Quem lê quadrinhos está mais do que acostumado a ver um
determinado herói aparecer na revista do outro, histórias de diversos títulos
que se interligam e, claro, supergrupos que reúnem vários super-heróis contra
uma ameaça em comum. Conceito semelhante pode ser encontrado nas adaptações
animadas televisivas das HQs, mas até hoje é algo inédito no cinema.
O que pode ser facilmente explicado. Normalmente,
editoras como a Marvel vendiam os direitos de seus personagens para estúdios
diferentes e concorrentes, o que impedia que estes heróis pudessem contracenar
um com o outro. Mesmo estúdios que possuíam direitos sobre um universo de
personagens, como é o caso da Warner (proprietária da DC Comics), temiam em
comprometer a integridade comercial da prata da casa – leia-se os heróis mais
populares, como Batman e Superman – misturando-os com heróis do segundo
escalão. E existe também a questão do custo. Se um filme de herói já tem orçamento
estratosférico, imagine então um filme com vários heróis?
Pois de uns anos pra cá as coisas começaram a mudar. A
Marvel, animada com o sucesso de HOMEM-ARANHA, X-MEN e outros menos cotados,
criou uma divisão de cinema para gerenciar aqueles personagens cujos direitos
ainda não tinha cedido para outros estúdios. A idéia era produzir os próprios
longas com financiamento independente e distribuí-los através de estúdios
parceiros. Encontrou de cara o pote de ouro com a bilheteria surpreendente de HOMEM
DE FERRO, o primeiro título da Marvel Films, o que animou a empresa a sonhar
alto. Logo, os executivos da Marvel traçaram um plano ambicioso de realizarem
alguns filmes solos de personagens famosos entre os fãs de quadrinhos, mas nem
tanto fora desse meio, para posteriormente reuni-los em um único longa,
mantendo a continuidade – o que inclui os mesmos atores. Ou seja, repetir no
cinema o que já é manjado nas HQs, a criação de um universo único e coeso.
HOMEM DE FERRO foi a ponta da lança. Logo após os
créditos do primeiro filme, a Marvel espertamente inseriu uma breve cena extra,
onde Tony Stark se encontrava com Nick Fury (interpretado por Samuel L.
Jackson, que assinou contrato para retomar o papel em nove filmes do estúdio),
diretor da S.H.I.E.L.D., unidade de espionagem da Marvel que, nos quadrinhos
atuais, é responsável pela criação do principal supergrupo da editora, Os
Vingadores.
A estratégia se repetiu no segundo filme da Marvel, O
INCRÍVEL HULK, que trazia também ao final um diálogo entre o General Ross
(William Hurt) e o próprio Tony Stark, já dando as caras em filme alheio. Todas
essas inserções já visavam preparar o terreno para os novos filmes do estúdio.
Começando por este HOMEM DE FERRO 2, que já amplia a participação de Nick Fury
e da S.H.I.E.L.D., e apresenta ao público de cinema mais uma personagem da
editora, a espiã russa Viúva Negra (Scarlett Johanssen). Sem falar na presença
impagável (não perca a cena após os créditos) dos objetos icônicos usados pelos
protagonistas dos próximos filmes do estúdio, a serem lançados no ano que vem e
em 2012: THOR (que você confere na imagem acima) e CAPITÃO AMÉRICA. Este último, segundo consta, deve contar com a
participação do supergrupo da 2ª Guerra Os Invasores.
A coisa toda culminará com o lançamento de OS
VINGADORES em 2012, o superpoderoso boyband (nas palavras de Tony Stark) que
reúne Homem de Ferro, Thor, Capitão América, provavelmente o Hulk, e vários
outros heróis menos conhecidos que, caso a iniciativa Vingadores funcione, irá
desencadear uma nova série de filmes próprios, como o meu tão querido
HOMEM-FORMIGA, que deverão ser distribuídos pela Disney, atual
proprietária da Marvel.
De olho no quintal alheio, a DC/Warner já começou a
traçar seus planos para unificar seu universo. Ainda que continue lançando
filmes sem ligação entre si, como os recentes OS PERDEDORES e JONAH HEX, o
estúdio criou a DC Entertainment visando criar uma linha coerente para suas
futuras adaptações. Segundo informações obtidas dentro do estúdio, a idéia é
considerar BATMAN BEGINS como o big bang deste universo, seguido por BATMAN – O
CAVALEIRO DAS TREVAS, e aos poucos, ir introduzindo novos personagens como o
LANTERNA VERDE, cujo longa talvez traga referências ao Homem Morcego, e o novo SUPERMAN,
previsto para o final de 2012 (se o mundo não acabar mais cedo naquele ano). Some-se
a esses os persistentes rumores a respeito de longas do FLASH e
MULHER-MARAVILHA. Ou seja, se os deuses cinematográficos ajudarem, o tão
sonhado filme da LIGA DA JUSTIÇA finalmente sairá do papel nos próximos cinco
anos.