SINÉDOQUE, NOVA YORK

by Kas 29. May 2009 07:41

Depois de fornecer o conteúdo que marcou a transição para o cinema dos videoclipeiros Spike Jonze (QUERO SER JOHN MAKOVICH, ADAPTAÇÃO) e Michel Gondry (A NATUREZA QUASE HUMANA, BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS), o roteirista Charlie Kaufman faz finalmente sua estréia como diretor em SINÉDOQUE, NOVA YORK (SYNECDOCHE, NEW YORK, EUA, 2008). Por mais que as mãos de Jonze e Gondry se façam sentir nos trabalhos anteriores, é de Kaufman aquilo que ficou conhecido como a característica dominante de tais filmes: o humor insólito, a metalinguagem, mais humor insólito e os personagens deprimidos.

Tudo isso retorna aqui, e, juntamente com o prestígio do realizador perante certa parte da crítica e da indústria, parece ter servido para atrair um elenco respeitável para o que é basicamente uma nova incursão de Kaufman na auto-análise/biografia cinematográfica. Philip Seymour Hoffman, bom como sempre, faz o alter-ego de Kaufman, o diretor de teatro Caden Cotard, que concilia o sucesso profissional e artístico com o fracasso matrimonial. Sua esposa, a artista plástica Adele (Catherine Keener), pretende se mudar para Berlim levando a filha do casal, Olive, a tiracolo. Cada vez mais solitário e deprimido, Caden se deixa levar pelas constantes investidas da bilheteira Hazel (Samantha Morton) e da atriz Claire (Michelle Williams). O que se segue é a trajetória de Caden enquanto este tenta construir sua obra-prima, uma peça grandiosa em função da verdade absoluta, que nada mais é do que uma reconstituição exata e em tempo real da vida do próprio Caden.

Pois se Caden é Kaufman, SINÉDOQUE, NOVA YORK é a pretensa obra-prima do segundo, é sua verdade absoluta. Se no início surpreendentemente contido, que remete mais a A LULA E A BALEIA (inclusive nos tons sépia da fotografia) que ao universo do próprio Kaufman, aos poucos o diretor/roteirista vai acumulando camadas e camadas de idéias, que se acumulam sem dar ao espectador (e ao filme) possibilidade de respirar. É realmente admirável como Kaufman se expõe, através do humor depreciativo de sua própria pessoa. Caden é um morto em vida, que prefere ver sua vida de fora. Em suma, um covarde (como ele próprio se define) e nem um pouco divertido (que é como outros o definem). Isto meio que define também o filme. Na tentativa de se distanciar de si mesmo para revelar a verdade absoluta, Caden/Kaufman acaba por criar apenas um simulacro. E deixa também o espectador do lado de fora.

Kas no TWITTER! 

Currently rated 5.0 by 3 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Cinema

LABIRINTO - A MAGIA DO TEMPO: EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO

by Kas 27. May 2009 04:59

Terceira e melhor edição no Brasil desta fantasia cultuada, mas que vale plenamente o novo investimento. Curiosamente, LABIRINTO - A MAGIA DO TEMPO (LABYRINTH, EUA/Inglaterra, 1986, Sony) foi grande fracasso de bilheteria na época, mas acabou conquistando defensores fiéis com o passar do tempo.

Trata-se de uma fantasia de fundo filosófico, formando assim uma trilogia informal com outros dois filmes do gênero lançados quase ao mesmo tempo, A HISTÓRIA SEM FIM e LADYHAWKE - O FEITIÇO DE ÁQUILA. A trama discorre sobre o rito de passagem da infância para a idade adulta, com todos seus dilemas, desejos e conflitos. A relação freudiana que se estabelece entre a jovem Sarah e o maquiavélico Jareth, o Rei dos Duendes, remete também a outra produção da época, A COMPANHIA DOS LOBOS, que também relia os contos de fada sob um ponto de vista psicanalítico.

A grande atração do filme, realizado antes da era dos efeitos digitais (a única imagem gerada por computador é a da coruja da abertura do filme), são os fantásticos seres criados na oficina do diretor Jim Henson, um especialista em bonecos, marionetes e fantoches desde a época em que comandava os lendários VILA SÉSAMO e OS MUPPETS na TV americana. Com o apoio de George Lucas, cujo nome como produtor ajudou a viabilizar a produção, Henson investiu em uma nova técnica de manipulação de bonecos, que recebeu o nome de animatronics.

Henson acabara de realizar O CRISTAL ENCANTADO, uma aventura fantástica protagonizada apenas por criaturas animadas, com belo visual, mas nenhum senso de humor. Para evitar o mesmo erro, Henson convocou um craque do assunto para assumir o roteiro, o impagável Terry Jones, ex-integrante da genial trupe Monty Python e diretor de SERVIÇOS ÍNTIMOS e AS AVENTURAS DE ERIK, O VIKING. A contribuição de Jones foi imensa, pois é graça a suas gagues que o filme resiste bravamente ao tempo e que seja igualmente irresistível para os adultos quanto é para as crianças.

Foi o terceiro filme de Jennifer Connely (após ERA UMA VEZ NA AMÉRICA e PHENOMENA), já esbanjando talento e beleza aos 15 anos. O popstar David Bowie, que tinha causado boa impressão no cinema em filmes como O HOMEM QUE CAIU NA TERRA, FOME DE VIVER e FURYO - EM NOME DA HONRA ficou com o papel do vilão e é também autor das canções do filme, algumas clássicas, como Underground, Magic Dance e As the World Falls Down. Só é pena que Henson não tenha a mesma intimidade com os números musicais como tem com os elementos fantásticos. Estes são fracos e sem inspiração, mas não comprometem esta fascinante aventura.

Edição dupla com extras legendados, como um excelente making of da época, que desnuda as dificuldades dos bastidores. Um outro documentário, este recente e dividido em duas partes, se beneficia dos vinte anos que se passaram desde o lançamento do filme para analisar a razão de sua longevidade e todo o processo de levar a idéia original para a tela. Além da galeria de imagens e dos trailers habituais, temos também a excelente faixa de comentários em áudio do desenhista conceitual Brian Froud, que criou o visual dos personagens e do mundo fantástico, além dos figurinos. Froud é simpático e honesto em suas considerações, mantendo durante todo o tempo o bom nível das informações.

Kas no TWITTER! 

Currently rated 5.0 by 3 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas

LOUCADEMIA DE POLÍCIA 2 - A PRIMEIRA MISSÃO

by Kas 27. May 2009 04:50

Segundo longa de uma das séries mais infames e bem sucedidas dos anos 80, que rendeu sete episódios no cinema e uma série de TV.

LOUCADEMIA DE POLÍCIA 2 - A PRIMEIRA MISSÃO (POLICE ACADEMY 2 - THEIR FIRST ASSIGNMENT, EUA, 1985, Warner) é de uma época em que comédia pastelão não era exclusividade do público infantil. Esta aqui tem piadas de duplo sentido e alguma violência, além da apologia das armas e do abuso de poder pelos policiais. Ou seja, é genuinamente politicamente incorreta. O humor é rasteiro e se o filme tem algum interesse hoje, é apenas pela nostalgia e pela participação divertida de Bob Goldthwait como o sensível sociopata Zed, líder da gangue que inferniza os heróis.

O astro Steve Guttenberg nunca vingou no cinema, mesmo com o sucesso da série e de mais dois longas estrelados por ele, COCOON e TRÊS SOLTEIRÕES E UM BEBÊ, que também renderam suas continuações.

Edição inclui trailer e documentário O MELHOR DE: HERÓIS POR ACIDENTE, este legendado.

Kas no TWITTER! 

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas

LANÇAMENTOS PARAMOUNT BRASIL EM BD PARA JULHO!

by Kas 25. May 2009 10:33

Kas no TWITTER!

Currently rated 5.0 by 1 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray

TOBRUK

by Kas 22. May 2009 10:09

TOBRUK (EUA, 1967, Universal/Classicline) é a típica aventura da Segunda Guerra, dentre tantas produzidas nos anos 1960. Esta não é das melhores, mas ainda segura o interesse.

No norte da África, um batalhão britânico junta forças com um grupo de soldados judeus alemães e um oficial canadense (Rock Hudson) para destruir as reservas de combustível que alimentam as tropas de Rommel, enfrentando traidores, tuaregs e nazistas, além do preconceito e a desconfiança que cresce dentro da própria tropa.

O diretor Arthur Hiller, mais conhecido por seus dramas e comédias, não tem muita intimidade com a ação que, porém, é bem produzida (concorreu ao Oscar de efeitos especiais, que ainda se sustentam muito bem). Hudson e George Peppard, que faz o líder dos judeus, têm carisma suficiente para a empreitada, mesmo quando estão no piloto automático como aqui.

Ótima cópia, acompanhada do trailer.

Kas no TWITTER! 

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas

HEROIC TRIO 2

by Kas 22. May 2009 06:48

HEROIC TRIO 2 (XIAN DAI HAO XIA ZHUAN / HEROIC TRIO 2 - EXECUTIONERS, Hong Kong, 1993, Europa Filmes) é a continuação de uma aventura comandada pelo mesmo Johnny To, que atualmente caiu nas graças da crítica com seus filmes mais recentes, como ELEIÇÃO - O SUBMUNDO DO PODER (2005), EXILADOS (2006) e o novo VENGEANCE, lançado esta semana no Festival de Cannes.

Não espere pela mesma segurança que To (que aqui divide a direção com o coreógrafo das lutas Siu-Tung Ching) demonstra na sua produção recente. Mas a agilidade narrativa e o carisma das estrelas, entre elas as hoje internacionais Michelle Yeoh (de O TIGRE E O DRAGÃO) e Maggie Cheung (AMOR À FLOR DA PELE), compensa o roteiro sem pé nem cabeça e a produção visivelmente de baixo orçamento. Chega a ser inclusive superior ao filme original, com uma trama mais dramática e ameaças mais concretas.

Após uma explosão atômica, a civilização sofre com a falta de água potável, o que leva um vilão deformado a tentar um golpe de estado. Só as três heroínas do título poderão impedi-lo.

Cópia muito boa, com trailers e versão MP4 como extra.

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas

BLU-RAYS DA DISNEY NO BRASIL

by Kas 22. May 2009 05:54

Para 25 de maio:

Currently rated 5.0 by 1 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray

PARTNER

by Kas 22. May 2009 05:28

PARTNER surgiu do meu sofrimento por ser um cineasta italiano, declara Bernardo Bertolucci no início de sua entrevista que acompanha a excelente edição em DVD do filme, lançada pela Versátil. Com a carreira iniciada nos início dos anos 1960, após o declínio do neo-realismo, e com a defecção de seu ídolo Roberto Rossellini para a TV, Bertolucci se sentia artisticamente órfão, invejando assim a revolução que se pregava na França no mesmo período. Os jovens da Nouvelle Vague virariam então suas referências, algo que o cineasta deixaria transparecer em filmes como ANTES DA REVOLUÇÃO (1964), seu segundo longa, onde Bertolucci absorvera a estética e a inquietação do movimento, e também em sua mais recente obra-prima, OS SONHADORES (2003), no qual destila todo seu amor pela cinefilia e pela liberdade sócio-política da juventude do período.

Pois PARTNER (Itália, 1968), seu terceiro longa-metragem, é uma súmula desta frustração tornada obsessão, unindo a forma de ANTES DA REVOLUÇÃO com temas de OS SONHADORES. Não é um filme fácil, muito pelo contrário, é dos menos populares da carreira do diretor, e até por isso, pouco visto e discutido até hoje.

Mas seu hermetismo é bem menor do que aparenta. A chave para compreendê-lo e apreciá-lo está em contextualizá-lo historicamente e também dentro da carreira de Bertolucci. O diretor, nascido em Parma em 1940, filho do poeta (e crítico de cinema) Attilio Bertolucci, seguiu num primeiro momento os passos do pai, antes de enveredar pelo cinema. Foi assistente de Pasolini em ACCATTONE - DESAJUSTE SOCIAL (1961), e foi o próprio Pasolini quem escreveu o roteiro de sua vigorosa estréia como diretor no ano seguinte, com LA COMMARE SECCA (lançado em DVD no Brasil como A MORTE). Com ANTES DA REVOLUÇÃO, inspirado por Stendhal, Bertolucci já assume as influências da Nouvelle Vague e inicia uma série de adaptações literárias, que se seguirá por PARTNER (adaptado de O DUPLO, de Dostoiévski), A ESTRATÉGIA DA ARANHA (Jorge Luis Borges) e O CONFORMISTA (Alberto Moravia). Esta estratégia de trabalhar em ciclos é uma característica da carreira de Bertolucci. Basta se lembrar da trilogia oriental composta por O ÚLTIMO IMPERADOR (1987, que lhe deu o Oscar), O CÉU QUE NOS PROTEGE (1990) e O PEQUENO BUDA (1993), e a celebração, ainda que tardia, da juventude proposta pelos belíssimos BELEZA ROUBADA (1996), ASSÉDIO (1998) e OS SONHADORES. 

Não é de se estranhar então que PARTNER adicione a essa idéia de ciclos outro tema recorrente na filmografia do cineasta, a questão do duplo. O filme fala sobre um tímido e semi-autista professor de teatro que um dia descobre um duplo (ambos vividos pelo francês Pierre Clémenti, que contracena consigo mesmo em inteligentes truques de câmera). Este duplo então leva a cabo tudo aquilo que o professor deseja, mas não faz. É uma extensão de sua personalidade onde este projeta suas frustrações e seus desejos, como dormir com a namorada (Stefania Sandrelli) e conscientizar politicamente seus alunos. Filmado em meio aos eventos de maio de 68, Bertolucci insere várias referências imediatas ao que acontecia na França, como frases de efeito e uma reverência à cinefilia, com citações explícitas a Godard, Eisenstein e ao Expressionismo Alemão. 

Filmado em scope, PARTNER ganha pela Versátil uma excelente transposição para o DVD, que ainda traz extras saborosos, como uma imperdível entrevista de quase 40 minutos com o diretor e o teste de Clément. Compre o DVD antes que seu duplo o faça em seu lugar.

Kas no TWITTER! 

Currently rated 5.0 by 1 people

  • Currently 5/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas

BDS DA IMAGEM PARA JUNHO!

by Kas 21. May 2009 04:13

Cortesia de Alexandre Marinho, do HT Forum:

Kas no TWITTER!

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

Blu-ray

DEAD ZONE: 3ª e 4ª TEMPORADAS

by Kas 18. May 2009 03:59

 

Não são muitos os livros ou contos de Stephen King que sobreviveram na transposição para a tela. CARRIE, A ESTRANHA, O ILUMINADO, UM SONHO DE LIBERDADE, CONTA COMIGO, LOUCA OBSESSÃO, talvez outros menos cotados, resistiram à massa de adaptações simplórias graças ao talento dos envolvidos. Um que se destaca entre estas poucas exceções de sucesso é THE DEAD ZONE (de 1983, mas lançado no Brasil apenas em 1987, com o título de A HORA DA ZONA MORTA, para pegar carona na moda dos A HORA DE..., como A HORA DO ESPANTO, A HORA DO PESADELO...). O diretor David Cronenberg deu um tempo nas nojeiras que marcaram a primeira fase de sua carreira e investiu, junto com o roteirista Jeffrey Boam (INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA, VIAGEM INSÓLITA), neste suspense com toques sobrenaturais e fundo político. Em plena Era Reagan, com a ameaça nuclear ainda pairando sobre a humanidade, King escreveu a história de Johnny Smith, um professor que acorda de um coma de seis anos, causado por um acidente de carro. Além de ter de se adaptar com a nova realidade, Smith descobre ainda que adquiriu um estranho poder, o de vislumbrar o futuro ao tocar em pessoas e objetos. As coisas pioram consideravelmente quando ele cumprimenta um candidato ao congresso e vê que sua vitória levará ao fim do mundo. O dilema ético que se segue pode não ser novidade – se tivesse a chance, você mataria Hitler quando criança? – mas tanto King quanto Cronenberg e Boam extraíram daí um drama poderoso em sua simplicidade.

Pois Johnny Smith teria uma nova chance de mudar o futuro na série de TV DEAD ZONE - O VIDENTE, lançada no Brasil em DVD pela Paramount. A idéia de atualizar a trama e expandi-la em um seriado foi do produtor Michael Piller, que fez parte da equipe de criação de alguns derivados de JORNADA NAS ESTRELAS, como DEEP SPACE NINE. Atualizar em termos, já que Piller é bem fiel à idéia proposta por King. Seu maior trabalho se deu da forma inversa do de Cronenberg e Boam. Enquanto estes tiveram de resumir um livro de mais de 320 páginas em um roteiro de 90 páginas, Piller procurou encontrar pistas e possibilidades para ampliar aquele universo além da trama política proposta. Afinal, uma série não tem exatamente um número de episódios determinado em sua gênese, algo que vai depender do sucesso que esta fizer (DEAD ZONE, no caso, durou ao todo seis temporadas).O resultado não é lá inovador. Piller optou por um formato diversas vezes testado na TV, o de mesclar episódios que ajudem a construir a mitologia com outros que são praticamente independentes do todo. Nestes, Smith tem geralmente uma visão de um assassinato ou uma catástrofe logo na introdução, para passar o resto do episódio tentando descobrir como esta visão se concretizará e o que será necessário fazer para impedir que isto aconteça. O surpreendente é que Piller e sua equipe conseguem fazer funcionar este formato, apesar do gosto requentado. Aí entra também a perfeita escalação de Anthony Michael Hall para o papel de Smith (vivido por Christopher Walken no filme de Cronenberg). Hall fez fama nos anos 80 em papéis de nerd como os que viveu em GATINHAS E GATÕES e MULHER NOTA 1000, ambos de John Hughes. O ator envelheceu bem, e ganhou feições mais sérias e graves, sem perder a simpatia (como mostrou recentemente no pequeno papel do apresentador de TV em BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS). Hall encontrou o tom certo para Johnny Smith, o de homem comum, um Zé Ninguém (como sugere o nome do personagem) de uma pequena cidade no interior do Maine, a quem é dada a missão de evitar o fim do mundo. Seu nêmesis é o político corrupto Greg Stillson (Sean Patrick Flanery, o jovem Indiana Jones da extinta série de TV do início dos anos 90).

A terceira e a quarta temporada da série diferem bastante uma da outra em dois pontos. O primeiro deles diz respeito à mitologia em si, que pesou bastante durante toda a terceira temporada, mas que foi resumida ao máximo na quarta, que privilegiou os episódios independentes, provavelmente para facilitar a vida de novos espectadores. Dos onze episódios, apenas três remetem à trama central da série, que liga Stillson ao apocalipse. O segundo ponto é com relação à cosmética. Além de um novo tema musical nos créditos, a série passou a ser realizada a partir de seu quarto ano com câmeras digitais de alta definição, ao contrário da película utilizada nos anos anteriores, que era posteriormente transferida para vídeo para finalização. Para o espectador do DVD, essa é uma boa notícia, já que a imagem, que não tem mais de sofrer com transferência da película para o vídeo, ganha em nitidez e saturação. Mas o aspecto suave que é marca da série permanece presente.

O que não fica claro é o por quê da Paramount ter eliminado todos os extras presentes nas edições americanas. Pelo menos o episódio final da quarta temporada, um especial de Natal que também faz parte da edição gringa, saiu aqui, sabe-se lá porquê, no box da quinta temporada. Com isso, o consumidor brasileiro tem de se contentar com os 12 episódios da terceira e apenas 11 da quarta temporada, que pelo menos garantem a diversão daqueles que ousarem vislumbrar o futuro pelos olhos de Smith.

Kas no TWITTER! 

Be the first to rate this post

  • Currently 0/5 Stars.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5

Tags:

DVD - Resenhas | TV

Powered by BlogEngine.NET 1.4.0.0
Theme by Mads Kristensen