por Virgílio Souza
Renato Russo é a bola da vez na indústria cinematográfica brasileira. Após a Vivo chamar a atenção com um comercial-homenagem a Eduardo e Mônica (confira aqui), composta por ele, e surgirem as primeiras informações sobre o longa Faroeste Cabloco,
também inspirado em uma canção de sua autoria, chegou a hora de
acompanharmos nos cinemas a trajetória do músico no período pré-Legião
Urbana.
O Parque da Cidade, em Brasília: possível sede das filmagens
De acordo com o FILME B,
o projeto começou a ser rodado no início deste mês em Brasília e,
dentro de algumas semanas, deverá se mudar para Paulínia, em São Paulo,
onde provavelmente serão gravadas sequências em cenários fechados - a
previsão inicial, feita no ano passado, era de que as filmagens
aconteceriam entre abril e maio. O longa marca a parceria entre a Fox
Film do Brasil e a Imagem Filmes, que se unem na co-produção.
A trama se foca na adolescência do personagem principal, abordando desde a composição de músicas como Geração Coca-Cola e Que País É Este?
até uma fase complicada de sua vida, quando sofreu de uma rara doença
óssea, a epifisiólise. Os detalhes do roteiro foram revelados pelo
diretor do longa, Antonio Carlos da Fontoura (Gatão de Meia Idade), em entrevista ao G1:
“Ele tinha apenas 15 anos e era obrigado a ficar em casa, se tratando
com morfina. Mas foi nessa reclusão forçada que começou a armar seu
plano: se tornar o maior roqueiro do Brasil”, afirmou.
Antônio Carlos da Fontoura: muitos detalhes revelados
A
família do artista também tem participado ativamente da produção.
Carmem, sua irmã, atuou ao lado de Fontoura na etapa de pesquisa: “Ela
forneceu dados sobre a infância do Renato, abriu o álbum de fotografias e
seu baú de histórias”, disse o cineasta. A conclusão a que ele e o
roteirista do longa, Marcos Bernstein (Central do Brasil e Chico Xavier),
chegaram foi a de que a criatividade do músico vivia sua efervescência
na época: “Renato soltava a imaginação, escrevia diários com letras e
reportagens fictícias, no qual relatava seu encontro com David Bowie e
uma briga com Mick Jagger. Também foi nesse período que ele começou a
colecionar vinis e entrou em contato com o punk”, revelou.
Já
Maria do Carmo, mãe do cantor, foi fundamental até mesmo para decidir o
título do longa, segundo Fontoura. “O nome original do filme era Religião Urbana.
Era uma referência à adoração quase sagrada que os fãs têm pela banda.
Mas aí a Dona Carminha me chamou para conversar e disse que o filho
deveria estar se revirando no caixão com esse título. Ela contou que o
Renato odiava essa veneração meio religiosa, dizia que não tinha vocação
para padre, nem pastor”, afirmou. Assim, chegou-se ao título Somos Tão Jovens, verso da faixa Tempo Perdido, que figura no álbum Dois, do Legião Urbana.

Thiago Mendonça, de 30 anos, viverá Renato Russo, aos 15 O
filho de Renato, Giuliano Manfredini, de 21 anos, também está na equipe
do longa: é ele o encarregado de selecionar as bandas que interpretarão
as dezenove canções do pai no decorrer da trama. O clima familiar
também atinge outros importantes personagens da trajetória do músico: o
guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá, que aparecem
no momento em que surge a amizade que daria origem ao Legião Urbana, são
interpretados por seus respectivos filhos. O vocalista, por sua vez, é
vivido por Thiago Mendonça (o Luciano, de Dois Filhos de Francisco), de 30 anos.
O filme tem estreia prevista para o segundo semestre de 2012.