruosos ocorridos "lá fora". E isso marcou o pequeno antes mesmo de nascer.
Nossos traumas já começam no útero.
(Dito isso, a virada 2008-2009 foi deliciosa. É muito bom estar com a família toda reunida, já que minha mãe e meu irmão também vieram para Salvador. Faltou apenas minha irmã, que mora em Brasília. Quem sabe no ano que vem?)