BONITA COMO NUNCA

by Kas 16. March 2012 08:50
Bobinho, mas delicioso, musical romântico passado numa Buenos Aires de estúdio, sobre milionário argentino (o sempre eficiente Adolphe Menjou) que escreve cartas de amor para a própria filha (Rita Hayworth) com o intuito de amolecer seu gelado coração, até que esta começa a desconfiar que o autor das cartas é um sapateador novaiorquino viciado em corrida de cavalos (Fred Astaire).
 
A típica comédia de erros alterna momentos inspirados com outros nem tanto, mas é ajudado pelo ótimo casal central e por uma subtrama que envolve o pai e a madrinha da protagonista.
 
Indicado aos Oscars de Trilha Sonora, Canção (“Dearly Beloved”) e Som.
 
Ótima cópia, sem extras.
 
BONITA COMO NUNCA
You Were Never Lovelier, EUA, 1942
IDIOMA: Inglês 2.0, Português 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Full Screen 1.33:1
Comédia romântica musical – 1h37 – P&B – Classicline
Direção: William A. Seiter
Com Fred Astaire, Rita Hayworth, Adolphe Menjou, Isobel Elsom, Leslie Brooks
FILME: ***
DVD: *** 

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LOUCURAS DE CARNAVAL

by Kas 25. December 2011 08:49

Está cada vez mais difícil surpreender o espectador com piadas de baixo escalão, que são o caldo de filmes como AMERICAN PIE e SE BEBER, NÃO CASE, mas LOUCURAS DE CARNAVAL bem que tenta.

O diretor Phil Dornfeld, que foi produtor e assistente de direção na série TODO MUNDO EM PÂNICO, tem experiência na baixaria, e mostra o que sabe ao colocar três amigos – como sempre o galã, o tímido e o gordo nojento – no carnaval de Nova Orleans.

Apesar da capa destacar o nome de Carmen Electra, a moça faz apenas uma participação especial como ela mesma.

LOUCURAS DE CARNAVAL
Mardi Gras: Spring Break, EUA, 2011
IDIOMA: Inglês 5.1, Português 5.1, Espanhol 5.1
LEGENDAS: Português, Espanhol, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 1.78:1
Comédia – 1h40 – Cor – Sony
Direção: Phil Dornfeld
Com Nicholas D’Agosto, Josh Gad, Bret Harrison, Arielle Kebbel, Carmen Electra, Jessie O’Donohue, Becky O’Donohue, Danneel Ackles  
FILME: **
DVD: ***

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MAD MEN: 3ª TEMPORADA

by Kas 25. December 2011 08:45

Das melhores séries de TV da última década, MAD MEN continua surpreendendo a cada nova temporada. E surpreende por permanecer igual. Ou seja, por manter o mesmo rigor dos anos anteriores, na forma como conta a trajetória de Don Draper (Jon Hamm, que tem carisma e aparência física dos astros do passado), um bem sucedido publicitário que trabalha numa das maiores agências da Madison Avenue (daí o “Mad Men” do título) na Nova York do início dos anos 1960.

O período conturbado na história norte-americana – luta pelos direitos civis, assassinato de JFK – faz o pano de fundo para um drama de grande sutileza e profundidade dramática, além dos valores de produção impecáveis, com fotografia e direção de arte que remetem aos melodramas de Douglas Sirk (uma influência assumida).

Box com 4 DVDs condicionando os 13 episódios da temporada.

MAD MEN: 3ª TEMPORADA
Mad Men: Season 3, EUA, 2009
IDIOMA: Inglês 2.0, Português 2.0
LEGENDAS: Português, Espanhol
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 1.78:1
Drama / Série de TV – 626min – Cor – Universal
Criação: Matthew Weiner
Com Jon Hamm, Elizabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks, Bryan Batt, Michael Gladis, Aaron Staton, John Slattery
SÉRIE: *****
DVD: ***

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PULANDO A VASSOURA

by Kas 25. December 2011 08:31

Tirando o fato de ter um elenco prioritariamente negro, esta não é diferente de diversas outras comédias sobre encontros familiares que resultam em constrangimentos e conflitos diversos. Aqui, é curioso ver como a matriarca (Angela Bassett, que foi Tina Turner no cinema) de uma família negra de alta classe, que mora numa mansão, anda em carros importados e curte ópera, reage à presença da barraqueira do Brooklyn (Loretta Devine) que chega com sua trupe para o casamento do filho (Laz Alonso) com uma patricinha (a bela Paula Patton, do novo MISSÃO: IMPOSSÍVEL).

O diretor Salim Akil, que veio da TV, se sai melhor nas reviravoltas novelescas do enredo do que nas tentativas de humor.

Edição muito boa, com comentários em áudio, making of e um especial sobre a tradição de “pular a vassoura”, herança da época da escravidão.

PULANDO A VASSOURA
Jumping the Broom, EUA, 2011
IDIOMA: Inglês 5.1, Português 5.1, Espanhol 5.1, Francês 5.1, Tailandês 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Chinês, Coreano, Francês, Tailandês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 1.78:1
Comédia dramática / Romance – 1h52 – Cor – Sony
Direção: Salim Akil
Com Paula Patton, Laz Alonso, Angela Bassett, Loretta Devine, Meagan Good, Tasha Smith, Julie Bowen, Mike Epps, Romeo Miller, Deray Davis
FILME: **
DVD: ****

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ESPOSA DE MENTIRINHA

by Kas 3. September 2011 04:23

Adam Sandler, produtor e astro, em mais uma colaboração com um de seus diretores de confiança, Dennis Dugan, faz aqui sua tentativa de comédia romântica.

Sandler é um solteirão incorrigível que finge ser casado quando descobre que a aliança é um imã de mulheres. Quando conhece uma bela jovem (Brooklyn Decker), decide levar a farsa adiante com a ajuda da assistente vivida por Jennifer Aniston. Claro que está formado um triângulo. O humor é chulo, como era de se esperar de Sandler e sua turma, que aqui traz o sem graça Nick Swardson como um Rob Schneider dos pobres. Até a participação de Nicole Kidman não acrescenta muito. O melhor fica por conta de Aniston, que injeta graça e charme ao papel.

Inclui comentários em áudio de parte do elenco (incluindo Sandler) e da equipe; cenas excluídas; erros de gravação; e especiais sobre os atores e sobre as filmagens no Havaí.

ESPOSA DE MENTIRINHA
Just Go With It, EUA, 2011
IDIOMA: Inglês 5.1, Português 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 1.85:1
Comédia – 1h56 – Cor – Sony

Direção: Dennis Dugan
Com Adam Sandler, Jennifer Aniston, Nicole Kidman, Nick Swardson, Brooklyn Decker, Bailee Madison, Griffin Gluck, Dave Matthews
FILME: *
DVD:
***

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A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO / GAROTA LEVADA

by Kas 3. September 2011 03:33

A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO, lançado pela Classicline, é um título pomposo que ilustra bem a idolatria com a qual eram recebidas as estrelas européias no período do pós-guerra, quando o cinema do velho continente voltou a se fazer presente nas telas mundiais. No caso, a italiana Gina Lollobrigida, que já havia flertado com o cinema norte-americano dois anos antes com O DIABO RIU POR ÚLTIMO, mas que viraria estrela internacional mesmo após encarnar a cantora lírica do início do século XX Lina Cavalieri nesta co-produção entre Itália e França, realizada com técnicos e elenco italianos e dirigida por um veterano artesão hollywoodiano, Robert Z. Leonard.

Lollobrigida é a típica estrela italiana do pós-guerra: curvilínea (com uma cintura fisicamente impossível), sexy e engraçada, ela logo galgou os degraus da fama em Hollywood, estrelando sucessos como TRAPÉZIO (com Burt Lancaster e Tony Curtis), O CORCUNDA DE NOTRE DAME (com Anthony Quinn) e SALOMÃO E A RAINHA DE SABÁ (com Yul Brynner), que faziam bom uso de sua sensualidade e exotismo. Mas em A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO, Lollobrigida já dá mostra de seu talento cômico e chega até mesmo a interpretar (bem) algumas canções.

Seu parceiro de elenco, Vittorio Gassman, é outro que usaria o sucesso europeu para cruzar o Atlântico, participando em seguida do grande elenco do GUERRA E PAZ de King Vidor. Gassman faz o príncipe russo pelo qual Lina Cavalieri se apaixona perdidamente e que, segundo o filme, é o principal artífice do sucesso da cantora.

A opção de escalar um narrador experiente como Robert Z. Leonard (ZIEGFELD, O CRIADOR DE ESTRELAS) faz sentido, já que este consegue imprimir um ritmo ágil e controlar com habilidade os vários tons da trama, que transita do melodrama à comédia farsesca, passando pela tragédia e pelo romance. Mas a ficha técnica revela também curiosidades, como o nome de Mario Monicelli entre os nove roteiristas creditados. Daí não fica difícil de creditar ao futuro realizador de marcos da comédia como O INCRÍVEL EXÉRCITO DE BRANCALEONE (também com Gassman) e MEUS CAROS AMIGOS alguns dos inspirados momentos de humor presentes ao longo da narrativa. Outro ponto alto é a estupenda fotografia de Mario Bava, ele mesmo futuro cineasta e um dos maiores estetas do cinema de horror italiano. O controle por Bava da luz e dos enquadramentos só realça a beleza física de Lollobrigida.

Que ainda assim, não supera o carisma e o sex appeal inigualável de sua contemporânea francesa Brigitte Bardot, estrela de GAROTA LEVADA, outro lançamento da Classicline em boa cópia. Bardot foi, provavelmente, a maior estrela internacional dos anos 1950. Seu prestígio nas bilheterias era tanto que ela não precisava migrar para Hollywood para fazer sucesso na América. Apesar de ter participado de algumas produções norte-americanas, Bardot virou um fenômeno mesmo com seu trabalho na França, em comédias inofensivas como esta GAROTA LEVADA (que traz a colaboração de seu então marido Roger Vadim nos diálogos) e em romances com toques eróticos como E DEUS CRIOU A MULHER, dirigido por Vadim e lançado no mesmo ano.

Mas o que não era sexy com a presença esfuziante de Bardot, com seu rosto jovial e seu corpo perfeito e geralmente desnudo? O bobinho, mas divertido, GAROTA LEVADA não teria metade de seu charme caso Bardot não estivesse ali, incendiando (literalmente) a tela, como a filha de um fugitivo que ganha abrigo na casa de um famoso cantor, que logo abandona a noiva para cair nos braços da ninfeta. E quem pode culpar estes pobres mortais, por não terem força suficiente para resistirem ao encanto de musas como Bardot e Lollobrigida?

A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO
La Donna più bella del mondo, Itália/França, 1955
IDIOMA: Italiano 2.0, Italiano 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Full Frame 1.33:1
Romance musical – 1h47 – Cor – Classicline

Direção: Robert Z. Leonard
Com Gina Lollobrigida, Vittorio Gassman, Robert Alda, Anne Vernon, Tamara Lees, Gino Sinimberghi
FILME: ***
DVD:
***

GAROTA LEVADA
Cette Sacrée Gamine, França, 1956
IDIOMA: Francês 2.0, Francês 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 2.35:1
Comédia romântica – 1h26 – Cor – Classicline

Direção: Michel J. Boisrond
Com Brigitte Bardot, Jean Bretonnière, Françoise Fabian, Bernard Lancret, Marcel Charvey, Jean Poiret, Jean Lefebvre
FILME: ***
DVD: ***

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SALMO VERMELHO

by Kas 3. September 2011 03:28

Produto de sua época, esta alegoria que deu ao cineasta húngaro Miklós Jancsó (que já teve seu VERMELHOS E BRANCOS lançado pela distribuidora) o prêmio de Melhor Direção em Cannes, soa hoje como mera curiosidade. Seu tema, desenvolvido num tom panfletário, ficou datado. Não existe bem uma trama. São vários personagens numa espécie de comunidade agrária que se levantam contra seus patrões, buscando melhores condições de trabalho e reivindicando outros direitos, no que são confrontados pelas autoridades.

O maior problema do filme é que não dá margem para leituras outras que a mastigada por Jancsó. Seu discurso é óbvio e ingênuo. O que o filme tem de bom acaba se diluindo. Consistindo em apenas 27 planos, o filme abusa de maravilhosas coreografias de câmera e atores e bela fotografia, que não dá atenção às mudanças de luz que ficam claras de cena pra cena.

Ótima cópia, sem extras.

SALMO VERMELHO
Még kér a nép, Hungria, 1972
IDIOMA: Húngaro 2.0
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Full Frame 1.33:1
Drama alegórico – 1h27 – Cor – Lume Filmes

Direção: Miklós Jancsó
Com Andrea Ajtony, András Ambrus, Lajos Balázsovits, Andras Balint, István Bujtor
FILME:
**
DVD:
***

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SECRETARIAT - UMA HISTÓRIA IMPOSSÍVEL

by Kas 31. August 2011 06:16

É mais uma daquelas histórias edificantes do subgênero “reino animal” que Hollywood adora, ainda mais quando é abençoada pelo acaso (que no cinema se confunde com “destino”) como aqui. No início dos anos 1970, dona de casa (Diane Lane) herda um potro que, contra todas as expectativas, se torna um campeão. Mas até chegar lá, esta sacrifica sua família e quase perde tudo que tem.

Lane tem carisma, graça e beleza, mas o resto do elenco é infelizmente desperdiçado, principalmente Scott Glenn, como o pai da protagonista. Randall Wallace (roteirista de CORAÇÃO VALENTE) continua na sua trajetória de mediocridade de seus trabalhos anteriores como diretor, como O HOMEM DA MÁSCARA DE FERRO e FOMOS HERÓIS. Ainda assim, é difícil não embarcar na catarse.

Boa edição, inclui o especial Coração de Campeão (15min), 10 minutos de cenas excluídas com introdução e comentários em áudio do diretor e videoclipe It’s Who You Are com AJ Michalka. Também em Blu-ray, que tem óbvia vantagem nos aspectos técnicos.

SECRETARIAT – UMA HISTÓRIA IMPOSSÍVEL
Secretariat, EUA, 2010
IDIOMA: Inglês 5.1, Português 5.1, Espanhol 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 2.40:1
Drama – 2h03 – Cor – Disney

Direção: Randall Wallace
Com Diane Lane, John Malkovich, Dylan Walsh, James Cromwell, Kevin Connnoly, Scott Glenn
FILME:
**
DVD: ****

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RONDA DA NOITE

by Kas 30. August 2011 13:43

Nos anos 1980, o inglês Peter Greenaway surgiu como uma saudável alternativa ao cinema pop praticado por Hollywood. Longe dos efeitos especiais e do público infanto-juvenil almejado pela indústria do cinema, Greenaway propunha um cinema mais próximo das artes plásticas e do teatro, incorporando elementos visuais da videoarte que floresceu no período. Seus filmes não eram para qualquer público, e sim para aqueles que freqüentavam o circuito de arte. Neste circuito, conseguiu até alguns sucessos expressivos que se tornariam cults para toda uma geração, como AFOGANDO EM NÚMEROS (1988), O COZINHEIRO, O LADRÃO, SUA MULHER E O AMANTE (1989), A ÚLTIMA TEMPESTADE (1991) e O LIVRO DE CABECEIRA (1996).

De lá pra cá, Greenaway caiu numa espécie de ostracismo. De repente, seu cinema contaminado pelas artes nobres já passou a não interessar mais nem ao público de arte e nem à crítica. Filmes como 8 ½ MULHERES (1999) foram ignorados e o cineasta passou a realizar curtas, segmentos de longas, versões de óperas para a TV e instalações. Enquanto isso, embarcou num projeto ambicioso, que compreendia um longa de ficção um documentário e uma instalação para o Rijksmuseum de Amsterdam para comemorar os 400 anos de Rembrandt.

A idéia de Greenaway era desconstruir e reconstruir em forma de drama uma das obras mais famosas de Rembrandt, Nachtwacht, ou Ronda Noturna. Pintado em 1642, a obra foi um projeto de encomenda de uma milícia formada por ricos mercadores de Amsterdam, mas terminou por representar um ponto de virada na vida do artista, que entrou em decadência financeira após este trabalho. Greenaway viu ali uma oportunidade para explorar o fascinante “Ronda Nortuna” em busca de indícios de uma conspiração.

Na instalação, que tive a oportunidade de conferir em Amsterdam em 2006, Greenaway utilizava recursos audiovisuais para promover um clima de paranóia e medo. O trabalho culminava num clímax grandioso, no qual o realizador transformava o próprio quadro numa tela de projeção, onde, utilizando-se de efeitos de luz e sonoplastia, era revelado um assassinato promovido pela milícia e “denunciado” por Rembrandt através da própria obra.

Já com estas idéias e conceitos visuais devidamente formatados, era natural que Greenaway se debruçasse em seguida no longa-metragem de ficção, recontando a história da tal conspiração e dos motivos que levam ao assassinato e à posterior decadência de Rembrandt (interpretado por Martin Freeman, que você conhece por papéis simpáticos em SIMPLESMENTE AMOR e O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS, e que em breve será Bilbo Bolseiro em O HOBBIT).

Alguns poderiam até chamar RONDA DA NOITE, o filme, como o CÓDIGO DA VINCI de Greenaway, e não estaria muito longe da verdade. O realizador mantém-se fiel à sua assinatura estética e narrativa (os belos enquadramentos e iluminação reproduzem de forma impressionante a luz e sombra dos quadros de Rembrandt), sem sacrificar uma certa acessibilidade que tal história permite. Faz assim seu filme mais palatável para o grande público.

O DVD bem cuidado tecnicamente peca apenas por não incluir como extra o documentário realizado e apresentado por Greenaway ainda sobre o tema, REMBRANDT'S J'ACCUSE...! (2008), presente na edição americana de RONDA DA NOITE.

RONDA DA NOITE
Nightwatching
, Holanda/Canadá/Reino Unido/França/Polônia, 2007
IDIOMA: Inglês 2.0, Português 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 2.39:1
Drama – 2h22 – Cor – Europa Filmes

Direção:
Peter Greenaway
Com
Martin Freeman, Emily Holmes, Jodhi May, Eva Birthistle, Toby Jones, Natalie Press
FILME:
***
DVD:
***

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MALDITO FUTEBOL CLUBE / MARADONA POR KUSTURICA

by Kas 25. June 2011 04:26

 

 

Aproveitando o início de  mais um Campeonato Brasileiro, que tal emendar nesse fim de semana um ótimo programa duplo de filmes abordando o esporte? Inéditos no cinema, o drama MALDITO FUTEBOL CLUBE e o documentário MARADONA POR KUSTURICA estão disponíveis nas lojas e locadoras. Tanto um quanto o outro se concentram mais nos bastidores do futebol do que no gramado, e retratam a arrogância e o talento que constroem e demolem ídolos.

Lançado simultaneamente em DVD e Blu-ray pela Sony, MALDITO FUTEBOL CLUBE é a cinebiografia do técnico mais polêmico e celebrado da história do futebol inglês, Brian Clough. Revelado no futebol de segunda divisão, Clough rapidamente escalou a tabela e assumiu o comando do maior time britânico dos anos 1970, o Leeds United. Foi quando começou sua derrocada, resultante principalmente de seu egocentrismo e teimosia, além da falta de tato com os dirigentes e a imprensa (qualquer semelhança com o ex-treinador de nossa seleção é mera coincidência).

Michael Sheen, um dos atores ingleses mais ocupados hoje em dia, encarna com brilhantismo o irascível Clough, e é secundado por talentos como Colm Meaney (como o arquiinimigo de Clough, o também técnico Don Revie), Jim Broadbent (como um cartola) e Timothy Spall (que faz o braço direito do protagonista). O roteiro, que desequilibra a estrutura convencional ao construir um clímax que foca mais numa vitória pessoal que profissional, é de Peter Morgan, indicado ao Oscar por A RAINHA e FROST/NIXON, ambos estrelados por Sheen. O filme ganha ainda interesse extra por ser dirigido por Tom Hooper, oscarizado este ano por O DISCURSO DO REI. Aqui, o diretor inglês já mostra sua predileção por enquadramentos estranhos e assimétricos.

MARADONA POR KUSTURICA, como o título indica, é um retrato muito pessoal do goleador, cuja vida repleta de altos e baixos parece realmente coisa de filme. O diretor sérvio Emir Kusturica (vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1995 pelo delirante UNDERGROUND – MENTIRAS DE GUERRA) não esconde sua identificação com o jogador. Logo na cena inicial, Kusturica é apresentado como “o Maradona do cinema”, e diversas vezes o cineasta afirma que Maradona compartilha várias características com personagens de filmes seus (cujas cenas são exibidas ao longo do documentário), algo que, no limite, o jogador acaba se tornando.

Essa idolatria declarada não cega Kusturica para as contradições de seu ídolo. Maradona, que colaborou ativamente com a produção do filme, pode ser tanto uma figura genial quanto patética, às vezes na mesma cena (a tal Igreja Maradoniana como exemplo do ridículo que pode chegar a idolatria). Kusturica tem clara simpatia por seu posicionamento político: a partir de imagens do chamado “gol do século” contra a Inglaterra, o cineasta cria uma animação com recortes a la Terry Gilliam para mostrar Maradona driblando e ridicularizando Thatcher, Reagan, Blair, Bush Jr. e outros representantes do que o jogador e atual treinador da seleção argentina considera o imperialismo ianque. Com tatuagens de Che Guevara e Fidel Castro, Maradona se posiciona como um bastião da resistência da América Latina e mesmo da Europa, quando relembra seus tempos de jogador do Nápoles.

No momento mais emocionante do filme, ele canta sua passagem de ida e volta ao inferno das drogas enquanto imagens caseiras de seu casamento e de suas filhas são exibidas. Mas como um anjo de pés de barro, Maradona caiu em desgraça, mas levanta vôo em seguida, e é esta admiração pelo homem que quer ser (ou acredita ser) Deus que Kusturica compartilha com o espectador.

Extras

Maradona pode ter poupado a humanidade ao não aparecer pelado na final da última Copa, mas o DVD de MARADONA POR KUSTURICA não teve o mesmo respeito. Descontando uma versão em MP4, nem um extra foi incluído na edição. Já MALDITO FUTEBOL CLUBE (tradução ruim, ainda que fiel, de THE DAMNED UNITED) conta com uma boa coleção de extras. O protagonista Sheen se junta ao diretor Hooper e ao produtor Andy Harries numa ótima faixa de comentários em áudio, onde discutem com sinceridade e inteligência vários tópicos relacionados ao tema e à produção. Cloughisms consiste em quatro das “entrevistas” com o personagem vistas durante o filme, acompanhadas de comentários opcionais do diretor. Tom Perfeito: Os Bastidores de MALDITO FUTEBOL CLUBE é um making of tradicional. Curto (dura pouco mais de 16 minutos), este aborda a adaptação do livro e a filmagem em si. Criando Clough: Michael Sheen Assume “Old Big Ead” (10min) fala sobre o processo de criação do personagem, a partir da pesquisa sobre o verdadeiro Brian Clough, que é o tema central de Relembrando Brian (9min), com vários depoimentos sobre o técnico. O melhor extra para os fãs de futebol é Um Jogo em Transformação: Futebol nos Anos 1970 (19min), com entrevistas e imagens de arquivo recriando as mudanças sofridas pelo futebol inglês no período. Todos os extras são legendados em português.

MALDITO FUTEBOL CLUBE (BLU-RAY)
The Damned United
, Inglaterra, 2009
IDIOMA: Inglês Dolby TrueHD 5.1, Português Dolby TrueHD 5.1, Espanhol 5.1, Francês Dolby True HD 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Francês
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.85:1 1080p
Drama – 1h38 – Cor – Sony

Direção:
Tom Hooper
Com
Michael Sheen, Timothy Spall, Colm Meaney, Jim Broadbent
FILME:
***
IMAGEM:
*****
ÁUDIO:
*****
EXTRAS:
****

MARADONA POR KUSTURICA (DVD)
Maradona by Kusturica
, Espanha/França, 2008
IDIOMA: Inglês/Espanhol 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 1.78:1
Documentário – 1h33 – Cor – Europa Filmes

Direção:
Emir Kusturica
FILME:
***
DVD:
***

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