127 HORAS

by Kas 25. February 2011 16:39

Passageiros de metrô, torcidas de futebol, tráfego de pessoas e carros, mercados financeiros, cerimônias religiosas... não se deixe enganar pelas tomadas de milhares de pessoas que pipocam nas telas múltiplas da abertura de 127 HORAS, novo filme do britânico Danny Boyle. Pois esta é a história de um único homem e de uma única atitude que determinará sua sobrevivência.

O jovem de 27 anos Aron Ralston (James Franco), um experiente escalador de Utah, parte para uma caminhada solitária de fim de semana no majestoso Blue John Canyon, sem se preocupar em deixar qualquer informação sobre seu paradeiro. Um acidente fará com que fique preso pelo braço direito dentro de uma fenda rochosa, sem meios de se libertar ou pedir socorro. No meio do nada, e com o corpo progressivamente enfraquecido pela falta de comida e água, Aron revê, em meio a delírios e flashbacks, seu conceito de individualismo e sua relação com a família e amigos.

Desde que estreou nos longas-metragens em meados dos anos 1990 com o neo-noir COVA RASA, o britânico Danny Boyle se vê atraído por personagens em situações limítrofes, onde são muitas vezes cerceados pelas próprias limitações, sejam estas de ordem física, intelectual ou material. É uma obra que reflete, ainda que de forma superficial, o zeitgeist do período, o que compensa em certa medida o aspecto ligeiro de tais filmes.

Este aspecto, que se traduz na tela de modo tanto formal quanto conceitual, aproxima a obra de Boyle da de outro cineasta contemporâneo seu, o também britânico Michael Winterbottom, que, como Boyle também transita de um gênero ao outro, sempre misturando inquietação com a pretensão de retrabalhar de forma definitiva os signos de tais gêneros.

Não é para tanto. O cinema de Boyle é um cinema polaróide, que captura um determinado momento, mas que vai ficando esmaecido com o passar do tempo. É assim tanto com TRAINSPOTTING (1996), seu filme mais satisfatório ao lado de 127 HORAS, quanto com experiências não tão bem sucedidas, como a aventura A PRAIA (2000), o horror EXTERMÍNIO (2002) e a ficção SUNSHINE – ALERTA SOLAR, culminando no grande vencedor do Oscar de 2008, o banal QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO.

Produto típico da contaminação de formatos e suportes dos anos 1990, Boyle extrai lições estilísticas tanto do cinema quanto do videoclipe, da publicidade e do reality show, e utiliza este manancial de referências para dar dinamismo na aventura de um personagem que permanece sozinho e estacado durante a maior parte da narrativa. No que é até bem sucedido, graças também à ótima intervenção de James Franco no papel principal. Franco é a alma de 127 HORAS, é quem dá lastro humano e nos faz sentir a dor e seu desespero do protagonista, enquanto o diretor se concentra em tornar o drama palatável àqueles que têm déficit de atenção.

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Cinema

VERÔNICA

by Kas 25. February 2011 16:29

Com SALVE GERAL e este VERÔNICA, Andréa Beltrão já mais do que merece o título de mãezona do cinema brasileiro contemporâneo. Não que ela seja a verdadeira progenitora do menino caçado por traficantes e policiais corruptos neste thriller tupiniquim do diretor de O CORONEL E O LOBISOMEM, mas age como tal.

Ela faz a professora de escola pública que por acaso tem de cuidar de um aluno que teve seus pais assassinados por traficantes.Na melhor tradição dos policiais gringos (os quais lembra por demais, apesar da ambientação pátria), o garoto ainda carrega consigo provas de corrupção no alto e baixo escalão da polícia carioca.

Claramente inspirado em GLORIA (1980) de John Cassavetes, onde Gena Rowlands faz uma prostituta que também enfrenta criminosos para salvar uma criança.

Saiu pra locação pelado de extras, mas a edição para venda direta é dupla e traz Cenas Excluídas com comentários do diretor, Abertura/Animação, Galeria de Fotos, Trailer e Versão MP4.

VERÔNICA
Brasil, 2009
IDIOMA: Português 5.1, Português 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol
FORMATO DE TELA: Widescreen Letterbox 1.85:1
Drama policial – 1h31 – Cor – Europa Filmes

Direção:
Mauricio Farias
Com
Andréa Beltrão, Marco Ricca, Matheus de Sá, Giulio Lopes, Ailton Graça, Camila Amado, Flávio Migliaccio, Andréa Dantas
FILME:
***
DVD:
**

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JOGADA DE GÊNIO

by Kas 25. February 2011 13:33

A eterna luta de Davi contra Golias, travada nos tribunais hollywoodianos, ganha trejeitos de UMA MENTE BRILHANTE nessa estréia do produtor Marc Abraham (de FILHOS DA ESPERANÇA, FORÇA AÉREA UM) na direção.

Não espere por grandes lances criativos na condução do drama. Ao contrário do que diz o título, não tem nada de genial no trabalho de Abraham, que, por outro lado, conta com simplicidade e contenção a história de um inventor (feito com competência por um envelhecido Greg Kinnear), que abre mão de família, carreira e sanidade na sua luta contra a montadora Ford, que se apropriou indevidamente de um de seus inventos. Trata-se de uma história real, como é o caso da maioria das narrativas do tipo.

Boa cópia, sem extras.

JOGADA DE GÊNIO
Flash of Genius
, EUA, 2008
IDIOMA: Inglês 5.1, Português 5.1, Espanhol 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Japonês
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 2.40:1
Drama – 2h – Cor – Universal

Direção:
Marc Abraham
Com
Greg Kinnear, Lauren Graham, Dermot Mulroney, Alan Alda, Bill Lake, Mitch Pileggi
FILME: **
DVD:
***

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DVD - Resenhas

PARIS FILMES EM BLU PARA MARÇO DE 2011

by Kas 24. February 2011 04:03

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Blu-ray

OS DELÍRIOS DE CONSUMO DE BECKY BLOOM

by Kas 18. February 2011 05:26

Em tempos de SEX AND THE CITY e O DIABO VESTE PRADA, esta adaptação do best-seller de Sophie Kinsella soa como oportunismo puro. Não tem nada na trama que justifique sua existência, ainda mais por ser derivada não só das produções acima, como também de LEGALMENTE LOIRA (não é a toa que Reese Whiterspoon foi cogitada para o papel principal).

O que resta de graça na empreitada é mérito do diretor P.J. Hogan, de O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO. Hogan tem boas sacadas, como colocar os manequins nas vitrines interagindo com a protagonista (Isla Fischer), uma repórter que sonha em trabalhar numa conceituada revista de moda, mas não consegue controlar seus impulsos consumistas. Claro que o caprichoso destino a coloca no caminho do jovem editor de uma revista de economia (Hugh Dancy). Com bom elenco coadjuvante, pode agradar se você não esperar muito, mas não evita o sabor requentado.

Edição com a competência técnica habitual da distribuidora, que inclui erros de gravação, cenas excluídas e videoclipe de Shontelle & Akon, “Stuck With Each Other”. Também em DVD.

OS DELÍRIOS DE CONSUMO DE BECKY BLOOM
Confessions of a Shopaholic
, EUA, 2009
IDIOMA: Inglês 5.1, Português 5.1, Espanhol 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol
FORMATO DE TELA: Widescreen 2.39:1 1080p
Comédia – 1h44 – Cor – Buena Vista

Direção:
P.J. Hogan
Com
Isla Fisher, Hugh Dancy, Joan Cusack, John Goodman, John Lithgow, Kristin Scott Thomas, Leslie Bibb
FILME: **
IMAGEM: ****
ÁUDIO: ****
EXTRAS: ***

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Blu-ray - Resenhas

SAMBA

by Kas 18. February 2011 05:18

Uma aberração, mas que guarda certo interesse, principalmente para os brasileiros. Nem que seja pelas locações de cartão postal em Rio de Janeiro, Brasília e Salvador nos anos 1960. Trata-se de um veículo para a estrela Sara Montiel, que fazia muito sucesso por aqui na época, após passar pelo cinema hollywoodiano em filmes de Robert Aldrich, Anthony Mann e Samuel Fuller.

A trama é completamente absurda: Montiel faz uma costureira de uma favela carioca que é convocada pelos asseclas de um milionário pirado para se passar por uma cantora famosa assassinada pelo mesmo milionário, e quem este acredita ser reencarnação de Xica da Silva (!?). Some-se a isso o amante da cantora e o namorado frentista da costureira e o que se tem é um imbróglio amoroso que não teme resvalar no ridículo.

Recheado de participações de atores brasileiros, todos dublados em espanhol, e canções pátrias, cantadas também em espanhol e portunhol (como é o caso de “A Noite do Meu Bem”) por Montiel.

Cópia ruim, mas assistível.

SAMBA
Espanha/Brasil, 1965
IDIOMA: Espanhol 5.1, Espanhol 2.0
LEGENDAS: Português
FORMATO DE TELA: Full Frame 1.33:1
Drama romântico – 1h44 – Cor – Classicline

Direção:
Rafael Gil
Com
Sara Montiel, Marc Michel, Fosco Giachetti, Carlos Alberto, Grande Otelo, Leonardo Villar, Antonio Sampaio (Pitanga), Antonia Marzullo
FILME: **
DVD:
*

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DVD - Resenhas

UNIVERSAL BLU PARA MARÇO DE 2011

by Kas 17. February 2011 05:08

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Blu-ray

NICK & NORAH - UMA NOITE DE AMOR E MÚSICA

by Kas 16. February 2011 11:25

Uma raridade em comédias adolescentes, NICK & NORAH – UMA NOITE DE AMOR E MÚSICA é uma divertida celebração da energia e do caos sentimental que acompanha a idade. A trama se passa no espaço de uma única noite, o que remete a cults como DEPOIS DE HORAS e UMA NOITE DE AVENTURAS. Mas seu romantismo lembra mais o díptico de Richard Linklater, ANTES DO AMANHECER e ANTES DO PÔR DO SOL.

Nick (Michael Cera) ainda sofre pelo fora que levou da ex-namorada. Norah (Kat Dennings), que divide com Nick o mesmo gosto musical, se cansou de ser bajulada só por ser filha de pai famoso. Ambos se conhecem na busca por um show secreto de sua banda favorita. Junte ao imbróglio os coadjuvantes engraçadinhos e a cidade de Nova York, personagem integrante da trama (o filme foi rodado quase inteiramente em locação).

Inclui comentários em áudio, cenas excluídas e alternativas, erros de gravação, encenação com marionetes, animações em storyboards, sátira de entrevista com Cera, Dennings e Eddie Kaye Thomas, galeria de fotos do diretor, vídeo musical, diário em vídeo de Ari Graynor e trailers.

NICK & NORAH – UMA NOITE DE AMOR E MÚSICA
Nick & Norah’s Infinite Playlist
, EUA, 2008
IDIOMA: Inglês 5.1, Português 5.1, Espanhol 5.1, Tailandês 5.1
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Tailandês, Chinês, Coreano
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 2.39:1
Comédia romântica – 1h29 – Cor – Sony

Direção:
Peter Sollett
Com
Michael Cera, Kat Dennings, Alexis Dziena, Ari Graynor, Aaron Yoo, Jay Baruchel
FILME: ***
IMAGEM:
****
ÁUDIO: ****
EXTRAS: ****

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Blu-ray - Resenhas

GREASE - NOS TEMPOS DA BRILHANTINA

by Kas 15. February 2011 05:17

Não é qualquer filme que carrega durante mais de 30 anos a pecha de maior bilheteria de seu gênero, ainda mais considerando um gênero com histórico tão popular quanto o musical.

Pois GREASE - NOS TEMPOS DA BRILHANTINA é o autor da façanha, ainda mais memorável por ter sido lançado numa época em que os musicais já tinham passado da fase de decadência e estavam praticamente extintos. Some-se a isso o fato de seu culto só ter crescido com o passar dos anos, nos quais atingiu toda uma geração com suas constantes reprises na Globo. Só por isso tudo GREASE faz por merecer uma edição caprichada como a que ganha agora em Blu-ray no Brasil, espelhando a que saiu há alguns anos em DVD, mas com evidente acréscimo de qualidade de imagem e som.

GREASE veio do palco, onde fez sucesso como musical da Broadway no início dos anos 1970 ao relembrar saudosamente a mudança de costumes da juventude norte-americana (e por conseqüência, mundial) com a introdução do rock’ n’ roll no final da década de 1950. Este é o espírito do espetáculo: leve, bem-humorado e decididamente ingênuo. Algo que casou perfeitamente com os anseios das platéias mundiais quando de sua adaptação para o cinema. A Hollywood setentista (excetuando as fantasias de Lucas e Spielberg na segunda metade da década) foi marcada pelo pessimismo e pelo tom amargo e adulto, resultado direto do que se apresentava na política e economia mundial. Pois exatamente por recuperar tempos mais inocentes é que GREASE encontrou uma acolhida tão calorosa, superando o recorde anterior do gênero (A NOVIÇA REBELDE) e perdendo apenas para GUERRA NAS ESTRELAS e TUBARÃO no ranking das bilheterias mundiais.

A trama é básica: rapaz conhece garota durante as férias e vivem um amor de verão. Terminando a estação, se despedem pensando que nunca mais se reencontrariam, até que ele descobre que ela acaba de se matricular no colégio onde estuda. Alguns desencontros e vacilos típicos da juventude que tenta impressionar os amigos em detrimento dos próprios anseios (ele, Danny Zuko, faz o rebelde sem causa, enquanto ela, Sandy, é a mocinha inocente) levam ao final inevitavelmente feliz.

É difícil imaginar que uma premissa bobinha como essa pudesse ter tanto respaldo popular, mesmo considerando o timing adequado, se não fosse a presença magnética dos protagonistas. John Travolta tinha acabado de estourar com seus rebolados em OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE, que o transformou em astro da noite pro dia. O curioso é que Travolta tinha participado da peça, só que num papel secundário. Já Jeff Conaway, que fazia o mocinho nos palcos, foi escalado aqui como o melhor amigo do herói. O lado feminino, por sua vez, é muito bem representado pela popstar australiana Olivia Newton-John (que tinha quase trinta anos na época das filmagens), que faz Sandy, explicitamente inspirado nos papéis de virgens pelos quais Sandra Dee e Doris Day se popularizaram. Seu oposto é a moderninha Rizzo (Stockard Channing), que tem o melhor número musical, cantando There Are Worse Things I Could Do.

Dirigido sem muita convicção por Randal Kleiser (que ganhou o emprego por influência de Travolta, que trabalhou com Kleiser no filme pra TV O MENINO NA BOLHA DE PLÁSTICO), GREASE não é lá um grande espetáculo, mas mantém seu charme intacto para aqueles que o viram na época certa. E as canções já estão tão entranhadas no imaginário popular que dá até pra usar em um karaokê (que é um dos extras do Blu-ray, aliás).

GREASE – NOS TEMPOS DA BRILHANTINA: ROCKIN’ EDITION
Grease
, EUA, 1978
FORMATO DE TELA: Widescreen 2.39:1 1080p
IDIOMA: Inglês Dolby TrueHD 5.1, Francês 5.1, Espanhol 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol, Francês
Musical / Comédia / Romance – 1h50 – Cor – Paramount

Direção:
Randal Kleiser
Com
John Travolta, Olivia Newton-John, Stockard Channing, Jeff Conaway, Joan Blondell, Eve Arden, Frankie Avalon, Sid Caeser

FILME: **
IMAGEM:
***
ÁUDIO:
***
EXTRAS:
****

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Blu-ray - Resenhas

DIVÃ

by Kas 15. February 2011 05:10

Não dá nem pra culpar o formato televisivo – que vem marcando várias das incursões no cinema de realizadores escolados na TV, como este José Alvarenga Jr. Os problemas de DIVÃ, inúmeros, por sinal, são de ordem artística mesmo. Simplesmente não funciona, nem como drama e nem como comédia, como pretendiam os realizadores.

Esta adaptação para a tela da peça homônima de grande sucesso no Brasil inteiro acerta apenas em manter no cinema a mesma estrela do palco, Lilian Cabral, que realmente domina a personagem de Mercedes, uma quarentona insatisfeita no casamento que decide procurar um psicanalista. É no divã deste que começa a desfilar momentos importantes de sua vida e onde ensaia algumas mudanças radicais.

Edição para locação com imagem muito processada e sem extras. A pra venda direta é dupla e traz making of.

DIVÃ
Brasil, 2009
IDIOMA: Português 5.1, Português 2.0
LEGENDAS: Português, Inglês, Espanhol
FORMATO DE TELA: Widescreen Anamórfico 1.78:1
Comédia dramática – 1h33 – Cor – Europa

Direção:
José Alvarenga Jr.
Com
Lilia Cabral, José Mayer, Reynaldo Gianecchini, Cauã Reymond, Alexandra Richter, Eduardo Lago, Paulo Gustavo

FILME: *
DVD: **

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DVD - Resenhas

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