Não é qualquer filme que carrega durante mais de 30
anos a pecha de maior bilheteria de seu gênero, ainda mais considerando um
gênero com histórico tão popular quanto o musical.
Pois GREASE - NOS TEMPOS DA BRILHANTINA é o autor
da façanha, ainda mais memorável por ter sido lançado numa época em que os
musicais já tinham passado da fase de decadência e estavam praticamente
extintos. Some-se a isso o fato de seu culto só ter crescido com o passar dos
anos, nos quais atingiu toda uma geração com suas constantes reprises na Globo.
Só por isso tudo GREASE faz por merecer uma edição caprichada como a que
ganha agora em Blu-ray no Brasil, espelhando a que saiu há alguns anos em DVD,
mas com evidente acréscimo de qualidade de imagem e som.
GREASE veio do palco, onde fez sucesso como
musical da Broadway no início dos anos 1970 ao relembrar saudosamente a mudança
de costumes da juventude norte-americana (e por conseqüência, mundial) com a
introdução do rock’ n’ roll no final da década de 1950. Este é o espírito do
espetáculo: leve, bem-humorado e decididamente ingênuo. Algo que casou
perfeitamente com os anseios das platéias mundiais quando de sua adaptação para
o cinema. A Hollywood setentista (excetuando as fantasias de Lucas e Spielberg
na segunda metade da década) foi marcada pelo pessimismo e pelo tom amargo e
adulto, resultado direto do que se apresentava na política e economia mundial.
Pois exatamente por recuperar tempos mais inocentes é que GREASE encontrou
uma acolhida tão calorosa, superando o recorde anterior do gênero (A NOVIÇA REBELDE) e perdendo apenas para GUERRA NAS ESTRELAS e TUBARÃO no ranking
das bilheterias mundiais.
A trama é básica: rapaz conhece garota durante as
férias e vivem um amor de verão. Terminando a estação, se despedem pensando que
nunca mais se reencontrariam, até que ele descobre que ela acaba de se matricular
no colégio onde estuda. Alguns desencontros e vacilos típicos da juventude que
tenta impressionar os amigos em detrimento dos próprios anseios (ele, Danny
Zuko, faz o rebelde sem causa, enquanto ela, Sandy, é a mocinha inocente) levam
ao final inevitavelmente feliz.
É difícil imaginar que uma premissa bobinha como
essa pudesse ter tanto respaldo popular, mesmo considerando o timing adequado,
se não fosse a presença magnética dos protagonistas. John Travolta tinha
acabado de estourar com seus rebolados em OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE, que o
transformou em astro da noite pro dia. O curioso é que Travolta tinha
participado da peça, só que num papel secundário. Já Jeff Conaway, que fazia o
mocinho nos palcos, foi escalado aqui como o melhor amigo do herói. O lado
feminino, por sua vez, é muito bem representado pela popstar australiana Olivia
Newton-John (que tinha quase trinta anos na época das filmagens), que faz
Sandy, explicitamente inspirado nos papéis de virgens pelos quais Sandra Dee e
Doris Day se popularizaram. Seu oposto é a moderninha Rizzo (Stockard
Channing), que tem o melhor número musical, cantando There Are Worse Things I
Could Do.
Dirigido sem muita convicção por Randal Kleiser
(que ganhou o emprego por influência de Travolta, que trabalhou com Kleiser no
filme pra TV O MENINO NA BOLHA DE PLÁSTICO), GREASE não é lá um grande
espetáculo, mas mantém seu charme intacto para aqueles que o viram na época certa. E as canções já estão tão entranhadas
no imaginário popular que dá até pra usar em um karaokê (que é um dos extras do
Blu-ray, aliás).
GREASE – NOS TEMPOS DA BRILHANTINA: ROCKIN’ EDITION
Grease, EUA, 1978
FORMATO DE TELA: Widescreen 2.39:1 1080p
IDIOMA: Inglês Dolby TrueHD 5.1, Francês 5.1,
Espanhol 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Francês
Musical / Comédia / Romance – 1h50 – Cor –
Paramount
Direção: Randal Kleiser
Com John Travolta, Olivia
Newton-John, Stockard Channing, Jeff Conaway, Joan Blondell, Eve Arden, Frankie
Avalon, Sid Caeser
FILME: **
IMAGEM: ***
ÁUDIO: ***
EXTRAS: ****