RETRATOS DA VIDA

by Kas 28. June 2009 19:41

Desde que venceu a Palma de Ouro (derrotando, entre outros, autores como Lean, Wajda, Pasolini, Frankenheimer, Welles, Losey e o brasileiro Roberto Santos) com UM HOMEM, UMA MULHER (1966), a crítica não perdoou mais o cineasta Claude Lelouch. Acusado repetidamente de praticar um cinema de arte light e popularesco, Lelouch sempre respondeu a estas críticas com mais provocações (como quando acusa a geração Nouvelle Vague de ensinar exatamente como não se filmar). A maior delas é, no entanto, o sucesso popular de seus filmes, principalmente em países como Estados Unidos e Brasil.

Não é sempre que Lelouch experimentou esta boa acolhida por parte do público. Sua tentativa de continuação do seu maior sucesso, UM HOMEM, UMA MULHER - 20 ANOS DEPOIS (1986) deu com os burros n’água. Mas para cada fracasso, Lelouch responde com um filme que não apenas atinge milhares como também entra para o imaginário popular. Como é o caso exatamente deste RETRATOS DA VIDA (LES UNS ET LES AUTRES, França, 1981, Classicline). 

Trata-se da terceira edição do filme lançada no Brasil, desta vez em luxuosa embalagem digipak slim, com direito à luva. Sinal do prestígio que o filme goza por aqui. Trata-se de um empreendimento ambicioso. “Retratos da Vida” segue por mais de 40 anos a trajetória de várias famílias, na Rússia, na França, nos EUA e na Alemanha, todas ligadas pela música e pela dança.

A abertura e o encerramento do filme já são lendários: o bailarino Jorge Donn interpreta o Bolero de Ravel (que virou hit mundial após sua utilização no filme) aos pés da Torre Eiffel. A partir daí, a(s) história(s) começa(m) às vésperas da 2ª Guerra, na União Soviética, onde uma bailarina (Rita Poelvoorde) se casa com um soldado (novamente Jorge Donn), pouco antes de este ser convocado para o front russo. Na Alemanha, um talentoso pianista (Daniel Olbrychski) é cumprimentado pelo Führer em pessoa, antes de se tornar oficial da SS. Em Paris, uma violinista judia (a futura cineasta Nicole Garcia) se apaixona por um pianista (Robert Hossein), têm um filho, para logo serem todos enviados para um campo de concentração. Nos EUA, o big band leader James Caan ouve o anúncio do início da invasão da Polônia pelos nazistas (que marcaria o início oficial do conflito).

Logo todas estas trajetórias irão se cruzar ao longo das três horas de duração do longa (que se estenderiam para mais de quatro horas em uma posterior edição para a TV em forma de minissérie). Na primeira metade, Lelouch é muito bem sucedido na forma como narra suas histórias em ritmo musical, utilizando-se basicamente de movimentos (do corpo e da câmera) e narrativa visual. Já na segunda metade, que envelheceu mal, o cineasta pesa a mão com o excesso de sentimentalismo, optando por dar ênfase às tramas mais óbvias e menos controversas. Exatamente por isso sacrifica logo a mais interessante delas, a do maestro alemão acusado publicamente de crimes nazistas, trama que rende a cena mais poderosa do filme, aquela em que o maestro se apresenta para um auditório vazio.

De qualquer forma, RETRATOS DA VIDA merecia um tratamento melhor do que ganha em DVD por aqui. Apesar dos cuidados cosméticos da embalagem e de contar com uma transferência anamórfica, a imagem sofre de excesso de compressão e, aparentemente, foi retirada de um máster em PAL, o que resulta numa perda de fidelidade e nitidez. Além da falta de extras, a duração desta cópia é inferior tanto à versão internacional (184 minutos) quanto à americana (177 minutos).

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AS DUAS INGLESAS E O AMOR

by Kas 28. June 2009 19:36
Se em seus incendiários textos do tempo de crítico de cinema François Truffaut renegava o que considerava o “cinema de qualidade” (leia-se acadêmico e previsível) de certa parcela de realizadores franceses, o cineasta acabaria por assumir o classicismo como uma significativa vertente de sua carreira, em filmes como A HISTÓRIA DE ADÉLE H. (1975), O ÚLTIMO METRÔ (1980) e este AS DUAS INGLESAS E O AMOR (LES DEUX ANGLAISES ET LE CONTINENT, França, 1971, Versátil).
 
O último serve como perfeito contraponto para JULES & JIM - UMA MULHER PARA DOIS (1962). Tanto um quanto o outro trata de triângulos amorosos em busca de um equilíbrio, ainda que provisório ou improvável. Ambos são também extraídos de romances do mesmo Henri-Pierre Roché. Só que, à parte a inversão entre os sexos, os dois filmes se completam tanto temática quanto formalmente. O próprio Truffaut definiu UMA MULHER PARA DOIS como uma celebração da vida e AS DUAS INGLESAS E O AMOR um hino à dor, daí a tristeza que permeia a narrativa, que responde com o classicismo à provocação lingüística bem Nouvelle Vague do primeiro. Cada qual a sua maneira, atinge o sublime e a delicadeza, marcas de seu realizador.
 
Cópia mediana (que não faz jus à bela fotografia de Nestor Almendros), sem extras.

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O VIZINHO

by Kas 24. June 2009 10:54
O cineasta e dramaturgo norte-americano Neil LaBute tem pelo menos um mérito indiscutível, o de nunca fugir da controvérsia. Desde sua estréia com o misógino NA COMPANHIA DOS HOMENS, LaBute vem alternando sua carreira entre projetos pessoais e filmes de encomenda, mas sempre contando com a devida carga de polêmica. Nem sempre acompanhada, porém, de méritos artísticos.
 
O VIZINHO (LAKEVIEW TERRACE, EUA, 2008, Sony) mescla ambas estas características. Se por um lado, injeta inesperada carga dramática em meio à estrutura de thriller prometida pelo trailer, por outro descamba para uma resolução convencional e aquém do desenrolar da trama.
 
Samuel L. Jackson poucas vezes foi tão assustador como no papel de um policial viúvo amargurado e violento, que despeja sua raiva e frustração no casal inter-racial (um competente Patrick Wilson e uma fraquíssima e careteira Kerry Washington) que se muda pra casa ao lado. Sem medo de ser acusado de racista, LaBute pelo menos se recupera do fracasso comercial e artístico de sua péssima refilmagem de O HOMEM DE PALHA.
 
Edição inclui comentários em áudio de LaBute e Washington, cenas excluídas, making of e trailers

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MISS POTTER

by Kas 24. June 2009 10:47
Mais uma edição capada da Imagem Filmes, que mutila o formato de tela original (de 2.40:1 para 1.78:1) e ignora a faixa de áudio sem compressão, o que é agravado pela transferência com brilho estourado (melhor regular seu display para compensar este excesso).
 
Uma pena, já que MISS POTTER (Inglaterra, 2006), a segunda incursão do cineasta australiano Chris Noonan na direção, 11 anos após o sucesso internacional e as indicações ao Oscar de BABE, O PORQUINHO ATRAPALHADO, é bem simpática. Trata-se da biografia da autora infantil Beatrix Potter (vivida por Renée Zellweger), que enfrentou a rígida sociedade da época – representada aqui pela figura da mãe da artista – para se tornar a celebrada criadora de obras bastante famosas, principalmente na Inglaterra. O filme centra neste conflito e no romance da autora com seu editor (Ewan McGregor). Noonan capricha no visual e insere criativas animações para visualizar a fértil imaginação da protagonista.
 
Sem extras.

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BLU-RAYS DA SONY BRASIL PARA AGOSTO!

by Kas 20. June 2009 08:11
 

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AGOSTO TRAZ DOIS BLOCKBUSTERS DA FOX EM BLU-RAY

by Kas 20. June 2009 08:09

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O JUSTICEIRO EM ZONA DE GUERRA

by Kas 15. June 2009 06:13
Se existe um personagem da Marvel que não dá sorte no cinema, este é o Justiceiro. Já são três filmes, com três atores diferentes (Dolph Lundgren, Thomas Jane e agora, Ray Stevenson, que fez fama como o Titus Pullo de ROMA), todos eles fracassos enormes de crítica e público (tanto que no Brasil nem foram exibidos no cinema).
 
Mas este O JUSTICEIRO EM ZONA DE GUERRA (THE PUNISHER - WAR ZONE, EUA, 2008, Sony) não é tão mal quanto parece. Basta aproveitar as deixas de humor da diretora britânica Lexi Alexander (HOOLIGANS) e tratá-lo como uma comédia, uma sátira do subgênero “filme de vingança”.
 
Pois o personagem surgiu nos quadrinhos influenciado exatamente pelos Charles Bronson da vida: um vigilante vingativo, veterano do Vietnã, disposto a eliminar todos os criminosos da face da Terra após ter sua família assassinada pela Máfia. Essa origem, talvez por ter sido abordada nos outros filmes, passa de relance aqui, onde vemos Frank Castle, o Justiceiro, tentando derrubar o arquinimigo Retalho (Dominic West, de 300, sob pesada, e bem meia-boca, maquiagem) e seu irmão psicopata (Doug Hutchinson, que marcou época como o assustador Eugene Tooms no seriado ARQUIVO X).
 
As mortes resvalam no humor negro a todo instante, e o visual colorido contrasta (e esvazia) a ultra violência.
 
Tecnicamente, o Blu-ray está excelente. Já os extras são exclusivamente para os fãs do personagem, e não expõem a briga nos bastidores entre o estúdio e Alexander, que chegou a ser alegadamente afastada da produção. Também em DVD.

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MOZART - O GÊNIO DA MÚSICA

by Kas 15. June 2009 06:07
Mais do que a simples curiosidade de conhecer uma produção da Áustria ocupada pelos nazistas, MOZART - O GÊNIO DA MÚSICA (WEN DIE GÖTTER LIEBEN, Áustria, 1942, Versátil) é uma boa cinebiografia do compositor Wolfgang Amadeus Mozart, mais romântica que a que Milos Forman faria quatro décadas depois.
 
Acompanhamos a trajetória do compositor já a partir da juventude, tentando manter o prestígio obtido na infância, quando foi considerado prodígio. Mais do que na obra de Mozart, o filme centra foco no triângulo amoroso que o artista forma com sua esposa e cunhada, uma cantora lírica. Hans Holt faz um Mozart bipolar, equilibrado entre os caprichos semi-autistas e um lado trágico.
 
O diretor Karl Hartl faz excelente uso da montagem paralela, de forma a contrapor a música com os momentos dramaticamente mais importantes da vida de seu compositor. O projeto foi sugerido a Hartl pelo Ministro da Propaganda nazista Joseph Goebbels, o que explica algumas insinuações racistas aqui e ali. Curiosamente, o cineasta se tornaria um conhecido membro da resistência austríaca à anexação pela Alemanha nazista.
 
Boa cópia, com homenagem a Mozart como extra.

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INTRIGAS DO ESTADO

by Kas 14. June 2009 06:27

Nesses traumáticos tempos de adaptação para o jornalismo impresso, o thriller INTRIGAS DO ESTADO (STATE OF PLAY, EUA/Alemanha, 2009) faz uma boa causa em prol do mesmo. Principalmente do jornalismo investigativo, ancorado em fatos, pistas, informantes e depoimentos, e menos em opinião, a matéria prima da era dos blogs, que o filme claramente condena.

Russell Crowe faz um repórter decididamente à moda antiga, que mora em um chiqueiro e dirige outro, e é tão desorganizado com sua mesa de trabalho quanto talentoso no que faz. O assassinato de um viciado sem teto o coloca numa investigação que pode ou não estar relacionada à morte da assessora de um congressista (Ben Affleck), que calha de ser seu amigo de faculdade.

O diretor britânico Kevin Macdonald (O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA), que imprimiu ritmo de thriller ao seu excelente e oscarizado documentário UM DIA EM SETEMBRO (sobre a ação terrorista nas Olimpíadas de Munique), conduz INTRIGAS DO ESTADO com pulso firme. Pelo menos até insistir em mais uma reviravolta final, uma tendência já cansada dos suspenses atuais, mas que aqui presta a um comentário em particular.

Algo que marca também DUPLICIDADE, também em cartaz, já que a semelhança entre os dois filmes é ainda maior do que os pôsteres deixam aparentar. Ambos elegem as megacorporações como os grandes vilões, o que nem é tão novidade assim, já que estas atropelavam os interesses dos indivíduos desde A TRAMA (1974) de Alan J. Pakula (a grande influência deste INTRIGAS DO ESTADO, ao lado de TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE, que o filme não cansa de citar).

No filme de Macdonald, adaptado da prestigiada minissérie homônima da BBC (dirigida pelo David Yates dos últimos HARRY POTTER), as corporações atacam de todos os lados. O jornal para o qual o personagem de Crowe trabalha acaba de ser adquirido por uma delas, que só interessa em lucro e não em fatos. Exatamente quando o repórter investe em uma investigação que pode interromper bilionárias transações entre outra corporação e o governo norte-americano. O que os realizadores de INTRIGAS DO ESTADO e DUPLICIDADE percebem, e os filmes ganham bastante com isso, é que por trás das corporações escondem-se interesses bem humanos, e a busca pela verdade não está entre eles.

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Cinema

CAPAS DOS BDS DA WARNER PARA JUNHO

by Kas 12. June 2009 05:12

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