Para
celebrar o Dia do Professor, comemorado ontem, dia 15 de outubro, selecionei alguns
DVDs de filmes que exaltam (ou, por outro lado, desglamourizam) a figura do
ensinador, uma figura sempre presente nas telas desde que o cinema descobriu a
arte da retórica. Com o critério de abordar apenas filmes disponibilizados em
DVD no Brasil, alguns clássicos do sub-gênero ficaram de fora, como SEMENTES DA VIOLÊNCIA (1955), obra seminal com Glenn Ford fazendo o professor acuado pela
violência incontrolável.
É
curioso que os primeiros filmes célebres sobre professores sejam também os mais
críticos com relação ao profissional. O ANJO AZUL (1930, Continental), de Josef Von Sternberg,
traz Emil Jannings como um mestre moralista, que condena os alunos que
freqüentam o bordel local. Quando ele mesmo decide visitar o antro para compreender
o fascínio que o lugar exerce sobre seus pupilos, acaba perdidamente apaixonado
pela prostituta Lola (Marlene Dietrich). O que, para o professor, significa a
ruína moral e social.
Já ZERO EM COMPORTAMENTO (1933, Versátil, integrante do DVD duplo JEAN VIGO INTEGRAL), média-metragem de Jean Vigo que integra a edição
especial dedicada pela Versátil ao diretor, coloca pela primeira vez um
professor idealista em contato com alunos insubordinados, mas sem os resultados
comuns às produções hollywoodianas posteriores. Aqui, a figura do professor é
ridicularizada, já que em nada serve como referência para tais jovens, sendo
apenas objeto de escrutínio. ZERO EM COMPORTAMENTO serviria como base para
outro memorável retrato da infância conturbada, OS INCOMPREENDIDOS (1959, Versátil) de
Truffaut, que não hesita em tomar o partido das crianças contra o intolerante
professor. O que não acontece em ENTRE OS MUROS DA ESCOLA (2008, Imovision), onde a
relação de poder já não é tão clara. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o
filme de Laurent Cantet é, talvez o retrato mais exato da batalha constante que
se trava diariamente em uma sala de aula.
Mas
é a figura do mestre como farol é que será privilegiada pelo cinema. ANNA E O REI DO SIÃO (1946, Fox Classics) é a primeira das quatro adaptações (duas em live action e
uma em animação, sem contar uma série de TV) da história da viúva Anna
Leonowens, a tutora britânica que viaja ao Sião para lecionar inglês às dezenas
de filhos do rei. Irene Dunne faz Anna, que com toda sua teimosia vai aos
poucos ganhando o respeito (e nas demais adaptações, também o amor) do soberano
vivido por Rex Harrison, em seu primeiro papel holywoodiano.
Nenhum
filme, porém, é mais emblemático do papel edificante do educador quanto AO MESTRE, COM CARINHO (1966, Sony). Sidney Poitier, no papel pelo qual é mais
lembrado, faz um engenheiro desempregado que se torna professor de uma escola
de um bairro operário londrino, entrando numa queda de braço com os alunos
desordeiros. O otimismo da conclusão serviu como base para dezenas de produções
similares, ainda que com uma ou outra variação, como UM DIRETOR CONTRA TODOS
(1987, Sony), O PREÇO DO DESAFIO (1988, Warner), MENTES PERIGOSAS (1995, Buena Vista), MR. HOLLAND - ADORÁVEL PROFESSOR (1995, FlashStar), MÚSICA DO CORAÇÃO (1999, Imagem), O SORRISO DE MONA LISA (2003, Sony), ESCOLA DE ROCK (2003, Paramount), O CLUBE DO IMPERADOR (2004, Europa), A VOZ DO CORAÇÃO (2004, PlayArte), VEM DANÇAR (2006, PlayArte) e ESCRITORES DA LIBERDADE (2007, Paramount).
Nenhum tão ilustre quanto SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS (1989, Buena Vista), com um encantador Robin Williams como o mestre progressista de
uma rigorosa escola dos anos 1950. O sopro de inspiração e liberdade que injeta
nos seus pupilos é de tal emoção que só encontra correspondência na árdua
jornada da jovem professora de 13 anos que vai do interior à cidade grande em
busca do aluno perdido no neo-realista NENHUM A MENOS (1999, Sony), de Zhang Yimou.
Uma epopéia que celebra uma profissão por muitas vezes quixotesca e
negligenciada, mas em igual medida marcante e necessária