SANGUE CONTAMINADO

by Kas 8. November 2010 08:17

Conheça os livros, quadrinhos, séries e filmes com as quais ANNO DRACULA divide temas e idéias, quando não personagens.

A SAGA CREPÚSCULO
De certa forma, foi o sucesso dos livros e filmes da franquia criada por Stephenie Meyer que possibilitou com que ANNO DRACULA finalmente fosse publicado no Brasil. Os pontos em comum são poucos, além do previsível romance entre humano e vampiro.

DRÁCULA DE BRAM STOKER
Lançado no mesmo ano do livro de Newman, esta adaptação do romance seminal de Stoker pelas mãos do prestigiado Francis Ford Coppola compartilha a mesma ambientação gótica e o romantismo fatalista. São obras irmãs, que se aproveitam também de uma certa influência oriental – representada em ANNO DRACULA pela presença de personagens como Fu Manchu e um vampiro ancião chinês.

TRUE BLOOD
É quase uma adaptação de ANNO DRACULA transposta para o século XXI, se a série da HBO não fosse ela mesma adaptação de uma série de livros escritos por Charlaine Harris. Foi adaptada para a telinha pelo roteirista e produtor Alan Ball, vencedor do Oscar por BELEZA AMERICANA e criador de outra série de sucesso no canal, A SETE PALMOS. A série, que mistura em doses iguais humor, drama e horror, é centrada no romance entre a humana Sookie Stackhouse (Anna Paquin, ótima) e o vampiro Bill Compton (Stephen Moyer, marido de Paquin na vida real).

AS CRÔNICAS VAMPIRESCAS
A escritora Anne Rice investiu nos traços melancólicos das criaturas imortais em uma série de livros iniciada por ENTREVISTA COM O VAMPIRO, que ganhou versão cinematográfica pelas mãos de Neil Jordan, com Tom Cruise investindo contra sua imagem popular como o Vampiro Lestat, e Brad Pitt como o introspectivo Louis.

A LIGA DOS CAVALEIROS EXTRAORDINÁRIOS
O genial Alan Moore, um dos grandes nomes dos quadrinhos modernos, recupera vários dos personagens clássicos da literatura fantástica da Era Vitoriana e os reúne em um super-grupo aos moldes de X-MEN: Allan Quatermain, Mina Harker (de DRÁCULA), o Homem-Invisível (de H.G. Wells), Dr. Jekyll/Mr. Hyde e o Capitão Nemo juntam forças contra uma ameaça em comum. Foram duas minisséries com os personagens, ambas lançadas no Brasil. Vários destes personagens e outros secundários se fazem presentes também em ANNO DRACULA.

OS ESPÍÕES DE LE CARRÉ
Um dos personagens centrais de ANNO DRACULA é Charles Beauregard, que serve à coroa através do misterioso Clube Diógenes, que nada mais é do que uma versão embrionária da Agência Britânica de Inteligência MI6, empregadora de uma série de espiões célebres, como James Bond e George Smiley. É deste último, assim como de outras criações do escritor John Le Carré (ele mesmo ex-agente do MI6), que Beauregard mais se aproxima. Não é superhumano quanto Bond (apesar de também se utilizar de um gadget, no caso, uma espada de prata escondida na bengala), sofre com a infidelidade feminina, e serve como um joguete nas mãos dos patrões.

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Literatura

ANNO DRACULA

by Kas 8. November 2010 08:08

Quando criança, o britânico Kim Newman ficou acordado até tarde assistindo a DRÁCULA (1931), com Bela Lugosi, na TV. Desde então, a forte impressão que o vampiro teve em seu imaginário se expressou nas escolhas profissionais e artísticas de Newman, que se tornou crítico e pesquisador de cinema, em publicações como SIGHT & SOUND e SHIVERS, esta última especializada em filmes de horror, e romancista, cuja obra mais famosa é justamente ANNO DRACULA. Publicada originalmente em 1992, só agora chega ao Brasil numa excelente edição da Editora Aleph.

A publicação de ANNO DRACULA não poderia ser mais oportuna (ou oportunista). A mídia está infestada de referências à nova onda de vampirismo na literatura, no cinema e na TV, liderada pelo fenômeno CREPÚSCULO, que deu (perdoe o trocadilho) sangue novo às criaturas mortas-vivas.

O livro de Newman de certa forma antecede esta nova moda. De certa forma, porque não deixa de fazer parte de um revival dos vampiros que tomou forma a partir da publicação das CRÔNICAS VAMPIRESCAS de Anne Rice nos anos 1970, e que avançou pelas décadas seguintes principalmente no cinema, com uma série de filmes que abordavam o mito de forma revisionista, seja ela exaltando a repulsa (NOSFERATU, O VAMPIRO DA NOITE, 1979), o erotismo (FOME DE VIVER, de 1983), o humor (AMOR À PRIMEIRA MORDIDA, 1979), a rebeldia (OS GAROTOS PERDIDOS, 1987) e a nostalgia (DEU A LOUCA NOS MONSTROS, 1987). Os vampiros ganharam neste período roupagem moderna e efeitos de ponta (A HORA DO ESPANTO, 1985) e até origens exóticas (como o espaço sideral, em FORÇA SINISTRA, 1985), mas não aposentaram os trajes mais clássicos e finos (DRÁCULA, 1979; e DRÁCULA DE BRAM STOKER, 1992). Além, é claro, da própria adaptação do romance de Rice, produzida em 1994, com Tom Cruise encarnando o vampiro Lestat.

ANNO DRACULA, o primeiro tomo de uma trilogia cujos demais ainda permanecem inéditas por aqui, não apenas é parte desta safra, como também parece um amálgama destas várias vertentes. Concebido como uma espécie de continuação não-oficial do romance de Bram Stoker, a partir da premissa de que Drácula não morreu no final do livro e, pelo contrário, expandiu seu reinado por toda a Inglaterra, desposando a Rainha Vitória e se tornando o novo Príncipe Consorte. Com isso, o vampirismo não só foi revelado ao mundo, como também virou a nova moda londrina. Boa parte da população decide assim, por vontade própria ou não, se converter ao modismo. Alguns vêem na conversão uma oportunidade de ascensão social; outros simplesmente descobrem na sede de sangue uma nova fonte de prazer. Os que discordam da nova ordem vão parar em campos de concentração situados na periferia da cidade.

É em meio a este reboliço social que uma série de assassinatos começa a aterrorizar Londres. Várias prostitutas aparecem mortas, com a garganta estraçalhada e órgãos roubados. Sem pistas, a Scotland Yard e a imprensa acabam por contribuir para o pânico generalizado. Neste ínterim, o agente de Sua Majestade Charles Beauregard e a vampira anciã num corpo de menina Geneviève juntam forças para investigar o caso e encontrar o assassino serial que ganha a alcunha de Jack, o Estripador.

Não só o pano de fundo histórico é resgatado. Kim Newman aproveita para tecer uma grande homenagem à literatura e ao cinema fantástico de agora e de sempre. Sua trama, que se desenrola em todas as esferas sociais, envolve centenas de personagens surgidos em livros e filmes, num esforço enciclopédico. E não se preocupe se você não reconhecer todos eles. A edição nacional conta com um apêndice que une nomes a suas fontes originais.

Mas a graça mesmo está no fato de a obra de Newman não se resumir a citações vazias para fãs do gênero. Sua trama é forte e não se sedimenta exclusivamente no mistério em si, já que logo no primeiro capítulo a identidade do criminoso é revelada ao leitor. Newman aproveita a deixa para expor as entranhas de uma sociedade em transformação, que vê o advento científico da Revolução Industrial interrompido pelo retorno às superstições sobrenaturais medievais, e o impacto com o qual estas forças opostas atingem a população. É um romance sólido, apaixonado, que corre o risco de contaminar a imaginação do leitor.

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MAIS BERNARD CORNWELL E OUTROS GÊNEROS LITERÁRIOS

by Kas 8. December 2008 07:25

Dois leitores descobriram um post publicado em 15 de junho sobre Bernard Cornwell e deixaram suas impressões. Relatei na época que nunca tinha ouvido falar no sujeito e que estava fascinado com a proposta do escritor em recontar a História da Inglaterra a partir de suas lendas e batalhas. Na ocasião, comprei O REI DO INVERNO, primeiro tomo da trilogia AS CRÔNICAS DE ARTUR e achei bem interessante a visão "realista" de Cornwell para uma das maiores sagas mitológicas já concebidas. Confesso que sou fã do Arthur mítico, aquele da espada na pedra, do Mago Merlin, da feiticeira Morgana e da busca pelo Graal. EXCALIBUR, neste sentido, é o cume das adaptações de Arthur para o cinema. O que Cornwell propõe é mais próximo de REI ARTHUR, de Antoine Fuqua, só que com um embasamento e um senso de fidelidade histórica que o filme de Fuqua nem passa perto de ter. O misticismo pode ter perdido lugar, mas é bem revisto na obra de Cornwell como superstições da época, o que só colabora com o projeto "realista" do autor. Já comprei o segundo tomo, O INIMIGO DE DEUS, que me espera aqui na estante do Gabinete.

Em seguida, li e gostei mais ainda de O TIGRE DE SHARPE, a primeira aventura do personagem Richard Sharpe, que já conta com uns quinze livros publicados lá fora, sendo que sete deles já saíram por aqui. SHARPE é bem menos pretencioso e mais divertido. É uma aventura à moda antiga, que faz bom uso do talento de Cornwell para descrever batalhas, algo que Felipe Dias destaca em seu comentário no antigo post. Daria um grande filme nas mãos de Ridley Scott, pois tem todos os atrativos para o cineasta. Quem poderia ser um bom Sharpe? O saudoso Heath Ledger ficaria perfeito, ainda que tenha interpretado papel semelhante em THE FOUR FEATHERS (como se chamou no Brasil? HONRA E CORAGEM?). Na verdade, Sharpe já fora adaptado para a TV britânica, com Sean Bean, numa série de longas.

Os próximos da minha lista são O CONDENADO, que ganhei de aniversário, e O TRIUNFO DE SHARPE, além, é claro de O INIMIGO DE DEUS. Mas a sugestão de Felipe Dias está anotada e com certeza conferirei também A BUSCA DO GRAAL. Estategicamente, já presenteei minha irmã com o primeiro volume, O ARQUEIRO. :)

Elvis Wolvie já professa sua preferência por livros de ficção científica, policiais noir e Agatha Christie, algo que compartilho com ele (ficam de fora só os livros de espiritismo, Elvis). Na verdade, estou finalizando A NOITE DAS BRUXAS, uma aventura de Hercule Poirot, e levo amanhã para minha viagem de férias UM PASSE DE MÁGICA, também de Dame Agatha Christie, só que protagonizado pela Miss Marple. Além de livros de sci-finoir, espionagem, fantasia e aventura, sou fissurado por histórias de detetive, os famosos whodunit. Li há pouco A PRIMEIRA INVESTIGAÇÃO DE MAIGRET, do grande George Simenon, e nem preciso comentar o quanto curto os casos de Sherlock Holmes.  

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Literatura

A INGLATERRA DE CORNWELL

by Kas 15. June 2008 09:30

Na quarta passada, após a cabine de JOGO DE AMOR EM LAS VEGAS, passei na Leitura do Pátio Savassi a fim de comprar um livro e um cartão para presentear a Sra. Kas no Dia dos Namorados. De um presente ela até não faz questão, mas se faltar um cartão nessas datas, sai de baixo. Enfim, em companhia do viscoso tHEbLoB, me inteirei dos best-sellers atuais, dos mais vendidos da VEJA, das coleções luxuosas que as editoras tem despejado no mercado para atrair colecionadores abonados, dos genéricos de O CÓDIGO DA VINCI e dos inúmeros livros que se propõe dissecar o islamismo e o Afeganistão pós-Talibã.

Mas o que mais gostei de conhecer, e me admirou mais ainda nunca ter ouvido falar, já que é tanto a minha cara, é a obra de um escritor e historiador inglês chamado Bernard Cornwell, e aqui me passo por um ignóbil completo, já que com certeza devo ter sido o único a não conhecer tal figura. O atendente da Leitura foi quem me apresentou à obra de Cornwell, sendo o próprio atendente um fã inveterado. De cara, me mostrou a série protagonizada pelo militar e mercenário Richard Sharpe, passada durante as Guerras Napoleônicas. E também as demais séries do escritor, a das Guerras Saxônicas, da Busca do Graal, do Rei Arthur…

Estaria mentindo se dissesse que pensava somente na Sra. Kas quando por muito pouco não comprei um dos livros do escritor, o primeiro de Sharpe, O TIGRE DE SHARPE. Isto me segurou e acabei optando por NA PRAIA, um livro do Ian McEwan, o celebrado autor de REPARAÇÃO. Mas, chegando em casa, pesquisei avidamente na internet sobre Bernard Cornwell e o sujeito é tão querido e famoso que tem até um excelente site brasileiro de fãs, onde se encontra praticamente tudo sobre o sujeito. Incluindo o que mais me surpreendeu, mais uma vez por nunca ter ouvido falar antes: a série de Sharpe compreende 21 livros até o momento, sendo que foram realizados a partir deles, ao longo dos últimos 15 anos, 15 filmes para a TV britânica, onde o herói foi encarnado por ninguém menos que Sean Bean! O último deles saiu em 2006. No próprio site tem a opção de download de todos os filmes, alguns com legendas em português. Descobri também que os livros de Sharpe foram escritos fora da ordem cronológica pela qual saíram por aqui. Dentro da ordem cronológica, os três primeiros se passam na Índia, enquanto os demais migram para Waterloo, Espanha, Portugal…

Conversando com um vendedor da Livraria da Travessa, outro fã inveterado do escritor, fiquei sabendo que o plano de Cornwell é maior e mais ambicioso que parecia a princípio. A idéia do escritor é traçar um painel da História da Grã-Bretanha a partir de seus mitos e lendas. Começando pela saga AS CRÔNICAS DE ARTUR, que engloba uma trilogia: O REI DO INVERNO (1995), O INIMIGO DE DEUS (1996) e EXCALIBUR (1997). Segundo consta, esta saga se baseia em recentes descobertas arqueológicas e situam a lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda em um mundo menos mitológico e mais realista. Mais ou menos como tentou fazer o frustrante REI ARTHUR de Antoine Fuqua e Jerry Bruckenheimer. Só que, segundo as críticas que li, Cornwell foi imensamente mais bem sucedido em sua empreitada.

Em seguida, temos AS CRÔNICAS SAXÔNICAS, passadas no século IX, com quatro livros: O ÚLTIMO REINO (2004), O CAVALEIRO DA MORTE (2005), OS SENHORES DO NORTE (2006) e A CANÇÃO DA ESPADA, este último ainda não lançado no Brasil.

Cronologicamente, a esta se segue outra trilogia, de tema igualmente fascinante: A BUSCA DO GRAAL, que compreende O ARQUEIRO (2000), O ANDARILHO (2002) e O HEREGE (2003). Passados durante a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra, conta a história de Thomas, um jovem arqueiro que se envolve na busca do Santo Graal, enfrentando seu nêmesis Arlequim (título original do primeiro livro, por sinal).

AS AVENTURAS DE SHARPE vêm em seguida, com seus 21 títulos, sendo que apenas seis saíram no Brasil até o momento, que são, por ordem cronológica estabelecida pelo autor e não por data de publicação original: O TIGRE DE SHARPE (1997), O TRIUNFO DE SHARPE (1998), A FORTALEZA DE SHARPE (1999), SHARPE EM TRAFALGAR (2000), A PRESA DE SHARPE (2001) e OS FUZILEIROS DE SHARPE (1988).

Por fim, um romance de mistério passado no século XIX, O CONDENADO, que tem um personagem chamado Sandman e só isso já vale a espiada.

Aproveitando que o aniversário de minha irmã mais velha foi hoje, e que ela é tão viciada em literatura geek quanto eu, a presenteei (e a mim, por consequência), com O ARQUEIRO, que de todos foi o que mais desertou sua curiosidade. Não contente, aproveitei um cupom do Submarino para encomendar O REI DO INVERNO, com o qual pretendo embarcar na Inglaterra de Cornwell. E aí? Conhece a obra do autor? Vale a pena? Mande seus comentários!

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