SHERLOCK: 1ª TEMPORADA

by Kas 16. March 2012 08:57

Presença constante no livro Guinness de recordes como o personagem mais retratado no cinema e na TV, o detetive Sherlock Holmes foi interpretado por cerca de 80 atores ao longo dos últimos 111 anos (sua primeira aparição nas telas foi em SHERLOCK HOLMES BAFFLED, em 1900). Uma das razões para tal popularidade está no fato de que hoje em dia tanto o personagem quanto suas aventuras, criadas por Arthur Conan Doyle, já se encontram em domínio público. Mas é inegável que o charme do maior detetive do mundo, criado por Conan Doyle em 1887, continua intacto. Haja visto seu sucesso recente no cinema, com os dois longas dirigidos por Guy Ritchie e estrelados por Robert Downey, Jr..

Mas a melhor adaptação recente de Holmes para a tela (no caso, a telinha) é a série da BBC SHERLOCK, criada por Steven Moffat (que recentemente revitalizou outro bastião da TV inglesa, DR. WHO, e co-escreveu o roteiro de AS AVENTURAS DE TINTIM para Spielberg e Peter Jackson) e Mark Gatiss (também colaborador de séries britânicas como DR. WHO, POIROT e A LIGA DOS CAVALHEIROS). A Log On disponibilizou no Brasil em Blu-ray e DVD a primeira temporada da série, que compreende três aventuras em longa-metragem (na Inglaterra este formato é bem comum, ao contrário dos EUA, que optam por um número maior de episódios de cerca de 45 minutos).

O gancho de Moffat e Gatiss (que também atua na série, no papel de irmão de Holmes, Mycroft) é simples: situar as aventuras do detetive na Londres contemporânea. Segundo os criadores explicam no making of que acompanha a edição, a idéia é passar para o público a mesma sensação que os leitores da época original de publicação sentiam: a de que aquilo estava ocorrendo naquele momento.

Esta iniciativa não é particularmente nova. Nos anos 1940, SHRLOCK HOLMES CONTRA A ARMA SECRETA já colocava o detetive (vivido por Basil Rathbone, o intérprete mais tradicional do personagem) contra os nazistas. Mas, a despeito desta liberdade artística, SHERLOCK é das adaptações mais fiéis do personagem, tanto para cinema quanto para TV. Os realizadores se atentaram até mesmo aos pormenores da criação de Conan Doyle, como o vício em drogas de Holmes e o fato do Dr. Watson ser um veterano de guerra do Afeganistão (Kandahar, no original). Para os fãs, são delícias à parte estas referências espalhadas tanto nos diálogos quanto na própria direção de arte.

Com intérpretes como Rathbone, Downey Jr, John Barrymore, Michael Caine, Charlton Heston, Christopher Plummer e Peter Cushing ajudando a moldar a persona fílmica do herói, não é tarefa fácil incorporar os trejeitos clássicos de Holmes e ao mesmo tempo introduzir um elemento único e marcante. Mas é uma tarefa que Benedict Cumberbatch tira de letra. Com papéis pequenos em produções como CAVALO DE GUERRA e O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS, Cumberbatch tem em Holmes o papel de sua vida, e está realmente maravilhoso compondo um investigador genial, arrogante, misógino e literalmente viciado no processo investigativo. No que é perfeitamente escudado pelo igualmente talentoso Martin Freeman (de O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS e que em breve estrelará O HOBBIT para Peter Jackson) como Dr. Watson. A química entre os dois é orgânica e o contraste entre personalidades tão distintas quanto complementares é responsável por grande parte do humor da série.

Que, aliás, equilibra muito bem os elementos de mistério, ação e comédia. As soluções visuais para as deduções de Holmes (que são mais criativas e eficientes que as que Guy Ritchie pratica nos seus longas do herói) permitem com que o espectador compartilhe do processo investigativo do protagonista, tornando cada um dos mistérios da série um jogo delicioso de “quem é o culpado”. 

SHERLOCK
Reino Unido, 2010
IDIOMA: Inglês 5.1 
LEGENDAS: Português, Inglês 
FORMATO DE TELA: Widescreen 1.78:1 1080i
Mistério policial / Aventura / Comédia – 270min – Cor – Log On
Criação: Steven Moffat e Mark Gatiss
Com Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Uma Stubbs, Loo Brealey, Rupert Graves, Mark Gatiss, Zoe Telford, Andrew Scott
FILME: ****
IMAGEM: ****
ÁUDIO: ***
EXTRAS: ***

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Blu-ray - Resenhas

BONITA COMO NUNCA

by Kas 16. March 2012 08:50
Bobinho, mas delicioso, musical romântico passado numa Buenos Aires de estúdio, sobre milionário argentino (o sempre eficiente Adolphe Menjou) que escreve cartas de amor para a própria filha (Rita Hayworth) com o intuito de amolecer seu gelado coração, até que esta começa a desconfiar que o autor das cartas é um sapateador novaiorquino viciado em corrida de cavalos (Fred Astaire).
 
A típica comédia de erros alterna momentos inspirados com outros nem tanto, mas é ajudado pelo ótimo casal central e por uma subtrama que envolve o pai e a madrinha da protagonista.
 
Indicado aos Oscars de Trilha Sonora, Canção (“Dearly Beloved”) e Som.
 
Ótima cópia, sem extras.
 
BONITA COMO NUNCA
You Were Never Lovelier, EUA, 1942
IDIOMA: Inglês 2.0, Português 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Full Screen 1.33:1
Comédia romântica musical – 1h37 – P&B – Classicline
Direção: William A. Seiter
Com Fred Astaire, Rita Hayworth, Adolphe Menjou, Isobel Elsom, Leslie Brooks
FILME: ***
DVD: *** 

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DVD - Resenhas

FILMES VISTOS EM FEVEREIRO DE 2012

by Kas 9. March 2012 09:21
ACUSADOS **
(THE ACCUSED, 1988)
Jonathan Kaplan
Fraco drama de tribunal que deu um indevido Oscar para Jodie Foster, que faz uma garota de conduta imprópria que é estuprada por três sujeitos num bar abarrotado de gente. Considere que Foster disputou a estatueta com Glenn Close (por LIGAÇÕES PERIGOSAS) e Sigourney Weaver (por NAS MONTANHAS DOS GORILAS). Mas a conservadora Academia se rendeu à coragem da ex-atriz mirim em encarnar uma white trash vítima principalmente do preconceito.
 
ALICE NÃO MORA MAIS AQUI ****
(ALICE DOESN'T LIVE HERE ANYMORE, 1974)
Martin Scorsese
Uma das fundações do cinema independente contemporâneo, ou seja, de onde essas dramédias familiares ditas independentes – estilo PEQUENA MISS SUNSHINE e semelhantes – tiraram o molde. Só que não tem a força criativa de Scorsese. Repare na sequência inicial, que emula o Technicolor de E O VENTO LEVOU e de outros clássicos que fizeram a infância de Scorsese, e que faz interessante constraste para a abordagem naturalista que se segue.
 
ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO ****
(ALIEN, 1979)
Ridley Scott
Fico imaginando como deve ter sido ver este filme no cinema na época, sem nenhum prévio conhecimento do que estava por vir pela frente. Impressionante como a concepção visual não envelheceu nada.
 
ARTISTA, O ***
(THE ARTIST, 2011)
Michel Hazanavicius
Uma homenagem curiosa ao cinema mudo, mas sem fazer muita força pra reproduzir os códigos do mesmo. Fica mais no plano da memória do que seria aquele cinema. Rouba descaradamente a trama de NASCE UMA ESTRELA (Dujardin até compõe uma cópia divertida de Fredric March) e o tema romântico de UM CORPO QUE CAI para o clímax, e ainda assim teve roteiro e trilha lembrados no Oscar, o que só mostra que os acadêmicos tem memória fraca.
 
ÁRVORE DA VIDA, A ****
(THE TREE OF LIFE, 2011)
Terrence Malick
Inspirado na vida do próprio Malick, que também perdeu o irmão mais novo violonista, esta é uma meditação visualmente deslumbrante sobre a dicotomia humana, o embate cósmico entre a natureza e a graça divina. Douglas Trumbull é o consultor dos belíssimos efeitos visuais.
 
ATÉ O LIMITE DA HONRA **
(G.I. JANE, 1997)
Ridley Scott
Tentativa de Ridley Scott em emular o estilo de seu irmão caçula, Tony Scott. É, talvez por isso, um dos filmes mais fracos do diretor, ainda que haja algum fascínio na relação sadomasoquista entre Demi Moore e Viggo Mortensen.
 
BAARÌA - A PORTA DO VENTO ***
(BAARÌA, 2009)
Giuseppe Tornatore
Quando é que vão lançar UMA SIMPLES FORMALIDADE em BD? Dito isso, temos aqui Tornatore no modo nostálgico de CINEMA PARADISO e MALENA. Gosto do humor italiano, e é mérito do diretor que sua saga política pelo século XX seja impregnada deste humor. Pisque e perca as pontas de Raoul Bova e Monica Bellucci.

CAÇADOS ***
(PREY, 2007)
Darrell Roodt
Um CUJO com leões, menos tenso do que poderia e deveria ser, com Bridget Monaghan tentando sobreviver a ataques dos bichanos no meio da savana africana, enquanto o maridão Peter Weller procura por ela e pelos dois filhos. Tem pouco do conteúdo político que marcou os thrillers oitentistas do sul-africano Roodt.
 
DESPERTAR, O ***
(THE AWAKENING, 2011)
Nick Murphy
Bons filmes de assombração nunca saem de moda. Este não é assustador e bem construído como OS OUTROS e O ORFANATO, e poderia passar sem o clímax mastigado. Mas é um exemplar digno de gótico britânico.

DIZEM POR AÍ... ***
(RUMOR HAS IT..., 2005)
Rob Reiner
Moça descobre que sua família serviu de inspiração para A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM. A premissa deliciosa não encontra a sagacidade devida no roteiro, mas o toque leve de Rob Reiner e o elenco talentoso não deixam a peteca cair.
 
FÚRIA DE TITÃS ***
(CLASH OF THE TITANS, 2010)
Louis Leterrier
Considerando que o filme original, a despeito da esplêndida animação de Ray Harryhausen, também tinha sua cota de problemas, até que Louis Leterrier não se saiu tão mal. Ainda assim é imperdoável o que ele fez com a sequência da Medusa, que ainda dá calafrios na versão de 1981 e que aqui fica parecendo fase intermediária de algum game medíocre.
 
HEREMAKONO - ESPERANDO A FELICIDADE ***
(HEREMAKONO/EN ATTENDANT LE BONHEUR, 2002)
Abderrahmane Sissako
Retrato poético e com belas cenas de uma vila na costa da Mauritânia. Fiquei com muita vontade de ver os outros filmes de Sissako, um cineasta mais conhecido na Europa do que aqui.
 
INVENÇÃO DE HUGO CABRET, A ****
(HUGO, 2011)
Martin Scorsese
Scorsese em tom professoral, usando de boa didática para alertar as crianças sobre a importância da memória cinematográfica, da qual o cineasta é dos nomes mais proeminentes. Uso primoroso do 3D, que mostra que o cinema de camadas já estava lá desde o ínicio.
 
JANELA DA FRENTE, A **
(LA FINESTRA DI FRONTE, 2003)
Ferzan Ozpetek
Já tinha ficado deslumbrado pela performance de Giovanna Mezzogiorno no VENCER de Marco Bellocchio. Aqui, a bela e talentosa moça carrega nas costas o que é basicamente um novelão, sem muitas surpresas.
 
JORNADA NAS ESTRELAS V - A ÚLTIMA FRONTEIRA ***
(STAR TREK V - THE FINAL FRONTIER, 1989)
William Shatner
Outro que não merece tanto ódio. A produção é capenga, os efeitos visuais são de lascar, o humor nem sempre funciona e Shatner deveria se contentar em comandar espaçonaves, mas o tema é fascinante – a Enterprise encontra Deus –, o vilão (Lawrence Luckinbill) é ótimo e a química entre o elenco é sempre cativante.
 
MISSÃO: MADRINHA DE CASAMENTO **
(BRIDESMAIDS, 2011)
Paul Feig
Uma espécie de EU TE AMO, CARA para meninas. Gera algumas risadas, mas nada que justifique o sucesso e uma indicação ao Oscar de Roteiro Original.
 
MONKEYS ESTÃO À SOLTA, OS ***
(HEAD, 1968)
Bob Rafelson
Filme de estréia de Rafelson, é inventiva paródia dos filmes dos Beatles realizados por Richard Lester, recheado com alusões à Guerra do Vietnã e outras pretensões à crítica política. É tudo que o filme das Spice Girls tentou ser e não conseguiu.
 
MORRICONE POR MORRICONE - AO VIVO EM VENEZA ***
(ENNIO MORRICONE LIVE IN VENICE - PEACE NOTES, 2007)
Giovanni Morricone
O registro em si não foge do lugar comum, mas o que importa é a performance da orquestra e os temas poderosos do maestro. De arrepiar.
 
MORTO EM 3 DIAS **
(IN 3 TAGEN BIST DU TOT, 2006)
Andreas Prochaska
Slasher movie com tempero austríaco. Seus momentos interessantes geralmente acontecem entre as mortes. Até que, no clímax, os personagens tomam uma daquelas decisões estúpidas que viraram gozação pós-PÂNICO, e quase colocam tudo a perder. Chegou a gerar uma sequência.
 
PARIS **
(idem, 2007)
Cédric Klapisch
Kaplisch, que fez sucesso com seu ALBERGUE ESPANHOL e a continuação (superior) AS BONECAS RUSSAS, usa muito bem a cidade como moldura para seu drama coletivo. Pena que os personagens que vivem nela estão longe de serem igualmente fascinantes.

RANGO **
(idem, 2011)
Gore Verbinski
Não gosto de Gore Verbinski, que consegue ser pretencioso e bobo até quando faz diversões passageiras como a série PIRATAS DO CARIBE. RANGO tem a mesma falta de ritmo que vem condenando seus filmes desde sua estréia com o péssimo UM RATINHO ENCRENQUEIRO. A Academia não concordou e transformou este no SHREK deste ano.
 
REIS E RATOS 
(idem, 2012)
Mauro Lima
O melhor que dá pra falar sobre esta bomba é que Selton Mello não é o pior do elenco. Faz MEU NOME NÃO É JOHNNY, filme anterior do diretor, parecer uma obra-prima.
 
SEPARAÇÃO, A *****
(JODAEIYE NADER AZ SIMIN/A SEPARATION, 2011)
Asghar Farhadi
Um roteiro brilhante, executado com precisão pelo diretor Farhadi e por um elenco excepcional. Disseca a estrutura social, religiosa e política do Irã sem recorrer ao miserabilismo e ao sentimentalismo exótico. Absolutamente imperdível. Desde já, forte concorrente a filme do ano.
 
TÃO FORTE E TÃO PERTO **
(EXTREMELY LOUD & INCREDIBLY CLOSE, 2011)
Stephen Daldry
Daldry é o maior pé quente do Oscar, mas a verdade é que ele faz o que a Academia gosta: tramas auto-importantes e discurso medíocre. Este não é tão ofensivo quanto O LEITOR, mas não carecia das cenas “emocionais” da conclusão.
 
VIGILANTE **
(idem, 1983)
William Lustig
Mais do que por seus filmes, Lustig merece a consideração dos cinéfilos por ter fundado a distribuidora Blue Underground, que sempre deu a atenção devida aos filmes de gênero B ou europeus. Aqui o diretor de MANIAC COP (que, curiosamente, saiu por outra distribuidora nos EUA) faz sua versão de DESEJO DE MATAR, com boas idéias visuais, mas ritmo e elenco amador.

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