Presença constante no livro Guinness de recordes
como o personagem mais retratado no cinema e na TV, o detetive Sherlock Holmes
foi interpretado por cerca de 80 atores ao longo dos últimos 111 anos (sua
primeira aparição nas telas foi em SHERLOCK HOLMES BAFFLED, em 1900). Uma das
razões para tal popularidade está no fato de que hoje em dia tanto o personagem
quanto suas aventuras, criadas por Arthur Conan Doyle, já se encontram em
domínio público. Mas é inegável que o charme do maior detetive do mundo, criado
por Conan Doyle em 1887, continua intacto. Haja visto seu sucesso recente no
cinema, com os dois longas dirigidos por Guy Ritchie e estrelados por Robert Downey,
Jr..
Mas a melhor adaptação recente de Holmes para a
tela (no caso, a telinha) é a série da BBC SHERLOCK, criada por Steven Moffat
(que recentemente revitalizou outro bastião da TV inglesa, DR. WHO, e
co-escreveu o roteiro de AS AVENTURAS DE TINTIM para Spielberg e Peter
Jackson) e Mark Gatiss (também colaborador de séries britânicas como DR. WHO,
POIROT e A LIGA DOS CAVALHEIROS). A Log On disponibilizou no Brasil em
Blu-ray e DVD a primeira temporada da série, que compreende três aventuras em
longa-metragem (na Inglaterra este formato é bem comum, ao contrário dos EUA,
que optam por um número maior de episódios de cerca de 45 minutos).
O gancho de Moffat e Gatiss (que também atua na
série, no papel de irmão de Holmes, Mycroft) é simples: situar as aventuras do
detetive na Londres contemporânea. Segundo os criadores explicam no making of
que acompanha a edição, a idéia é passar para o público a mesma sensação que os
leitores da época original de publicação sentiam: a de que aquilo estava
ocorrendo naquele momento.
Esta iniciativa não é particularmente nova. Nos
anos 1940, SHRLOCK HOLMES CONTRA A ARMA SECRETA já colocava o detetive
(vivido por Basil Rathbone, o intérprete mais tradicional do personagem) contra
os nazistas. Mas, a despeito desta liberdade artística, SHERLOCK é das
adaptações mais fiéis do personagem, tanto para cinema quanto para TV. Os
realizadores se atentaram até mesmo aos pormenores da criação de Conan Doyle,
como o vício em drogas de Holmes e o fato do Dr. Watson ser um veterano de
guerra do Afeganistão (Kandahar, no original). Para os fãs, são delícias à
parte estas referências espalhadas tanto nos diálogos quanto na própria direção
de arte.
Com intérpretes como Rathbone, Downey Jr, John
Barrymore, Michael Caine, Charlton Heston, Christopher Plummer e Peter Cushing ajudando
a moldar a persona fílmica do herói, não é tarefa fácil incorporar os trejeitos
clássicos de Holmes e ao mesmo tempo introduzir um elemento único e marcante.
Mas é uma tarefa que Benedict Cumberbatch tira de letra. Com papéis pequenos em
produções como CAVALO DE GUERRA e O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS, Cumberbatch tem em Holmes o papel de sua vida, e está
realmente maravilhoso compondo um investigador genial, arrogante, misógino e
literalmente viciado no processo investigativo. No que é perfeitamente escudado
pelo igualmente talentoso Martin Freeman (de O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS e que em breve estrelará O HOBBIT para Peter Jackson) como Dr.
Watson. A química entre os dois é orgânica e o contraste entre personalidades
tão distintas quanto complementares é responsável por grande parte do humor da
série.
Que, aliás, equilibra muito bem os elementos de
mistério, ação e comédia. As soluções visuais para as deduções de Holmes (que
são mais criativas e eficientes que as que Guy Ritchie pratica nos seus longas
do herói) permitem com que o espectador compartilhe do processo investigativo
do protagonista, tornando cada um dos mistérios da série um jogo delicioso de
“quem é o culpado”.
SHERLOCK
Reino Unido, 2010
IDIOMA: Inglês 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.78:1 1080i
Mistério policial / Aventura / Comédia – 270min – Cor – Log On
Criação: Steven Moffat e Mark Gatiss
Com Benedict Cumberbatch, Martin
Freeman, Uma Stubbs, Loo Brealey, Rupert Graves, Mark Gatiss, Zoe Telford,
Andrew Scott
FILME: ****
IMAGEM: ****
ÁUDIO: ***
EXTRAS: ***