AVENTURAS DE
TINTIM - O SEGREDO DO LICORNE, AS *****
(THE ADVENTURES OF TINTIN -
THE SECRET OF THE UNICORN, 2011)
Steven Spielberg
Segunda aula de cinema puro de Spielberg (a primeira foi INDIANA JONES E O TEMPLO DA PERDIÇÃO). Isto é, com cinema sendo "ação em movimento". Não esperava que o diretor ainda tivesse essa criança dentro dele. Faz aqui o círculo completo, voltando ao olhar infantil da primeira fase de sua carreira. E ainda presta uma tremenda homenagem à criação de Hergé. Genial! Peter Jackson terá de suar pra superar em graça e charme esta primeira aventura, que faz o melhor uso do 3D que eu já vi. E que tal chamarem Polanski, outro fã do personagem, pra fechar a trilogia?
CAVALO DE GUERRA ****
(WAR HORSE,
2011)
Steven
Spielberg
Um grande filme de Spielberg já é maravilhoso, dois então... Pena daqueles que não entenderam a proposta desta bela aventura infanto-juvenil. Não é o filme brutal sobre a 1ª Guerra, como GLÓRIA FEITA DE SANGUE, que muitos críticos esperavam. Ao contrário, fala sobre a natureza da coragem e do sacrifício, mas de uma forma que pode ser apreendida por todas as idades. Spielberg emula VIRTUDE SELVAGEM na parte inicial, sobre aquilo que temos abrir mão de fazer pela família, por mais doloroso que possa ser. E depois amplia este conceito com o cavalo Joey servindo como uma força da natureza que une povos e homens de ambos os lados do conflito. Vale fazer sessão dupla com FELIZ NATAL (2005), de Christian Carion, e voltar a acreditar na raça humana.
CRISTAL
ENCANTADO, O ****
(THE DARK CRYSTAL, 1982)
Jim Henson e Frank Oz
Sempre achei que faltava humor nesta fantasia, algo que Henson retificaria em seu filme seguinte, o divertidíssimo LABIRINTO. Mas estava errado. Revendo O CRISTAL ENCANTADO agora em BD, finalmente entendi que a proposta do filme é outra, e nesta, é extremamente bem sucedido. Filmes de fantasia não gozavam de muito respeito no início dos anos 1980, e coube a Henson e Frank Oz mostrar que o gênero podia abrigar no cinema a mesma seriedade que tinha na literatura. Que não precisava ser sempre aventuras com bichinhos bonitinhos e humor infantil. O CRISTAL ENCANTADO é assustador para as crianças, como deve ser mesmo. O design das criaturas é espetacular, assim com a manipulação dos bonecos, fantoches, man-in-suit ou o que mais que Henson e Oz utilizaram pra criar um mundo mágico e perigoso. O BD permite ainda perceber a riqueza de detalhes deste mundo. Tem sempre elementos nos backgrounds que ajudam a passar a ideia de um universo vivo e crível, dentro da proposta do filme.
DESCENDENTES,
OS ***
(THE DESCENDENTS, 2011)
Alexander Payne
George Clooney e a moça que faz sua filha mais velha, Shailene Woodley, são bons o suficiente para compensar o esquematismo do roteiro. Ou seja, está mais para AS CONFISSÕES DE SCHMIDT do que para SIDEWAYS e ELEIÇÃO.
EM UM MUNDO
MELHOR ***
(HAEVNEN / IN A BETTER WORLD, 2010)
Susanne Bier
A crítica tem birra com Susanne Bier e até entendo o motivo. De certa forma, ela é uma versão nórdica do Iñarritú. Seu cinema de mão pesada e autoimportância não dá muito espaço para o público respirar, mas ainda assim gosto de alguns de seus filmes, como COISAS QUE DEIXAMOS PELO CAMINHO (sua estréia no cinema americano) e desse drama que até me surpreendeu por não cair em todas suas armadilhas melodramáticas.
FELICIDADE
NÃO SE COMPRA, A ****
(IT'S A
WONDERFUL LIFE, 1946)
Frank Capra
É bem menos ingênuo do que parece este clássico do cinema natalino. Capra escancara um lado sombrio da América, aquele governado pela ambição e ganância desmedida, ou seja, pelo capitalismo selvagem, que nem o "final feliz" é capaz de anular. Ao contrário do que pensam, seu cinema não é tão otimista quanto parece. E o filme ganha nova relevância após os empréstimos imobiliários que levaram à crise financeira de 2008.
GIGANTES EM
FÚRIA ***
(SEA DEVILS, 1953)
Raoul Walsh
Ótima aventura, cheia de reviravoltas bem humoradas, que levam os heróis pra lá e pra cá no Atlântico. Rock Hudson é um contrabandista que é contatado por uma espiã (Yvonne de Carlo), que tem a missão de se infiltrar no exército de Napoleão e descobrir os planos deste para invadir a Inglaterra. Só o final fácil não convence, mas até lá, a aventura é empolgante.
HISTÓRIAS CRUZADAS **
(THE HELP,
2011)
Tate Taylor
Novelão competente, mas que se esforça demais pra agradar ao público médio. É realmente manipulativo ao extremo e além do bom gosto.
HOMEM DO
FUTURO, O **
(idem, 2011)
Claudio Torres
Depois do promissor REDENTOR e do desastre A MULHER INVISÍVEL, Torres fica no meio termo com este terceiro filme. O humor não funciona, o paradoxo temporal não faz o menor sentido e a direção de atores é desastrosa, mas o visual e algumas ideias são interessantes. Sem falar que Alinne Moraes é uma mulher pela qual vale a pena esperar por 20 anos.
HOMENS E
DEUSES ***
(DES HOMMES ET DES DIEUX, 2010)
Xavier Beauvois
Feito de forma séria, nunca chega a envolver como deveria. Algumas questões sobre colonialismo social e religioso nunca chegam a ser aprofundadas.
INVESTIGAÇÃO
DE RISCO ***
(RED RIDING: 1980, 2010)
James March
Segunda parte da trilogia RED RIDING, mantém o clima pesado e desesperançoso do primeiro filme. E ajuda a perceber melhor que a proposta da obra é criar um panorama sórdido sobre a corrupção moral e política dos agentes sociais, um horror que chega a superar àquele praticado por assassinos seriais. Ótimos atores.
JANE EYRE ****
(idem, 2011)
Cary Joji Fukunaga
Adorei esta nova versão do clássico da literatura britânica. Como nunca li o romance de Charlotte Brontë e nem vi as adaptações anteriores para o cinema, a trama me surpreendeu, e gostei particularmente da beleza dos diálogos, que soam historicamente acurados, mas sem cair no literalismo. Mia Wasikowska e Michael Fassbender estão muito bem, e a fotografia do brasileiro Adriano Goldsman é um primor, que ajuda a criar o clima gótico-romântico. Fiquei bem curioso pra conhecer o longa de estreia do diretor Fukunaga, o elogiado SIN NOMBRE.
LANTERNA
VERDE - CAVALEIROS ESMERALDA ****
(GREEN LANTERN - EMERALD
KNIGHTS, 2011)
Christopher Berkeley,
Lauren Montgomery, Jay Oliva
O melhor longa de animação da DC Universe que vi até agora. São várias histórias, conectadas por uma linha narrativa, que ajudam a construir um panorama bem completo da Tropa dos Lanternas Verdes.
MATILDA ***
(idem, 1996)
Danny DeVito
Ótima comédia de humor negro para o público infantil, das melhores adaptações de Roald Dahl para o cinema. Bem coerente com o tom da obra do diretor Danny De Vito.
MENINO
INVISÍVEL, O **
(THE INVISIBLE BOY, 1957)
Herman Hoffman
Trama completamente absurda, mesmo considerando a ficção científica dos anos 1950. Curioso por antecipar a ameaça do dómínio das máquinas sobre os homens e por trazer participação importante de Robby, o robô, aquele do clássico sci-fi PLANETA PROIBIDO.
MILLENNIUM
- OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES ***
(THE GIRL WITH
THE DRAGON TATTOO, 2011)
David Fincher
Adaptação do best-seller homônimo bem mais classuda do que a versão sueca, sem que Fincher precise esconder o que tem de ridículo na trama. Pelo contrário, o diretor escancara este lado pulp com muito bom humor (o clímax ao som de Enya é impagável) e com o refinamento estético de sempre. Algumas mudanças pontuais servem pra surpreender aqueles que já leram o livro ou assistiram ao filme sueco.
MINHA BELA DAMA ***
(MY FAIR LADY, 1964)
George Cukor
Musical que tem seu charme, mas não é aquilo tudo. Longo e careta, tem seus momentos e canções. Audrey Hepburn começa o filme como uma caricatura e, aos poucos, vai retomando a classe de sempre.
PLANETA
VERMELHO ***
(RED PLANET, 2000)
Antony Hoffman
Nunca tinha visto este concorrente de MISSÃO: MARTE na corrida ao planeta vermelho. E fiquei até surpreso. Trata-se de uma sci-fi que parece ter saído diretamente dos anos 1950 no absurdo de algumas situações. Não tem a classe do filme de De Palma, mas o roteiro é igualmente pulp. O que foi feito do diretor Hoffman?
PRECISAMOS
FALAR SOBRE O KEVIN ****
(WE NEED TO
TALK ABOUT KEVIN, 2011)
Lynne Ramsay
Gostei demais deste drama perturbador, um filme de horror para qualquer pai. Aliás, faz dupla perfeita com O ORFANATO e OS INOCENTES como os maiores medos paternos já filmados. Tilda Swinton nunca esteve melhor. E dá pra lamentar que Lynne Ramsay tenha perdido o projeto de THE LOVELY BONES para Peter Jackson.
PSICOSE IV -
O COMEÇO **
(PSYCHO IV - THE BEGINNING,
1990)
Mick Garris
Garris faz um prequel para o clássico de Hitchcock que parece ter saído direto das HQs da EC Comics. Falta só o Guardião da Cripta para introduzir a relação incestuosa de Norman Bates com sua mãe. O que é compreensível, já que esta é vivida, em modo lascivo, pela eterna Julieta Olivia Hussey.
SEM TETO SEM LEI ***
(SANS TOIT NI LOI / VAGABOND, 1985)
Agnès Varda
O cadáver de uma sem-teto é encontrado numa vala. A partir de depoimentos das figuras que cruzaram seu caminho, vamos conhecendo a triste história da moça, vivida por Sandrine Bonnaire. Varda não força empatia com a personagem, o que aumenta a força da tragédia.
SHAMPOO ***
(idem, 1975)
Hal Ashby
Warren Beatty interpreta uma versão de si próprio, um Casanova moderno que trabalha num salão de beleza e que presta, aham, serviços extras para as clientes. Um retrato curiosamente conservador da época pós-amor livre.
STAR WARS:
EPISÓDIO I - A AMEAÇA FANTASMA ***
(STAR WARS: EPISODE I - THE
PHANTOM MENACE, 1999)
George Lucas
Melhora na revisão, talvez por já estar preparado para os vários problemas. Fica mais fácil curtir as coisas boas.
STAR WARS:
EPISÓDIO II - ATAQUE DOS CLONES **
(STAR WARS: EPISODE II -
ATTACK OF THE CLONES, 2002)
George Lucas
Já este não é bom o suficiente para contornar um herói tão antipático quanto Anakin Skywalker, chato e birrento na interpretação equivocada de Hayden Christensen. Quando este e a coitada da Natalie Portman não estão na tela, o filme cresce.
SUPER 8 ***
(idem, 2011)
J. J. Abrams
Apesar de ser concebido como uma homenagem ao cinema spielberguiano dos anos 1970 e 1980, soa sincero graças à paixão com a qual foi feito.
TARZAN E A CAÇADORA ***
(TARZAN AND THE HUNTRESS,
1947)
Kurt Neumann
Johnny Weissmüller já está longe da forma física da fase da MGM e Jane já não é mais a mesma (literalmente). Mas a aventura continua divertida, bem conduzida por Neumann (que faria outros longas do personagem e o clássico do horror A MOSCA DA CABEÇA BRANCA). Interessante também ver Chita e Boy seduzidos pela civilização.
VAMPYRES...
AS FILHAS DE DRÁCULA ***
(VAMPYRES, 1974)
José Ramón Larraz
A trama não faz o menor sentido, mas a atmosfera criada pelo catalão Larraz não deve ser subestimada. Nem as carnes abundantes das vampiras lésbicas do título e de suas desarfotunadas presas.
VIAGEM
2 - A ILHA MISTERIOSA **
(JOURNEY 2: THE
MYSTERIOUS ISLAND, 2012)
Brad Peyton
Não acho o VIAGEM AO CENTRO DA TERRA 3D ruim como dizem, mas fica difícil defender esta segunda aventura, que desperdiça seu potencial numa série de diálogos e piadas constrangedores (a do peitoral de The Rock é o fundo do poço). Luis Guzmán, coitado, tem o papel mais estereotipado e ingrato de todos os tempos, mas Michael Caine não está muito melhor. O pior é que a ideia dos "verneanos" é até promissora.
VIRTUDE SELVAGEM *****
(THE YEARLING, 1946)
Clarence Brown
Foi golpe de sorte rever este antes de embarcar em CAVALO DE GUERRA. Me ajudou a apreciar ainda mais a beleza do filme de Spielberg. Trata-se de um comovente conto sobre família de pioneiros que vive nos pântanos da Louisiana. O pai, Gregory Peck, é um exemplo de retidão moral, mesmo quando tem de tomar decisões como a do clímax, que revoltou muitas gerações de moleques, mas que tem a coragem que falta a muitos filmes "adultos". A fotografia em Technicolor é das mais bonitas.