Adaptações
de videogames para o cinema nunca despertam muita confiança. Normalmente, estas
não só falham enquanto filmes, como também perdem o principal elemento que
torna os games fascinantes: a interatividade.
Por isso, dizer que esta versão
do jogo SILENT HILL da Konami é acima da média não chega a ser um grande
elogio. Mas o fato é que o filme do francês Christophe Gans tem idéias –
visuais, principalmente – bem interessantes e almeja sempre algo mais que
apenas reproduzir os calafrios providos pela fonte original.
Gans, um diretor
escolado na ação, no horror e na fantasia (são dele O COMBATE - LÁGRIMAS DO GUERREIRO, adaptado de um mangá, NECRONOMICON, tirado da obra macabra de
H.P. Lovecraft, e o esquizofrênico O PACTO DOS LOBOS), é ambicioso o
suficiente para incutir conceitos normalmente não associados a narrativas de
horror. E também domina os aspectos técnicos, de forma a capturar belas
composições, que remetem igualmente ao ambiente virtual do original e à imagem
cinematográfica.
Pena que o roteiro de Roger Avary (que escreveu com Tarantino
o oscarizado PULP FICTION e para Zemeckis BEOWULF,), sobre
Mãe leva sua filha à
fantasmagórica cidade de Silent Hill, que foi destruída por um incêndio, para
tentar descobrir a origem dos pesadelos da garota, seja dramaticamente nulo. Desta forma, TERROR EM SILENT HILL (SILENT HILL, Canadá/França, 2006, Sony) se torna muito mais uma experiência estética e sensorial (repare
no uso agressivo do som, perfeito para quem tem uma boa instalação de home
theater) que emocional.
Boa edição, tecnicamente perfeita e com um bom
documentário de quase uma hora de duração (legendado em português), dividido em
partes dedicadas à concepção do filme, à escalação do elenco, criação dos
cenários e elaboração do design (cortesia de Patrick Tatopoulos, de CIDADE DAS SOMBRAS e da série UNDERWORLD) e da coreografia dos monstros.