Na quarta passada, após a cabine de JOGO DE AMOR EM LAS VEGAS, passei na Leitura do Pátio Savassi a fim de comprar um livro e um cartão para presentear a Sra. Kas no Dia dos Namorados. De um presente ela até não faz questão, mas se faltar um cartão nessas datas, sai de baixo. Enfim, em companhia do viscoso tHEbLoB, me inteirei dos best-sellers atuais, dos mais vendidos da VEJA, das coleções luxuosas que as editoras tem despejado no mercado para atrair colecionadores abonados, dos genéricos de O CÓDIGO DA VINCI e dos inúmeros livros que se propõe dissecar o islamismo e o Afeganistão pós-Talibã.
Mas o que mais gostei de conhecer, e me admirou mais ainda nunca ter ouvido falar, já que é tanto a minha cara, é a obra de um escritor e historiador inglês chamado Bernard Cornwell, e aqui me passo por um ignóbil completo, já que com certeza devo ter sido o único a não conhecer tal figura. O atendente da Leitura foi quem me apresentou à obra de Cornwell, sendo o próprio atendente um fã inveterado. De cara, me mostrou a série protagonizada pelo militar e mercenário Richard Sharpe, passada durante as Guerras Napoleônicas. E também as demais séries do escritor, a das Guerras Saxônicas, da Busca do Graal, do Rei Arthur…
Estaria mentindo se dissesse que pensava somente na Sra. Kas quando por muito pouco não comprei um dos livros do escritor, o primeiro de Sharpe, O TIGRE DE SHARPE. Isto me segurou e acabei optando por NA PRAIA, um livro do Ian McEwan, o celebrado autor de REPARAÇÃO. Mas, chegando em casa, pesquisei avidamente na internet sobre Bernard Cornwell e o sujeito é tão querido e famoso que tem até um excelente site brasileiro de fãs, onde se encontra praticamente tudo sobre o sujeito. Incluindo o que mais me surpreendeu, mais uma vez por nunca ter ouvido falar antes: a série de Sharpe compreende 21 livros até o momento, sendo que foram realizados a partir deles, ao longo dos últimos 15 anos, 15 filmes para a TV britânica, onde o herói foi encarnado por ninguém menos que Sean Bean! O último deles saiu em 2006. No próprio site tem a opção de download de todos os filmes, alguns com legendas em português. Descobri também que os livros de Sharpe foram escritos fora da ordem cronológica pela qual saíram por aqui. Dentro da ordem cronológica, os três primeiros se passam na Índia, enquanto os demais migram para Waterloo, Espanha, Portugal…
Conversando com um vendedor da Livraria da Travessa, outro fã inveterado do escritor, fiquei sabendo que o plano de Cornwell é maior e mais ambicioso que parecia a princípio. A idéia do escritor é traçar um painel da História da Grã-Bretanha a partir de seus mitos e lendas. Começando pela saga AS CRÔNICAS DE ARTUR, que engloba uma trilogia: O REI DO INVERNO (1995), O INIMIGO DE DEUS (1996) e EXCALIBUR (1997). Segundo consta, esta saga se baseia em recentes descobertas arqueológicas e situam a lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda em um mundo menos mitológico e mais realista. Mais ou menos como tentou fazer o frustrante REI ARTHUR de Antoine Fuqua e Jerry Bruckenheimer. Só que, segundo as críticas que li, Cornwell foi imensamente mais bem sucedido em sua empreitada.
Em seguida, temos AS CRÔNICAS SAXÔNICAS, passadas no século IX, com quatro livros: O ÚLTIMO REINO (2004), O CAVALEIRO DA MORTE (2005), OS SENHORES DO NORTE (2006) e A CANÇÃO DA ESPADA, este último ainda não lançado no Brasil.
Cronologicamente, a esta se segue outra trilogia, de tema igualmente fascinante: A BUSCA DO GRAAL, que compreende O ARQUEIRO (2000), O ANDARILHO (2002) e O HEREGE (2003). Passados durante a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra, conta a história de Thomas, um jovem arqueiro que se envolve na busca do Santo Graal, enfrentando seu nêmesis Arlequim (título original do primeiro livro, por sinal).
AS AVENTURAS DE SHARPE vêm em seguida, com seus 21 títulos, sendo que apenas seis saíram no Brasil até o momento, que são, por ordem cronológica estabelecida pelo autor e não por data de publicação original: O TIGRE DE SHARPE (1997), O TRIUNFO DE SHARPE (1998), A FORTALEZA DE SHARPE (1999), SHARPE EM TRAFALGAR (2000), A PRESA DE SHARPE (2001) e OS FUZILEIROS DE SHARPE (1988).
Por fim, um romance de mistério passado no século XIX, O CONDENADO, que tem um personagem chamado Sandman e só isso já vale a espiada.
Aproveitando que o aniversário de minha irmã mais velha foi hoje, e que ela é tão viciada em literatura geek quanto eu, a presenteei (e a mim, por consequência), com O ARQUEIRO, que de todos foi o que mais desertou sua curiosidade. Não contente, aproveitei um cupom do Submarino para encomendar O REI DO INVERNO, com o qual pretendo embarcar na Inglaterra de Cornwell. E aí? Conhece a obra do autor? Vale a pena? Mande seus comentários!