SHERLOCK: 1ª TEMPORADA

by Kas 16. March 2012 08:57

Presença constante no livro Guinness de recordes como o personagem mais retratado no cinema e na TV, o detetive Sherlock Holmes foi interpretado por cerca de 80 atores ao longo dos últimos 111 anos (sua primeira aparição nas telas foi em SHERLOCK HOLMES BAFFLED, em 1900). Uma das razões para tal popularidade está no fato de que hoje em dia tanto o personagem quanto suas aventuras, criadas por Arthur Conan Doyle, já se encontram em domínio público. Mas é inegável que o charme do maior detetive do mundo, criado por Conan Doyle em 1887, continua intacto. Haja visto seu sucesso recente no cinema, com os dois longas dirigidos por Guy Ritchie e estrelados por Robert Downey, Jr..

Mas a melhor adaptação recente de Holmes para a tela (no caso, a telinha) é a série da BBC SHERLOCK, criada por Steven Moffat (que recentemente revitalizou outro bastião da TV inglesa, DR. WHO, e co-escreveu o roteiro de AS AVENTURAS DE TINTIM para Spielberg e Peter Jackson) e Mark Gatiss (também colaborador de séries britânicas como DR. WHO, POIROT e A LIGA DOS CAVALHEIROS). A Log On disponibilizou no Brasil em Blu-ray e DVD a primeira temporada da série, que compreende três aventuras em longa-metragem (na Inglaterra este formato é bem comum, ao contrário dos EUA, que optam por um número maior de episódios de cerca de 45 minutos).

O gancho de Moffat e Gatiss (que também atua na série, no papel de irmão de Holmes, Mycroft) é simples: situar as aventuras do detetive na Londres contemporânea. Segundo os criadores explicam no making of que acompanha a edição, a idéia é passar para o público a mesma sensação que os leitores da época original de publicação sentiam: a de que aquilo estava ocorrendo naquele momento.

Esta iniciativa não é particularmente nova. Nos anos 1940, SHRLOCK HOLMES CONTRA A ARMA SECRETA já colocava o detetive (vivido por Basil Rathbone, o intérprete mais tradicional do personagem) contra os nazistas. Mas, a despeito desta liberdade artística, SHERLOCK é das adaptações mais fiéis do personagem, tanto para cinema quanto para TV. Os realizadores se atentaram até mesmo aos pormenores da criação de Conan Doyle, como o vício em drogas de Holmes e o fato do Dr. Watson ser um veterano de guerra do Afeganistão (Kandahar, no original). Para os fãs, são delícias à parte estas referências espalhadas tanto nos diálogos quanto na própria direção de arte.

Com intérpretes como Rathbone, Downey Jr, John Barrymore, Michael Caine, Charlton Heston, Christopher Plummer e Peter Cushing ajudando a moldar a persona fílmica do herói, não é tarefa fácil incorporar os trejeitos clássicos de Holmes e ao mesmo tempo introduzir um elemento único e marcante. Mas é uma tarefa que Benedict Cumberbatch tira de letra. Com papéis pequenos em produções como CAVALO DE GUERRA e O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS, Cumberbatch tem em Holmes o papel de sua vida, e está realmente maravilhoso compondo um investigador genial, arrogante, misógino e literalmente viciado no processo investigativo. No que é perfeitamente escudado pelo igualmente talentoso Martin Freeman (de O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS e que em breve estrelará O HOBBIT para Peter Jackson) como Dr. Watson. A química entre os dois é orgânica e o contraste entre personalidades tão distintas quanto complementares é responsável por grande parte do humor da série.

Que, aliás, equilibra muito bem os elementos de mistério, ação e comédia. As soluções visuais para as deduções de Holmes (que são mais criativas e eficientes que as que Guy Ritchie pratica nos seus longas do herói) permitem com que o espectador compartilhe do processo investigativo do protagonista, tornando cada um dos mistérios da série um jogo delicioso de “quem é o culpado”. 

SHERLOCK
Reino Unido, 2010
IDIOMA: Inglês 5.1 
LEGENDAS: Português, Inglês 
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.78:1 1080i
Mistério policial / Aventura / Comédia – 270min – Cor – Log On
Criação: Steven Moffat e Mark Gatiss
Com Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Uma Stubbs, Loo Brealey, Rupert Graves, Mark Gatiss, Zoe Telford, Andrew Scott
FILME: ****
IMAGEM: ****
ÁUDIO: ***
EXTRAS: ***

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

ONDINE

by Kas 25. December 2011 09:06

Ao contar, em A DAMA NA ÁGUA (2006), a história de uma ninfa aquática que surge na piscina de um condomínio, o diretor e roteirista M. Night Shyamalan defende o poder transformador da palavra, mas acaba por se ver dependendo demasiadamente da mesma. Por muitas vezes, seus personagens narram a história em vez de vivê-la.

Pois o cineasta irlandês Neil Jordan não comete o mesmo pecado em ONDINE, lançado em DVD e Blu-ray no Brasil pela Imagem Filmes. Jordan entende que a maior força de sua história de amor com toques míticos está na simplicidade da exposição e na atmosfera palpável captada por sua câmera. É exatamente quando começa a duvidar do potencial de suas opções narrativas que o filme perde parte de sua força, como no clímax excessivamente mastigado, que anula muitas das nuances e da ambigüidade da trama.

Colin Farrell faz o pescador Syracuse, apelidado de Circo pela população de uma pequena cidade da costa da Irlanda graças ao seu passado, quando vivia como um palhaço entregue à bebida. Numa manhã, Syracuse literalmente “pesca” em sua rede uma bela moça chamada Ondine (a polonesa nascida no México Alicja Bachleda), “a que veio do mar”, a quem acolhe em sua cabana, sem questionar sua origem ou o motivo pelo qual esta deseja não ser vista por mais ninguém. Annie (Alison Barry), a filha do protagonista que aguarda um transplante de rim, suspeita que Ondine é na verdade uma selkie, criatura da mitologia céltica que se transforma em humana após abandonar sua pele de foca.

Tal como Shyamalan, Jordan dá pouca atenção ao aspecto fantástico de sua história e enfatiza a relação que se estabelece entre aquela que veio do mar e o herói, um sujeito de bom coração falido emocionalmente, que procura se reerguer após traumas do passado. Como acontece nos contos de fada e nas jornadas mitológicas, os demais personagens servem mais como ferramentas narrativas do que como pessoas de carne e osso.

Em ONDINE, a estrutura de conto de fadas é explicitada nos próprios diálogos, mas não a ponto de eclipsar a narrativa, como acontece em A DAMA NA ÁGUA. É um toque de refinamento de Neil Jordan, acostumado a narrativas fabulares em filmes como A COMPANHIA DOS LOBOS (no qual criava uma versão psicanalítica de Chapeuzinho Vermelho), TRAÍDOS PELO DESEJO, ENTREVISTA COM O VAMPIRO e CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO.

Curiosamente, Shyamalan e Jordan contaram com a contribuição essencial do excelente diretor de fotografia Christopher Doyle, responsável pelo visual suntuoso dos filmes de Wong Kar-Wai (AMOR À FLOR DA PELE, AMORES EXPRESSOS) e Zhang Yimou (HERÓI). Tanto em A DAMA NA ÁGUA quanto em ONDINE, Doyle optou por texturas e cores discretas, que interferem minimamente na ambientação. Seu trabalho em ONDINE é ainda mais impressionante, fazendo uso criativo de câmera na mão e diferentes bitolas, de forma a dar conta da multiplicidade de pontos de vista, e captar a poesia crua das locações na Irlanda.

Estas opções visuais estão perfeitamente preservadas na edição em Blu-ray, que traz imagem e áudio de excepcional qualidade. Porém, nenhum extra foi incluído na edição.

ONDINE
Irlanda/EUA, 2009
IDIOMA: Inglês DTS-HD MA 5.1, Português DTS-HD MA 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.78:1 1080p
Romance – 1h43 – Cor – Imagem Filmes
Direção: Neil Jordan
Com Colin Farrell, Alicja Bachleda, Stephen Rea, Dervla Kirwan, Alison Barry
FILME: ***
IMAGEM: *****
ÁUDIO: ****
EXTRAS: não tem

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

O CISNE NEGRO / O ESCUDO NEGRO DE FALWORTH

by Kas 25. December 2011 08:57

O Gabinete sempre incentivou o lançamento de títulos ditos clássicos, tanto em DVD quanto em Blu-ray. Paradoxalmente, é sempre revigorante quando as distribuidoras saem de seu usual regime de blockbusters do momento e investem num cardápio menos imediatista. São poucas as empresas que se sustentam apenas com títulos de outrora, mas nem por isso fora de moda. Uma delas é a Classicline, que se especializou em clássicos hollywoodianos, mas que também tem sua cota de produções francesas, espanholas e italianas dos anos 1950 e 60.

Recentemente, a Classicline anunciou que começaria a lançar títulos em Blu-ray, algo que encheu de alegria os colecionadores e cinéfilos que buscam no formato a experiência mais próxima possível daquela vivida na época do lançamento. Pois os primeiros lançamentos do formato de alta definição da distribuidora chegaram às lojas, e as notícias são boas e ruins.

Começando pelas boas. Ambos os títulos escolhidos para inaugurar o catálogo em Blu-ray são boas aventuras escapistas de capa e espada, filmadas em esplendoroso Technicolor. O CISNE NEGRO, lançado em meio à 2ª Guerra, não deve ser confundido com o filme homônimo com Natalie Portman. A aventura fala sobre piratas do Caribe que fazem acordo com a Coroa Britânica e passam a perseguir um ex-colega (George Sanders, indo contra seu tipo habitual) que ainda aterroriza os mares da região, comandando o navio Cisne Negro. Entre os “traidores” da pirataria está o bronco corsário Jamie Waring (Tyrone Power, que se diverte indo contra seus modos finos e elegantes). Encarregado de impedir os saques da tripulação do Cisne Negro, Waring nem por isso deixa de aprontar das suas, como seqüestrar a filha de um nobre inglês (Maureen O’Hara), por quem se enamorou.

O ESCUDO NEGRO DE FALWORTH reúne o então casal Tony Curtis e Janet Leigh (que trabalharam juntos também em HOUDINI, O HOMEM MIRACULOSO e VIKINGS – OS CONQUISTADORES). Curtis faz um camponês de passado misterioso, que vira escudeiro de um nobre e que acaba se apaixonando pela filha deste (Leigh). Quando seu passado vem a tona, acaba por revelar uma conspiração contra o Rei. Foi o primeiro filme da Universal em Cinemascope, e o diretor (e ex-fotógrafo) Rudolph Maté faz bom uso da tela larga de forma a capturar com mais realismo o climático combate de lança. A cópia em alta definição está excelente, e, apesar de não conter extras, vem com um bom mimo para os colecionadores: tanto este quanto O CISNE NEGRO contém cartões na parte interna reproduzindo os charmosos pôsteres originais de cinema.

É aí que entra a notícia ruim. Ao contrário do que se poderia esperar de um filme em Blu-ray, O CISNE NEGRO não é apresentado em alta definição e sim na definição padrão do DVD. Ou seja, a única diferença do DVD para o Blu-ray está na taxa de compressão mais generosa permitida pela maior capacidade deste último. De resto, trata-se do mesmo produto, o que vai contra a própria proposta do formato. Não que a cópia esteja ruim, pelo contrário. Se considerarmos apenas o DVD, está em ótimo estado. Mas em alta definição deveria apresentar uma qualidade muito superior, que honrasse mais a fotografia estilizada, premiada com o Oscar, com cores mais fiéis e melhor nível de detalhes. E nem é o caso do espaço extra ter sido preenchido com muitos extras, já que O CISNE NEGRO inclui apenas comentários em áudio (não legendados) de Maureen O’Hara e do historiador de cinema Rudy Behlmer, e um especial sobre a restauração. Bola fora da distribuidora. Agora é esperar para ver como será o outro título em Blu-ray prometido pela Classicline para este mês – a comédia romântica QUANDO SETEMBRO VIER, com Rock Hudson e Gina Lollobrigida.

O CISNE NEGRO
The Black Swan, EUA, 1942
IDIOMA: Inglês 2.0, Português 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Full Frame 1.33:1 480p
Aventura / Capa e Espada – 1h24 – Cor – Fox/Classicline
Direção: Henry King
Com Tyrone Power, Maureen O’Hara, George Sanders, Thomas Mitchell, Laird Cregar, Anthony Quinn, George Zucco
FILME: ***
IMAGEM: **
ÁUDIO: ***
EXTRAS: **

O ESCUDO NEGRO DE FALWORTH
The Black Shield of Falworth, EUA, 1954
IDIOMA: Inglês 2.0, Inglês 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Widescreen 2.37:1 1080p
Aventura / Capa e Espada – 1h39 – Cor – Universal/Classicline
Direção: Rudolph Maté
Com Tony Curtis, Janet Leigh, David Farrar, Barbara Rush, Herbert Marshall, Torin Thatcher
FILME: ***
IMAGEM: ****
ÁUDIO: ***
EXTRAS: não tem

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

O BURACO

by Kas 25. December 2011 08:40

Após amargar fracassos de bilheteria e sobreviver dirigindo para a TV (incluindo elogiado telefilme para série MESTRES DO HORROR) e para parques temáticos, Joe Dante volta ao cinema com essa aventura de horror para o público infanto-juvenil que foi lançada em 3D nos cinemas europeus e que continua inédita nos EUA.

De fato, toda a concepção visual parece pensada para os efeitos da tridimensionalidade, algo que Dante domina tanto quanto a arte de arrepiar a nuca da criançada, algo que fez com sucesso em seu GREMLINS (1984).

Aqui, dois irmãos e a bela vizinha descobrem no porão de sua casa, um buraco que parece não ter fim, de onde sai misteriosas presenças sobrenaturais. Lembra um pouco a trama do cult O PORTÃO (1987) de Tibor Takács, mas tem charme e talento próprios, além de ser um bem vindo refresco nestes tempos em que os filmes infanto-juvenis estão cada vez mais caretas e “seguros”.

O BURACO
The Hole, EUA, 2009
IDIOMA: Inglês DTS-HD MA 5.1, Português PCM 2.0, Inglês PCM 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.78:1 1080p
Horror infanto-juvenil – 1h32 – Cor – Imagem Filmes
Direção: Joe Dante
Com Chris Massoglia, Haley Bennett, Nathan Gamble, Teri Polo, Bruce Dern, Quinn Lord, John DeSantis
FILME: ***
IMAGEM: ****
ÁUDIO: ****
EXTRAS: não tem

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

SOLOMON KANE - O CAÇADOR DE DEMÔNIOS

by Kas 25. December 2011 08:23

Divertida adaptação de personagem saído da imaginação do escritor Robert E. Howard, também criador de Conan, o bárbaro.

Como nas histórias do cimério, temos aqui um anti-herói de grande vigor físico em meio a um mundo de extrema violência e cercado de forças sobrenaturais. A diferença entre o lascivo Conan e Solomon Kane está no fato deste último ser um puritano e viver numa Europa do século XVII na qual bruxaria e demônios são parte do cotidiano.

James Purefoy, o Marco Antônio da extinta série de TV ROMA, faz o protagonista, que tem como missão salvar uma garota seqüestrada por um feiticeiro. O diretor Michael J. Bassett já mostrara sinais de talento com seu filme de estréia, GUERREIROS DO INFERNO, que misturava horror e guerra.

Apesar de não ter extras, a edição em Blu-ray peca mesmo é por alterar o formato de tela original de 2.39:1 para 1.78:1, de modo a ocupar toda a área de sua TV widescreen. O áudio, por outro lado, é excelente.

SOLOMON KANE – O CAÇADOR DE DEMÔNIOS
Solomon Kane, Reino Unido/República Tcheca/França, 2009
IDIOMA: Inglês DTS-HD MA 5.1, Português 5.1, Português 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.78:1 1080p
Ação / Horror – 1h44 – Cor – Paris Filmes
Direção: Michael J. Bassett
Com James Purefoy, Rachel Hurd-Wood, Pete Postlethwaite, Alice Krige, Samuel Roukin, Max Von Sydow, Mark O’Neal
FILME: ***
IMAGEM: ***
ÁUDIO: *****
EXTRAS: não tem

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

INTERMEDIÁRIO.COM

by Kas 3. September 2011 04:29

Os créditos de INTERMEDIÁRIO.COM anunciam com todas as letras que, apesar da trama ser “inspirada” em eventos reais, todos os personagens e ações são produtos da imaginação dos realizadores. Aviso desnecessário, por sinal, já que, pelas próprias escolhas narrativas, o filme é claramente fruto da linha de montagem hollywoodiana.

De cara, o filme se anuncia como um grande flashback, começando logo por uma cena que já denuncia sua influência (neo-)noir: Jack Harris (Luke Wilson, o irmão mais sério de Owen Wilson) está prestes a entregar uma fortuna em dinheiro para a Máfia Russa, correndo o risco de deixar com eles também a própria vida. A partir daí, a trama recua no tempo, meados dos anos 1990, mostrando como Harris, um sujeito pacato e bem casado, foi se envolver com uma dupla de idiotas viciados, mas que tem uma idéia genial: a de desenvolver um sistema de transação comercial pela então incipiente internet, com o intuito de comercializar pornografia.

Logo, Harris e seus dois “sócios” (vividos por Giovanni Ribisi, o burocrata vilão de AVATAR, e Gabriel Macht, que fez THE SPIRIT no cinema) estarão ricos e badalados, e também paranóicos e corrompidos. E cada vez mais emaranhados com criminosos, entre eles o advogado picareta vivido por James Caan, e com o FBI. Como apontou O TESOURO DE SIERRA MADRE, a ganância desmedida faz com que o ouro acabe por se escorrer pelos dedos e desaparecer no vento. O que restaria então para os heróis?

Anti-heróis seria a definição mais precisa. Ninguém presta e ninguém é confiável. Até mesmo o narrador Harris, que se pinta inicialmente como baluarte da integridade, acaba por cair nas tentações do sexo e do dinheiro. Os personagens que o cercam são ainda mais previsíveis e rasos, com exceção, talvez, da atriz pornô (Laura Ramsey, que fez pontas em UM LUGAR QUALQUER de Sofia Coppola, e na série MAD MEN) com quem Harris se envolve, e que mostra por trás de sua atitude blasé algumas camadas a mais de interesse. 

Mas o pecado maior de “Intermediário.com” é exatamente a falta de ambição. Não tem a envergadura épica de um BOOGIE NIGHTS, a crônica de Paul Thomas Anderson sobre o ápice a decadência da indústria pornô nos anos 1970. Nem a urgência de A REDE SOCIAL, que utiliza a era da internet como pano de fundo para expor a solidão e a falta de limites morais.

Ao contrário destes exemplares vitais do cinema contemporâneo, INTERMEDIÁRIO.COM se contenta em ser apenas um filme de “golpe”, algo atestado pela reviravolta final. Se alinha mais confortavelmente ao lado de filmes de Guy Ritchie (JOGOS, TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES), Matthew Vaughn (NEM TUDO É O QUE PARECE) e Steven Soderbergh (ONZE HOMENS E UM SEGREDO e suas duas continuações). O diretor Gallo, que já embarcara nesse subgênero de “crime e humor negro” com seu ENCURRALADOS NO PARAÍSO (com Nicolas Cage),  infelizmente se contenta em apenas entreter, e esta opção pela modéstia diminui a relevância de seu trabalho.

Edição em Blu-ray tecnicamente competente, com cores fortes e áudio robusto. Inclui como extras uma ótima faixa de comentários em áudio (infelizmente, sem legendas) do diretor, acompanhado do montador Malcolm Campbell e do diretor de fotografia Lukas Ettlin; cenas excluídas, erros de gravação e uma montagem das (várias) cenas de tapas vistas no filme.
 

INTERMEDIÁRIO.COM
Middle Men, EUA, 2009
IDIOMA: Inglês DTS-HD MA 5.1
LEGENDAS: Português, Espanhol, Inglês, Francês
FORMATO DE TELA: Widescreen 2.39:1 1080p
Drama de crime – 1h52 – Cor – Paramount

Direção: George Gallo
Com Luke Wilson, Giovanni Ribisi, Gabriel Macht, Jacinda Barrett, Laura Ramsey, Terry Crews, Rade Sherbedgia, Kevin Pollak, James Caan
FILME: **
IMAGEM: ****
ÁUDIO: ****
EXTRAS:
***

Currently rated 5.0 by 1 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

MALDITO FUTEBOL CLUBE / MARADONA POR KUSTURICA

by Kas 25. June 2011 04:26

 

 

Aproveitando o início de  mais um Campeonato Brasileiro, que tal emendar nesse fim de semana um ótimo programa duplo de filmes abordando o esporte? Inéditos no cinema, o drama MALDITO FUTEBOL CLUBE e o documentário MARADONA POR KUSTURICA estão disponíveis nas lojas e locadoras. Tanto um quanto o outro se concentram mais nos bastidores do futebol do que no gramado, e retratam a arrogância e o talento que constroem e demolem ídolos.

Lançado simultaneamente em DVD e Blu-ray pela Sony, MALDITO FUTEBOL CLUBE é a cinebiografia do técnico mais polêmico e celebrado da história do futebol inglês, Brian Clough. Revelado no futebol de segunda divisão, Clough rapidamente escalou a tabela e assumiu o comando do maior time britânico dos anos 1970, o Leeds United. Foi quando começou sua derrocada, resultante principalmente de seu egocentrismo e teimosia, além da falta de tato com os dirigentes e a imprensa (qualquer semelhança com o ex-treinador de nossa seleção é mera coincidência).

Michael Sheen, um dos atores ingleses mais ocupados hoje em dia, encarna com brilhantismo o irascível Clough, e é secundado por talentos como Colm Meaney (como o arquiinimigo de Clough, o também técnico Don Revie), Jim Broadbent (como um cartola) e Timothy Spall (que faz o braço direito do protagonista). O roteiro, que desequilibra a estrutura convencional ao construir um clímax que foca mais numa vitória pessoal que profissional, é de Peter Morgan, indicado ao Oscar por A RAINHA e FROST/NIXON, ambos estrelados por Sheen. O filme ganha ainda interesse extra por ser dirigido por Tom Hooper, oscarizado este ano por O DISCURSO DO REI. Aqui, o diretor inglês já mostra sua predileção por enquadramentos estranhos e assimétricos.

MARADONA POR KUSTURICA, como o título indica, é um retrato muito pessoal do goleador, cuja vida repleta de altos e baixos parece realmente coisa de filme. O diretor sérvio Emir Kusturica (vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1995 pelo delirante UNDERGROUND – MENTIRAS DE GUERRA) não esconde sua identificação com o jogador. Logo na cena inicial, Kusturica é apresentado como “o Maradona do cinema”, e diversas vezes o cineasta afirma que Maradona compartilha várias características com personagens de filmes seus (cujas cenas são exibidas ao longo do documentário), algo que, no limite, o jogador acaba se tornando.

Essa idolatria declarada não cega Kusturica para as contradições de seu ídolo. Maradona, que colaborou ativamente com a produção do filme, pode ser tanto uma figura genial quanto patética, às vezes na mesma cena (a tal Igreja Maradoniana como exemplo do ridículo que pode chegar a idolatria). Kusturica tem clara simpatia por seu posicionamento político: a partir de imagens do chamado “gol do século” contra a Inglaterra, o cineasta cria uma animação com recortes a la Terry Gilliam para mostrar Maradona driblando e ridicularizando Thatcher, Reagan, Blair, Bush Jr. e outros representantes do que o jogador e atual treinador da seleção argentina considera o imperialismo ianque. Com tatuagens de Che Guevara e Fidel Castro, Maradona se posiciona como um bastião da resistência da América Latina e mesmo da Europa, quando relembra seus tempos de jogador do Nápoles.

No momento mais emocionante do filme, ele canta sua passagem de ida e volta ao inferno das drogas enquanto imagens caseiras de seu casamento e de suas filhas são exibidas. Mas como um anjo de pés de barro, Maradona caiu em desgraça, mas levanta vôo em seguida, e é esta admiração pelo homem que quer ser (ou acredita ser) Deus que Kusturica compartilha com o espectador.

Extras

Maradona pode ter poupado a humanidade ao não aparecer pelado na final da última Copa, mas o DVD de MARADONA POR KUSTURICA não teve o mesmo respeito. Descontando uma versão em MP4, nem um extra foi incluído na edição. Já MALDITO FUTEBOL CLUBE (tradução ruim, ainda que fiel, de THE DAMNED UNITED) conta com uma boa coleção de extras. O protagonista Sheen se junta ao diretor Hooper e ao produtor Andy Harries numa ótima faixa de comentários em áudio, onde discutem com sinceridade e inteligência vários tópicos relacionados ao tema e à produção. Cloughisms consiste em quatro das “entrevistas” com o personagem vistas durante o filme, acompanhadas de comentários opcionais do diretor. Tom Perfeito: Os Bastidores de MALDITO FUTEBOL CLUBE é um making of tradicional. Curto (dura pouco mais de 16 minutos), este aborda a adaptação do livro e a filmagem em si. Criando Clough: Michael Sheen Assume “Old Big Ead” (10min) fala sobre o processo de criação do personagem, a partir da pesquisa sobre o verdadeiro Brian Clough, que é o tema central de Relembrando Brian (9min), com vários depoimentos sobre o técnico. O melhor extra para os fãs de futebol é Um Jogo em Transformação: Futebol nos Anos 1970 (19min), com entrevistas e imagens de arquivo recriando as mudanças sofridas pelo futebol inglês no período. Todos os extras são legendados em português.

MALDITO FUTEBOL CLUBE (BLU-RAY)
The Damned United
, Inglaterra, 2009
IDIOMA: Inglês Dolby TrueHD 5.1, Português Dolby TrueHD 5.1, Espanhol 5.1, Francês Dolby True HD 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Francês
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.85:1 1080p
Drama – 1h38 – Cor – Sony

Direção:
Tom Hooper
Com
Michael Sheen, Timothy Spall, Colm Meaney, Jim Broadbent
FILME:
***
IMAGEM:
*****
ÁUDIO:
*****
EXTRAS:
****

MARADONA POR KUSTURICA (DVD)
Maradona by Kusturica
, Espanha/França, 2008
IDIOMA: Inglês/Espanhol 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 1.78:1
Documentário – 1h33 – Cor – Europa Filmes

Direção:
Emir Kusturica
FILME:
***
DVD:
***

Currently rated 5.0 by 1 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas | DVD - Resenhas

GUERRA DOS MUNDOS

by Kas 13. May 2011 06:27

Vindo do sujeito que abriu os braços e o sorriso para os visitantes espaciais em CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU e E.T. – O EXTRATERRESTRE, GUERRA DOS MUNDOS parece uma mudança radical. Mas se considerarmos a produção recente de Steven Spielberg, até que esta nova adaptação do romance de H.G. Wells não fica tão deslocada.

Spielberg tem pelo menos duas fases distintas em sua carreira. A que o tornou mundialmente famoso e celebrado, e encantou cinéfilos de todas as idades com as aventuras de Indiana Jones, TUBARÃO, E.T. e A COR PÚRPURA, fantasias cinematográficas filtradas pelo mais infantil (no bom sentido) dos olhares; e a que se seguiu, sem a mesma inocência e deslumbramento pelo que via no mundo. Antes, existia o Spielberg criança; hoje, temos o adulto, o pai de família. Sua visão de cinema mudou de acordo.

GUERRA DOS MUNDOS é reflexo desta segunda fase. Permanece a família em frangalhos, que Spielberg sempre tentou reconciliar ao longo de sua filmografia. Mas as soluções não parecem mais tão fáceis e o milagre não vem mais do espaço. De lá agora vem o horror, o inesperado que leva vidas e que espalha o caos. GUERRA DOS MUNDOS reflete a insegurança pós 11 de setembro, onde o heroísmo não tem mais espaço. O que importa é a sobrevivência a todo custo.

E Spielberg é rigoroso na jornada de Ray Ferrier (Tom Cruise) e seus dois filhos em busca de salvarem a si mesmos de uma invasão alienígena, que traz o genocídio e desperta o pior no ser humano. Não é uma aventura escapista fácil de ser digerida, algo que Spielberg fazia muito bem.

A estrutura do roteiro é inusitada. A maior parte das cenas bombásticas, como o espetacular plano-sequência que acompanha a fuga de Cruise e filhos num carro, acontece nos dois primeiros terços da narrativa. Na parte final, o filme assume tintas mais sombrias. O pessimismo atinge o auge na sequência passada no porão da casa de um homem paranóico e suicida (Tim Robbins), que leva o personagem de Cruise a cometer o maior dos pecados de forma a garantir a sobrevivência de sua filha.

O muito discutido clímax foi tirado diretamente do romance de H.G. Wells. Nada de presidentes comandando ataque aos alienígenas ou outra solução espetaculosa. A salvação da humanidade vem da própria constatação de sua impotência. É significativo que um autor ateu e marxista como Wells aponte Deus como a única saída do ser humano.

O Blu-ray

Prepare seu equipamento de som. GUERRA DOS MUNDOS tem uma das faixas de áudio mais agressivas e espetaculares já disponibilizadas no formato. Apesar dos graves profundos que causam o uso freqüente do subwoofer, a mixagem de som mantém sempre a clareza e a fidelidade. A perturbadora trilha musical de John Williams se integra com precisão aos muitos efeitos sonoros, compondo uma ambientação assustadora e bastante plausível para as situações limites mostradas na tela. Também visualmente o Blu-ray impressiona. O diretor de fotografia Janusz Kaminski, que desde A LISTA DE SCHINDLER é parceiro fiel de Spielberg, gosta de trabalhar com contraste acentuado e luz estourada, além de explorar a granulação de forma a dar um aspecto realista aos eventos espetaculares. Tudo isso é reproduzido fielmente nesta edição.

Os extras, por sua vez, são os mesmos da edição dupla em DVD. Com exceção do trailer, que é apresentado em HD, todos os demais extras são em definição padrão. Spielberg não é fã de comentários em áudio, mas abre o verbo no making of, realizado dividido em 12 partes. O cineasta fala sobre o filme original, o romance de Wells, sobre a nova parceria com Cruise após MINORITY REPORT, sobre os efeitos e demais conceitos visuais e sobre a atualidade do tema. No todo, é um making of bem completo e detalhado, e devidamente legendado em português.

GUERRA DOS MUNDOS
War of the Worlds, EUA, 2005
IDIOMA: Inglês DTS-HD MA 5.1, Português 5.1, Espanhol 5.1, Francês 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Francês
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.85:1 1080p
Ficção científica / Ação / Drama – 1h56 – Cor – Paramount

Direção: Steven Spielberg
Com Tom Cruise, Dakota Fanning, Justin Chatwin, Tim Robbins, Miranda Otto, Rick Gonzalez
FILME: ****
IMAGEM: *****
ÁUDIO:
*****
EXTRAS:
****

Currently rated 4.5 by 8 people

  • Currently 4.5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

COLATERAL

by Kas 2. May 2011 04:50

Depois do sucesso de CIDADE DE DEUS, Fernando Meirelles foi convidado para dirigir vários projetos hollywoodianos, entre eles o de COLATERAL. Meirelles conta que gostou do roteiro, mas não achou que pudesse acrescentar algo ao projeto e por isso o recusou. Algum tempo depois, o brasileiro foi conferir o filme pronto, que acabou nas mãos de Michael Mann. Ficou admirado com o que viu.

COLATERAL, que a Paramount lançou em Blu-ray no Brasil, mostra o embate entre um pacato motorista de táxi de Los Angeles (Jamie Foxx) e seu passageiro que se revela um assassino profissional (Tom Cruise). Vincent, o assassino, tem a missão de executar cinco indivíduos numa única noite, todos eles ligados ao julgamento de um mafioso latino (Javier Bardem). Utiliza, para isso, e contra a vontade deste, da eficiência do taxista Max, que conhece os melhores trajetos.

São ambos personagens típicos do universo de Mann, um diretor veterano, vindo da TV. Conhecido como um sujeito linha dura, exigente, mas profissional, Mann destacou-se no final dos anos 1980 com o seriado MIAMI VICE, que conquistou grande audiência e terminou por eclipsar os trabalhos anteriores do diretor na TV e no cinema, como o suspense CAÇADOR DE ASSASSINOS (1986), que marcou a primeira aparição no cinema do canibal Hannibal Lecter, aqui interpretado por Brian Cox, anos antes de Anthony Hopkins tomar conta do personagem.

Mas foi MIAMI VICE que colocou o diretor no mapa, e que o permitiu retornar ao cinema, desta vez no primeiro time. É um cineasta que admira os profissionais, aqueles que colocam o trabalho acima de tudo, inclusive dos interesses pessoais, sem deixar de considerar as implicações morais destas escolhas. Toda sua obra circula em torno destes indivíduos e dos conflitos físicos e morais que se instauram quando estes interesses profissionais divergem uns dos outros ou são comprometidos por motivos alheios à missão.

Em filmes como A FORTALEZA INFERNAL (1983), O ÚLTIMO DOS MOICANOS (1992), FOGO CONTRA FOGO (1995), O INFORMANTE (1999), INIMIGOS PÚBLICOS (2009) e a versão cinematográfica de MIAMI VICE (2006), esses conflitos adquirem dimensão mítica, acentuada pela obsessão estética do cineasta. Em COLATERAL, Mann encontrou na captação digital de imagens o instrumento perfeito para experimentar com as cores e a textura, atingindo uma atmosfera de hiper-realismo absoluto, que não se quebra nem quando o cineasta insere signos visuais destoantes, como os lobos que atravessam uma avenida em frente ao carro de Max e Vincent. De lá pra cá, Mann abraçou de vez as câmeras digitais, com maior (MIAMI VICE) ou menor sucesso (INIMIGOS PÚBLICOS). Mas, independente do suporte ou do gênero escolhido, permanece um esteta único, que abraça o ato de filmar com o vigor e o profissionalismo dignos de seus personagens.

Também tecnicamente, o Blu-ray de COLATERAL é trabalho de profissional, mantendo o excelente padrão dos filmes de Mann no formato, com imagem e áudio impecáveis. A edição conta ainda com os mesmos extras do DVD duplo lançado previamente, o que não é um problema, já que estes são de excelente qualidade. Todos são apresentados em definição padrão, com exceção do trailer, que ganha versão em HD. A faixa de comentários em áudio de Michael Mann é o principal extra, com o diretor discutindo tópicos diversos como o que o atraiu ao roteiro, as diferenças deste para a versão filmada, o uso de câmeras digitais e a filmagem em locações. Mann é um orador inteligente e articulado e sabe manter o espectador interessado durante toda a duração da faixa. É uma pena que esta, assim como os dois trailers, não seja legendada. O outro destaque é o bom making of Cidade da Noite (41min). A edição ainda conta com especiais sobre os efeitos visuais da cena do metrô e sobre filmar em locações, dois ensaios de Cruise e Foxx e uma cena excluída.

COLATERAL
Collateral
, EUA, 2004
IDIOMA: Inglês DTS-HD MA 5.1, Espanhol 5.1, Francês 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Francês
FORMATO DE TELA: Widescreen 2.39:1 1080p
Suspense – 1h59 – Cor – Paramount

Direção:
Michael Mann
Com
Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett-Smith, Mark Ruffalo, Peter Berg, Bruce McGill, Javier Bardem
FILME: ****
IMAGEM:
*****
ÁUDIO:
*****
EXTRAS:
****

Currently rated 5.0 by 1 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

AMOR SEM ESCALAS

by Kas 29. April 2011 12:15

Lançado com estardalhaço no Festival de Toronto de 2009, AMOR SEM ESCALAS, o terceiro filme do jovem Jason Reitman (filho de Ivan Reitman, diretor de OS CAÇA-FANTASMAS), se tornou logo sensação nas premiações do final daquele ano, amealhando seis indicações ao Oscar – filme, direção, ator (George Clooney), atrizes coadjuvantes (Vera Farmiga e Anna Kendrick) e roteiro adaptado. Não ganhou nenhum, mas não deixe que isso atue contra o filme, uma deliciosa comédia dramática, que resiste muito bem a uma nova visita. Principalmente neste ótimo Blu-ray lançado pela Paramount.

Clooney faz Ryan Bingham, um dos principais funcionários de uma firma muito peculiar, do tipo que lucra mais em tempos de crise. Ele é contratado para demitir funcionários de outras empresas, para que os diretores dessas não tenham de passar por este desconforto. Bingham é muito bom no que faz não porque sente prazer nisso, e sim porque virou um especialista em não se deixar envolver com o drama de outros, incluindo aí o de suas duas irmãs. O outro motivo que faz deste o emprego perfeito para Bingham é o fato de que assim ele é obrigado a viver na ponte aérea, que é onde se sente verdadeiramente em casa. Uma sequência logo no início, meticulosamente decupada de forma a passar com cortes e imagens a eficiência do personagem no processo de fazer as malas e embarcar, já vende a forma como Bingham se relaciona com o mundo a sua volta.

Claro que esta rotina teria de ser alterada, porque de outra forma não teríamos drama. É aí que entram em cena duas mulheres, a primeira delas a executiva Alex (a ótima Vera Farmiga, de OS INFILTRADOS), que o protagonista encontra no bar de um hotel. “Pense em mim como você, mas com uma vagina”, se apresenta ela, mostrando o mesmo desprendimento. Claro que vão se envolver sexualmente. A outra mulher é a jovem Natalie (Anna Kendrick, que fazia uma das amigas humanas de Belle na série CREPÚSCULO), mais nova contratada na empresa de Bingham, que apresenta um plano radical de corte de custos: e se as demissões fossem realizadas via videoconferência?

O diretor Reitman, que destilou sua ironia em OBRIGADO POR FUMAR e JUNO, conduz com inteligência e grande senso de ritmo e economia (Bingham ficaria satisfeito) este conto moral sobre tempos de crise – de ordem econômica e emocional. Clooney é outro que faz parecer fácil essa mescla de charme, humor e pathos, característica que o aproxima cada vez mais de Cary Grant, só que politizado.

O filme e os extras são condicionados em um disco de duas camadas (capaz de armazenar até 50GB de informação). A qualidade de imagem é excelente, mantendo os tons naturais da fotografia, grande parte captada em locações reais. O áudio não fica por menos, com diálogos e canções reproduzidas com clareza.

O primeiro e melhor extra é a faixa de comentários em áudio com o diretor, o diretor de fotografia Eric Steelberg e o assistente de direção Jason Blumenfeld, que compensa a falta de um making of. Os três abordam os mais variados aspectos, como as dificuldades em filmar nos aeroportos e em outras locações, as mudanças no roteiro original e outros casos das filmagens. Jason Reitman também comenta as 13 cenas excluídas presentes aqui. Já o especial Shadowplay: Antes da História fala sobre a companhia que criou os créditos iniciais dos três filmes dirigidos por Reitman. Comparações de storyboards em vídeo, uma curta e bem humorada piada com a American Airlines, trailers e um vídeo musical (“Help Yourself”, do Sad Brad) completam a edição.

AMOR SEM ESCALAS
Up in the Air
, EUA, 2009
IDIOMA: Inglês DTS-HD MA 5.1, Português 5.1, Espanhol 5.1, Francês 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Francês
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.85:1 1080p
Comédia dramática – 1h49 – Cor – Paramount

Direção:
Jason Reitman
Com
George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Danny McBride, J.K. Simmons, Melanie Lynsky
FILME:
***
IMAGEM:
*****
ÁUDIO:
*****
EXTRAS:
****

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

Powered by BlogEngine.NET 1.4.0.0
Theme by Mads Kristensen