INTERMEDIÁRIO.COM

by Kas 3. September 2011 04:29

Os créditos de INTERMEDIÁRIO.COM anunciam com todas as letras que, apesar da trama ser “inspirada” em eventos reais, todos os personagens e ações são produtos da imaginação dos realizadores. Aviso desnecessário, por sinal, já que, pelas próprias escolhas narrativas, o filme é claramente fruto da linha de montagem hollywoodiana.

De cara, o filme se anuncia como um grande flashback, começando logo por uma cena que já denuncia sua influência (neo-)noir: Jack Harris (Luke Wilson, o irmão mais sério de Owen Wilson) está prestes a entregar uma fortuna em dinheiro para a Máfia Russa, correndo o risco de deixar com eles também a própria vida. A partir daí, a trama recua no tempo, meados dos anos 1990, mostrando como Harris, um sujeito pacato e bem casado, foi se envolver com uma dupla de idiotas viciados, mas que tem uma idéia genial: a de desenvolver um sistema de transação comercial pela então incipiente internet, com o intuito de comercializar pornografia.

Logo, Harris e seus dois “sócios” (vividos por Giovanni Ribisi, o burocrata vilão de AVATAR, e Gabriel Macht, que fez THE SPIRIT no cinema) estarão ricos e badalados, e também paranóicos e corrompidos. E cada vez mais emaranhados com criminosos, entre eles o advogado picareta vivido por James Caan, e com o FBI. Como apontou O TESOURO DE SIERRA MADRE, a ganância desmedida faz com que o ouro acabe por se escorrer pelos dedos e desaparecer no vento. O que restaria então para os heróis?

Anti-heróis seria a definição mais precisa. Ninguém presta e ninguém é confiável. Até mesmo o narrador Harris, que se pinta inicialmente como baluarte da integridade, acaba por cair nas tentações do sexo e do dinheiro. Os personagens que o cercam são ainda mais previsíveis e rasos, com exceção, talvez, da atriz pornô (Laura Ramsey, que fez pontas em UM LUGAR QUALQUER de Sofia Coppola, e na série MAD MEN) com quem Harris se envolve, e que mostra por trás de sua atitude blasé algumas camadas a mais de interesse. 

Mas o pecado maior de “Intermediário.com” é exatamente a falta de ambição. Não tem a envergadura épica de um BOOGIE NIGHTS, a crônica de Paul Thomas Anderson sobre o ápice a decadência da indústria pornô nos anos 1970. Nem a urgência de A REDE SOCIAL, que utiliza a era da internet como pano de fundo para expor a solidão e a falta de limites morais.

Ao contrário destes exemplares vitais do cinema contemporâneo, INTERMEDIÁRIO.COM se contenta em ser apenas um filme de “golpe”, algo atestado pela reviravolta final. Se alinha mais confortavelmente ao lado de filmes de Guy Ritchie (JOGOS, TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES), Matthew Vaughn (NEM TUDO É O QUE PARECE) e Steven Soderbergh (ONZE HOMENS E UM SEGREDO e suas duas continuações). O diretor Gallo, que já embarcara nesse subgênero de “crime e humor negro” com seu ENCURRALADOS NO PARAÍSO (com Nicolas Cage),  infelizmente se contenta em apenas entreter, e esta opção pela modéstia diminui a relevância de seu trabalho.

Edição em Blu-ray tecnicamente competente, com cores fortes e áudio robusto. Inclui como extras uma ótima faixa de comentários em áudio (infelizmente, sem legendas) do diretor, acompanhado do montador Malcolm Campbell e do diretor de fotografia Lukas Ettlin; cenas excluídas, erros de gravação e uma montagem das (várias) cenas de tapas vistas no filme.
 

INTERMEDIÁRIO.COM
Middle Men, EUA, 2009
IDIOMA: Inglês DTS-HD MA 5.1
LEGENDAS: Português, Espanhol, Inglês, Francês
FORMATO DE TELA: Widescreen 2.39:1 1080p
Drama de crime – 1h52 – Cor – Paramount

Direção: George Gallo
Com Luke Wilson, Giovanni Ribisi, Gabriel Macht, Jacinda Barrett, Laura Ramsey, Terry Crews, Rade Sherbedgia, Kevin Pollak, James Caan
FILME: **
IMAGEM: ****
ÁUDIO: ****
EXTRAS:
***

Currently rated 5.0 by 1 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray - Resenhas

ESPOSA DE MENTIRINHA

by Kas 3. September 2011 04:23

Adam Sandler, produtor e astro, em mais uma colaboração com um de seus diretores de confiança, Dennis Dugan, faz aqui sua tentativa de comédia romântica.

Sandler é um solteirão incorrigível que finge ser casado quando descobre que a aliança é um imã de mulheres. Quando conhece uma bela jovem (Brooklyn Decker), decide levar a farsa adiante com a ajuda da assistente vivida por Jennifer Aniston. Claro que está formado um triângulo. O humor é chulo, como era de se esperar de Sandler e sua turma, que aqui traz o sem graça Nick Swardson como um Rob Schneider dos pobres. Até a participação de Nicole Kidman não acrescenta muito. O melhor fica por conta de Aniston, que injeta graça e charme ao papel.

Inclui comentários em áudio de parte do elenco (incluindo Sandler) e da equipe; cenas excluídas; erros de gravação; e especiais sobre os atores e sobre as filmagens no Havaí.

ESPOSA DE MENTIRINHA
Just Go With It, EUA, 2011
IDIOMA: Inglês 5.1, Português 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 1.85:1
Comédia – 1h56 – Cor – Sony

Direção: Dennis Dugan
Com Adam Sandler, Jennifer Aniston, Nicole Kidman, Nick Swardson, Brooklyn Decker, Bailee Madison, Griffin Gluck, Dave Matthews
FILME: *
DVD:
***

Currently rated 1.0 by 1 people

  • Currently 1/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas

A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO / GAROTA LEVADA

by Kas 3. September 2011 03:33

A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO, lançado pela Classicline, é um título pomposo que ilustra bem a idolatria com a qual eram recebidas as estrelas européias no período do pós-guerra, quando o cinema do velho continente voltou a se fazer presente nas telas mundiais. No caso, a italiana Gina Lollobrigida, que já havia flertado com o cinema norte-americano dois anos antes com O DIABO RIU POR ÚLTIMO, mas que viraria estrela internacional mesmo após encarnar a cantora lírica do início do século XX Lina Cavalieri nesta co-produção entre Itália e França, realizada com técnicos e elenco italianos e dirigida por um veterano artesão hollywoodiano, Robert Z. Leonard.

Lollobrigida é a típica estrela italiana do pós-guerra: curvilínea (com uma cintura fisicamente impossível), sexy e engraçada, ela logo galgou os degraus da fama em Hollywood, estrelando sucessos como TRAPÉZIO (com Burt Lancaster e Tony Curtis), O CORCUNDA DE NOTRE DAME (com Anthony Quinn) e SALOMÃO E A RAINHA DE SABÁ (com Yul Brynner), que faziam bom uso de sua sensualidade e exotismo. Mas em A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO, Lollobrigida já dá mostra de seu talento cômico e chega até mesmo a interpretar (bem) algumas canções.

Seu parceiro de elenco, Vittorio Gassman, é outro que usaria o sucesso europeu para cruzar o Atlântico, participando em seguida do grande elenco do GUERRA E PAZ de King Vidor. Gassman faz o príncipe russo pelo qual Lina Cavalieri se apaixona perdidamente e que, segundo o filme, é o principal artífice do sucesso da cantora.

A opção de escalar um narrador experiente como Robert Z. Leonard (ZIEGFELD, O CRIADOR DE ESTRELAS) faz sentido, já que este consegue imprimir um ritmo ágil e controlar com habilidade os vários tons da trama, que transita do melodrama à comédia farsesca, passando pela tragédia e pelo romance. Mas a ficha técnica revela também curiosidades, como o nome de Mario Monicelli entre os nove roteiristas creditados. Daí não fica difícil de creditar ao futuro realizador de marcos da comédia como O INCRÍVEL EXÉRCITO DE BRANCALEONE (também com Gassman) e MEUS CAROS AMIGOS alguns dos inspirados momentos de humor presentes ao longo da narrativa. Outro ponto alto é a estupenda fotografia de Mario Bava, ele mesmo futuro cineasta e um dos maiores estetas do cinema de horror italiano. O controle por Bava da luz e dos enquadramentos só realça a beleza física de Lollobrigida.

Que ainda assim, não supera o carisma e o sex appeal inigualável de sua contemporânea francesa Brigitte Bardot, estrela de GAROTA LEVADA, outro lançamento da Classicline em boa cópia. Bardot foi, provavelmente, a maior estrela internacional dos anos 1950. Seu prestígio nas bilheterias era tanto que ela não precisava migrar para Hollywood para fazer sucesso na América. Apesar de ter participado de algumas produções norte-americanas, Bardot virou um fenômeno mesmo com seu trabalho na França, em comédias inofensivas como esta GAROTA LEVADA (que traz a colaboração de seu então marido Roger Vadim nos diálogos) e em romances com toques eróticos como E DEUS CRIOU A MULHER, dirigido por Vadim e lançado no mesmo ano.

Mas o que não era sexy com a presença esfuziante de Bardot, com seu rosto jovial e seu corpo perfeito e geralmente desnudo? O bobinho, mas divertido, GAROTA LEVADA não teria metade de seu charme caso Bardot não estivesse ali, incendiando (literalmente) a tela, como a filha de um fugitivo que ganha abrigo na casa de um famoso cantor, que logo abandona a noiva para cair nos braços da ninfeta. E quem pode culpar estes pobres mortais, por não terem força suficiente para resistirem ao encanto de musas como Bardot e Lollobrigida?

A MULHER MAIS LINDA DO MUNDO
La Donna più bella del mondo, Itália/França, 1955
IDIOMA: Italiano 2.0, Italiano 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Full Frame 1.33:1
Romance musical – 1h47 – Cor – Classicline

Direção: Robert Z. Leonard
Com Gina Lollobrigida, Vittorio Gassman, Robert Alda, Anne Vernon, Tamara Lees, Gino Sinimberghi
FILME: ***
DVD:
***

GAROTA LEVADA
Cette Sacrée Gamine, França, 1956
IDIOMA: Francês 2.0, Francês 5.1
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 2.35:1
Comédia romântica – 1h26 – Cor – Classicline

Direção: Michel J. Boisrond
Com Brigitte Bardot, Jean Bretonnière, Françoise Fabian, Bernard Lancret, Marcel Charvey, Jean Poiret, Jean Lefebvre
FILME: ***
DVD: ***

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas

SALMO VERMELHO

by Kas 3. September 2011 03:28

Produto de sua época, esta alegoria que deu ao cineasta húngaro Miklós Jancsó (que já teve seu VERMELHOS E BRANCOS lançado pela distribuidora) o prêmio de Melhor Direção em Cannes, soa hoje como mera curiosidade. Seu tema, desenvolvido num tom panfletário, ficou datado. Não existe bem uma trama. São vários personagens numa espécie de comunidade agrária que se levantam contra seus patrões, buscando melhores condições de trabalho e reivindicando outros direitos, no que são confrontados pelas autoridades.

O maior problema do filme é que não dá margem para leituras outras que a mastigada por Jancsó. Seu discurso é óbvio e ingênuo. O que o filme tem de bom acaba se diluindo. Consistindo em apenas 27 planos, o filme abusa de maravilhosas coreografias de câmera e atores e bela fotografia, que não dá atenção às mudanças de luz que ficam claras de cena pra cena.

Ótima cópia, sem extras.

SALMO VERMELHO
Még kér a nép, Hungria, 1972
IDIOMA: Húngaro 2.0
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Full Frame 1.33:1
Drama alegórico – 1h27 – Cor – Lume Filmes

Direção: Miklós Jancsó
Com Andrea Ajtony, András Ambrus, Lajos Balázsovits, Andras Balint, István Bujtor
FILME:
**
DVD:
***

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas

Powered by BlogEngine.NET 1.4.0.0
Theme by Mads Kristensen