O cineasta alemão Douglas Sirk ganhou a pecha de mestre do melodrama graças a sua impressionante filmografia hollywoodiana, que inclui títulos como PALAVRAS AO VENTO, IMITAÇÃO DA VIDA e este maravilhoso ALMAS MACULADAS (THE TARNISHED ANGELS, EUA, 1958, Universal/Classicline), talvez sua obra-prima.
A obra de Sirk exerce influência inegável em cineastas como Rainer Werner Fassbinder (O CASAMENTO DE MARIA BRAUN), Pedro Almodóvar (TUDO SOBRE MINHA MÃE), Lars Von Trier (ONDAS DO DESTINO) e Todd Haynes, que o homenageou abertamente em LONGE DO PARAÍSO. É fácil perceber por que. Sirk consegue ampliar as características do gênero, testando e redefinindo seus limites, sem descambar para o dramalhão, mesmo quando escancara o lado sórdido do ser humano. E faz isto com classe e total domínio dos elementos cinemáticos, trabalhando com cores, que ele domina como poucos, ou em preto e branco, como aqui.
Não é difícil imaginar porque atores como Rock Hudson, Robert Stack e Dorothy Malone (todos eles presentes também em PALAVRAS AO VENTO) gostavam de ser dirigidos por ele. Afinal, se estes eram limitados nas mãos de outros diretores (Malone era considerada a rainha da canastrice, Hudson era apenas um galã e Stack fazia mais sucesso com o Elliot Ness do seriado televisivo OS INTOCÁVEIS), costumavam brilhar sobre o comando de Sirk. É só conferir a intensidade que todos, principalmente Hudson (que faz o jornalista que se apaixona pela mulher de um piloto de acrobacias), conferem a seus papéis.
Brilha também Jack Carson, como o melhor amigo e mecânico do personagem de Stack, que faz o piloto obcecado, herói de guerra e fracasso no casamento. Quanto menos comentar sobre a trama de ALMAS MACULADAS, melhor. Só torna este mergulho no universo de Sirk mais dolorido e, ao mesmo tempo, prazeroso.
Excelente cópia em wide anamórfico, com belíssimo preto e branco, extraída da edição oficial da Universal. Sem extras.